<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946</id><updated>2012-01-25T17:55:58.405-02:00</updated><category term='sociedade'/><category term='divagar'/><category term='dança'/><category term='poesia'/><category term='Fora Micarla'/><category term='libertárias'/><category term='afetividade'/><category term='defenestrar'/><category term='mesquinhez'/><category term='setor II'/><category term='música'/><category term='autocrítica'/><category term='fesceninas'/><category term='gênero'/><category term='academia'/><category term='política'/><category term='Natal'/><category term='literatura'/><category term='pós-modernidade'/><category term='cultura'/><category term='guerra'/><category term='desespero'/><category term='ciência'/><category term='obituário'/><category term='Facebook'/><category term='dispêndio'/><category term='dantescas'/><category term='UFRN'/><title type='text'>No País da Ciberescritura</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>69</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-436090713771507913</id><published>2012-01-25T17:55:00.000-02:00</published><updated>2012-01-25T17:55:58.416-02:00</updated><title type='text'>Sobre a regulação do ofício de filosofar e de ensinar filosofia no Brasil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;E aí? Bora fazer pose de pseudo-intelectual hoje? Vamos aproveitar e regulamentar, em lei, quem pode e quem não pode fazê-lo, né? Pois é o que pretende fazer um deputado gaúcho com seu projeto de lei. &lt;a href="http://www.giovanicherini.com/" target="_blank"&gt;Giovani Cherini &lt;/a&gt;elaborou um PL no ano passado com o objetivo de &lt;a href="http://www.giovanicherini.com/projetosdelei/PL_2533_2011.pdf" target="_blank"&gt;definir o ofício de filósofo no Brasil&lt;/a&gt;. Basicamente, só pode filosofar bacharéis, licenciados, mestres e/ou doutores em filosofia, cabendo uma mamata extra a quem, não pertencendo à área por formação, filosofa há mais de cinco anos. O PL estabelece ainda a Academia Brasileira de Filosofia como "representante da filosofia e língua filosófica nacionais" (art. 7o.). O filósofo, devidamente diplomado e de carteira assinada, será o guardião da filosofia, do pensamento e das idéias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Tá. Quem deve filosofar, no fim das contas? Essa pergunta, no Ocidente, remete a Sócrates e Platão, os primeiros a baixar o pau nos sofistas (segundo eles, arremedo de filósofos). O couro comeu pro lado de pensadores como Eriúgena, Spinoza, Descartes, Schopenhauer, Nietzsche - o primeiro por pouco não foi excomungado da igreja católica e o segundo foi preso. Os idealistas quiseram definir como é que se filosofa, e os analíticos também. Quem já leu sobre as polêmicas entre Schopenhauer e Hegel, Derrida e Searle tem uma idéia bacana de como as disputas se processaram nos últimos séculos. Os critérios da disputa variam, desde o respeito ao cânone até o modo de escrever; os analíticos recusam o rótulo de filósofo a quem faz malabarismos estilísticos, escrevendo com cem palavras o que se pode dizer em meia. (Segundo este critério, Hegel seria retirado do cânone imediatamente, e não é à toa que uma parcela dos analíticos o abomina). Já os idealistas alemães gostavam de elaborar sistemas, elegendo dois ou três pontos de partida e estabelecendo-os como pedras de toque para explicar tudo o mais que houvesse na filosofia e no mundo. Quer dizer, o pega-pra-capar já começa no interior da própria filosofia. Voltarei a esse ponto mais adiante, mas saiamos da filosofia e entremos no PL.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O primeiro detalhe do texto da primeira redação é simples: o projeto de lei possui apenas quatro páginas, incluindo a justificativa. Mal define os termos-chave, que, ao que parece, só se resume a um: filósofo. Há os termos "filosofia", "pensamento", "idéias", e a expressão "Academia Brasileira de Filosofia". São apenas dez artigos, os dois últimos sendo pura encheção de lingüiça, já que poderiam ser reunidos em apenas um. &lt;a href="http://www.cfess.org.br/arquivos/legislacao_lei_8662.pdf" target="_blank"&gt;A lei que regulamenta a profissão de assistente social &lt;/a&gt;possui 24 artigos, alguns dos quais bastante detalhados; o &lt;a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8906.htm" target="_blank"&gt;Estatuto do Advogado &lt;/a&gt;é composto de 87 artigos, gente! Mas se é pra pagar pose de pseudo-intelectual, eu pergunto: quem assessorou o deputado Cherini? Porque, se houve assessoria, ela se esqueceu de um detalhe: qual é o critério para definir os termos a que me referi no início do parágrafo? Quem filosofa? Quem pensa? O que são "idéias"? Só os filósofos têm idéias, e de que tipo? E quem deve definir? A Academia Brasileira de Filosofia, eleita como guardiã do pensamento filosófico no Brasil pelo deputado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O outro detalhe diz respeito à formação do filósofo. Este ponto não parece tão delicado quando se trata do ensino básico, já que só se pode ensinar filosofia quem é licenciado em filosofia - embora, naturalmente, haja uma massa considerável de professores já formados, concursados (e esperando a nomeação) ou desempregados pela falta de postos de trabalho em escolas públicas ou privadas (principalmente nas públicas). Sem falar nos estagiários, que às vezes são colocados para dar aula de filosofia (o contrário também existe, claro), e nos professores efetivos que se encarregam da disciplina pela negligência (pois não vejo outra palavra para o problema) em contratar o profissional adequado para a formação dos alunos. Quando se sobe o nível de formação, contudo, a coisa muda de figura: os concursos costumam pedir aderência acadêmica, o que significa possuir pelo menos graduação e doutorado na área. É bem verdade que não é tão difícil encontrar professores que pularam de área em área até chegar na filosofia; aqui na UFRN, dos professores que lecionam na área de lógica e adjacências, duas são formadas em matemática, um em engenharia da computação e outro em medicina (embora possuam pelo menos um mestrado ou doutorado em filosofia). Ainda assim, há aqueles que não possuem nem graduação, mestrado ou o que seja em filosofia, mas fazem incursões rotineiras em alguma das subáreas, a exemplo do lingüista da Unicamp Kanavillil Rajagopalan, que brinca há anos com filosofia da linguagem (e é &lt;a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=S91478" target="_blank"&gt;o dono do maior Lattes&lt;/a&gt;&amp;nbsp;nas humanidades aqui no País que eu conheço). Thomas Kuhn, o filósofo da ciência, era físico de cabo a rabo em sua formação. Deveríamos pedir a esses senhores que pulassem fora do domínio filosófico só por não terem formação acadêmica estrita em filosofia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;O terceiro detalhe diz respeito ao cânone. Queiramos ou não, o incurso na filosofia exige um conhecimento mínimo do que se considera "pensamento filosófico tradicional", o que é obrigatório a quem se forma em filosofia ou em outras áreas. Michel Onfray elaborou uma &lt;i&gt;Contra-História da Filosofia&lt;/i&gt;, só com pensadores não-canônicos, mas para isso ele precisou saber quais eram os pensadores canônicos (jura?). O que importa, em todo caso, é ter um mínimo de leitura dos textos clássicos e de comentadores, pra não sair cometendo gafes grosseiras ou chover no molhado. Mas mesmo o cânone pode ser questionado: ora, quem disse que precisa ser sempre a filosofia ocidental? E as demais vertentes filosóficas pelo globo, não contam? Quem disse que só é possível filosofar em alemão leu Heidegger demais pra meu gosto. Há aliás um campo recente de pesquisa nesse sentido - a &lt;a href="http://www.iep.utm.edu/comparat/" target="_blank"&gt;filosofia comparada&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(link em inglês), ainda pouco conhecida no Brasil; até o momento, só sei de &lt;a href="http://www.matriculaweb.unb.br/matriculaweb/graduacao/disciplina.aspx?cod=347396" target="_blank"&gt;uma única disciplina oferecida em nível de pós-graduação na área, na UnB&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Só esses pontos, creio, dão uma dimensão da falha na redação do projeto. Tá em circulação &lt;a href="http://www.change.org/petitions/abaixo-assinado-contra-a-regulamentao-de-filsofo-como-profisso-contra-a-regulamentao-de-filsofo-como-profisso" target="_blank"&gt;um abaixo-assinado contra o PL&lt;/a&gt;. Aproveite pra assinar e, se possível, acompanhe o trâmite do projeto na Câmara dos Deputados. Sindicalizar a filosofia é ridículo - Aristóteles escarneceu de seu mestre, Platão, por este tornar obrigatório o estudo de matemática em sua Academia pra filosofar. Como bem lembrou um cara nos comentários do abaixo-assinado, parece que a Academia Brasileira de Filosofia pretende se projetar com esse objetivo. Nos cinco meses que morei no Rio em 2009 fazendo mobilidade acadêmica na UFRJ, só passei por lá uma ou duas vezes, no máximo. Ela é tão expressiva que o IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais), que fica próximo (ambos no Centro), não tinha um único cartaz de eventos produzidos por aquela entidade durante o tempo que estive lá.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;Já chega. Cansei de brincar de pseudo-intelectual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-436090713771507913?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/436090713771507913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=436090713771507913&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/436090713771507913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/436090713771507913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2012/01/sobre-regulacao-do-oficio-de-filosofar.html' title='Sobre a regulação do ofício de filosofar e de ensinar filosofia no Brasil'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-468578171492176451</id><published>2011-12-28T04:53:00.001-02:00</published><updated>2011-12-28T04:53:52.174-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Facebook'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autocrítica'/><title type='text'>As merdas que a gente posta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(Advertência: no meio da postagem tem links pra algumas imagens de sandice. Se tem a curiosidade muita e o estômago pouco, &amp;nbsp;procure outra coisa pra passar o tempo.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Você nunca passou por um momento na vida com falta de juízo? Que bom, porque de vez em quando isso acontece comigo. Navegando no FB, vejo uma imagem bizarra, uma foto tensa de algo seboso. O que é que eu faço? Compartilho com meus contatos! Mas por quê? Sei lá, me deu vontade de compartilhar e pronto!&amp;nbsp;Não tardaram a aparecer os comentários. O primeiro deles foi no mesmo espírito que o meu quando vi a imagem, um "eita porra" sem grandes preocupações. Logo depois, um dos comentários de uma menina que não "acreditava que tinha visto essa merda". Tá, até aí nada de mais. O terceiro, no entanto, apitou visivelmente horrorizado, algo do tipo "Lázaro, eu não acredito que você postou isso! Vou te excluir agora do Facebook!". Outros três comentários no mesmo espírito. Três me excluíram, um provavelmente me bloqueou (não consigo acessar o perfil dele a partir de minha conta). Raiva. Muita raiva. Mas, com a brevíssima repercussão, deletei a foto instantaneamente. &amp;nbsp;Em seguida, porém, dei o toque pra quem quisesse ver:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;"Galera, vamos combinar uma coisa: da próxima vez que eu postar algo nojento no FB, vocês não são obrigados a ver se não quiserem. Mas, sinceramente, se vocês acha que isso é pretexto pra me excluírem de suas contas, vão em frente. Não tenho tempo pra moralismo barato."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Um amigo meu chegou a me dar apoio moral, sugerindo que eu mandasse essa galera se foder - e olhe que eu quase fazia isso, mas preferi ficar na minha. Uma amiga, por outro lado, me fez algumas muitas ponderações, o que me fez rever um pouco da raiva que tive da situação. Na hora, concordei com tudo o que ela disse, e ainda continuo a concordar. Contudo, algo ainda pairava em meus miolos, sentindo que havia algo no discurso dela que não captava meu estado de espírito, ou minha sensação diante do que ocorreu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Antes de mais nada, &lt;a href="http://t.co/gcO8PC2d" target="_blank"&gt;a foto&lt;/a&gt;. Pensei em colocá-la incorporada na postagem, mas eu deixo que você tenha a curiosidade de clicar, se horrorizar ou achar graça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Minha amiga afirmou que, diante das expectativas que as pessoas geram a meu respeito (segundo ela, por ser "tão inteligente"), ninguém esperaria que eu postasse a foto. Repliquei, baseado em Dostoiévski ("Memórias do Subsolo"), que não há contradição entre ser inteligente e cometer alguma besteira. Ela perguntou qual seria o limite da contradição, não cheguei a responder diretamente, mas me queixei que a atitude dessas pessoas foi exagerada; entretanto, como compartilhei sem nenhum motivo aparente, ela disse que havia contradição de minha parte, por não aceitar que elas agissem de modo exagerado, tal como agi. Perguntou ainda por minha tolerância, já que eu tinha dito que havia visto coisas ainda piores que me haviam mostrado, sem por isso recriminá-los e cortá-los de meu convívio na internet. Por que não haveria de tolerar a decisão de ser excluído? Na hora, afirmei que se tratava de estar com raiva, mas acredito agora que uma coisa não exclui necessariamente a outra. Em todo caso, não fui nem um pouco feliz em socializar uma foto de nível coprofílico e compreendo a repulsa decorrente disso. Mas não é tão simples resolver o assunto dessa forma...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Releia lá em cima a mensagem que postei no FB. Vou comentá-la sentença por sentença:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;"Galera, vamos combinar uma coisa: da próxima vez que eu postar algo nojento no FB, vocês não são obrigados a ver se não quiserem." Se fosse tão fácil ignorar o que se vê, certamente não haveria problema algum (ou melhor, os problemas seriam bem menores). É claro que eu queria que vissem, senão não teria postado. Uma garota, comentando essa postagem no FB, me fez atentar para esse fato. De resto, há um recurso no Facebook que me faculta escolher quem pode ver o que posto ou deixa de postar, mas por falta do hábito não me lembrei de usar a ferramenta. Fica de lição. Uma amiga minha, por outro lado, pediu simplesmente: "defina nojento" (sic). Voltarei a este problema mais adiante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;"Mas, sinceramente, se vocês acham que isso é pretexto pra me excluírem de suas contas, vão em frente." Continuo pensando do mesmo jeito, especialmente depois de esfriar a cabeça e pensar melhor no que houve. Assim como há o recurso que permite selecionar o público-alvo de tal ou qual postagem, também há o recurso de apagar o item no histórico de postagens do usuário (ou, no caso de quem vê, apagar a postagem em questão). Este é ainda mais fácil de utilizar. Ainda assim, se não se quer ver as postagens de determinado usuário, basta parar de "assiná-lo". Simples.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;"Não tenho tempo pra moralismo barato". E tanto menos quanto mais aparecer esse tipo de atitude. É bom sublinhar que não houve intenção, de minha parte, em tachar as pessoas que me excluíram de "moralistas baratos", mas a causa por trás do que fizeram certamente o é. E moralismo fétido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;III&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sejamos honestos para com nós mesmos e nos perguntemos (como perguntei no início deste texto) se não passamos por um momento na vida com falta de juízo.Naturalmente, espero que a resposta, em 100% das possibilidades, seja "sim"; não aceito um "não" como resposta, pois o que denomino "juízo" pode assumir uma definição ampla - capacidade de discernir em questões práticas e teóricas na vida, qualquer que seja o teor delas - ou estrita - a mesma que a ampla, mas adquirida ao longo de uma existência atribuladíssima ao infinito. Como disse Millôr Fernandes, o homem é exatamente o contrário do &lt;i&gt;If&lt;/i&gt;, de Rudyard Kipling. Ao contrário do humorista, peço que abra uma aba no navegador de sua preferência, procure o poema e o leia depois que finalizar este texto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Pois bem: visto que, em algum momento de nossas vidas, podemos ter perdido o juízo. Uma única vez - uma mácula enorme em sua memória! Fora de brincadeira, não é minha intenção comparar a qualidade das circunstâncias em que perdi o juízo ou a quantidade delas. Porém, acredito em uma coisa: a julgar pelas afinidades de cada um, e pelas circunstâncias em que se meta o pé na jaca, é plausível (o que não é o mesmo que razoável) deixar o ocorrido pra lá. Não no sentido de desculpar. Não quero e não vou pedir desculpas a ninguém, e também não exijo que me dêem desculpas - mas no sentido de ligar o foda-se e partir pra outra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ora, continuo sustentando que, se fiz bem em ter apagado a foto de meu histórico de postagens antes que o nível de reclamações subisse, não acredito absolutamente que ser excluído tenha sido uma boa idéia. Mas você pode estar se perguntando: se se trata de ligar o foda-se, por que então estou escrevendo? Ligar o foda-se não quer dizer necessariamente esquecer: indica essencialmente aceitar as coisas que acontecem do jeito como acontecem, e não soltar um "não acredito!" sonso e pavoroso. É claro que, se posso achar imbecil a atitude deles, também a minha o foi. Melhor seria se melhor fosse, não é verdade? Mas a verdade é que não foi, e isso suscita um problema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;IV&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Defina "nojento": foi o que pediu minha amiga. Eu também pensei na mesma coisa. Nojento: aquilo que causa nojo, repulsa, asco, aversão, ânsia de vômito, rejeição instintiva. Concordo com a maior parte de vocês que a foto a que me referi ao longo deste texto é nojenta, mas qual é o limite? Cada um estabelece para si o que lhe atrai ou repele, não é verdade? Mas deixemos estas questões de lado (responda nos comentários se quiser) e compare aquela foto com alguns vídeos: &lt;a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/10/atropelamento-de-menina-e-falta-de-socorro-chocam-a-china.html" target="_blank"&gt;uma criança chinesa atropelada duas vezes sem ter socorro imediato&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.peta.org/feat/ChineseFurFarms/index.asp" target="_blank"&gt;um guaxinim esfolado pra ter sua pele transformada em roupa&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://www.cabuloso.xpg.com.br/portal/videos/view/cirurgia-de-mudanca-de-sexo" target="_blank"&gt;trecho de uma cirurgia de redesignação de sexo&lt;/a&gt;. Não estou pondo em questão a moralidade nestas imagens, apenas o nível de repulsa que podem provocar no espectador (eu mesmo senti arrepios com os três vídeos). Na verdade, há outras coisas que considero ainda mais nojentas, como uma cena de ciúme ou um porre desvairado. O Google está aí pra outras sugestões: acidentes domésticos, cenas de guerra, rotinas de hospitais e assim por diante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Você acha que vou perguntar o que é mais nojento - se a foto ou algum dos vídeos? Não, não se trata disso. Um outro ponto que minha amiga tocou é que as apreciações estéticas, desde Kant, são uma extensão de nossa moral. Exatamente! Ela foi direto na pereba. É esse sentimento moral que está nas raízes não só do comentário dela, mas das observações que outra amiga fez acerca do ocorrido e dos comentários afetados que soltaram na imagem, quando ela ainda estava disponível. A diferença, porém, é que minhas amigas me dariam o desconto pela merda que postei. Com efeito, não seria tão mais simples pedir que eu apagasse a imagem de meu histórico de postagens?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;V&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De uns anos pra cá, minha tendência diante de outros seres humanos é a de esperar qualquer coisa deles. Qualquer coisa. O comentário do cara que me excluiu e bloqueou foi taxativo, já que ele supunha que eu, por ser tão sensato, não postaria aquela porcaria. Da sensatez não sei, mas não costumo compartilhar essas coisas com qualquer um. Mas a atitude dele é sintomática: grande parte das pessoas por aí simplesmente se deixa amiúde surpreender com todo tipo de fatos que escape ao que prevejam. O inesperado assusta - e como assusta! E como desperta a incredulidade, como bombardeia uma série de não-acreditos em nossos ouvidos! O ser humano não quer acreditar na própria capacidade de fazer besteira, de cometer erros, de tropeçar e deslizar; que dizer então quando é outro ser humano que desliza?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Minha amiga, aquela com quem conversei, pediu que eu deixasse o assunto de lado e não postasse nada. Disse que ia postar e pronto - e ela dizendo que eu ia cuspir um cuspe bem nojento, daqueles bem ruminados, e que eu queria aparecer, coisa e tal... Então tá, né... Mas escrever foi uma maneira bacana que encontrei de meditar sobre o assunto. Enquanto eu escrevia esta postagem, contudo, vi na TL um tweet que dizia o seguinte: "Eu falo sério quando me interessa. Falo besteira idem. Quer ler sempre a mesma coisa, veio ao lugar errado. Sou humano, mutável, falho".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Quanto ao problema da tolerância e à raiva que senti na hora, como afirmei mais acima: não há necessariamente exclusão entre tais coisas, porque é possível tolerar alguém e não tolerar alguma atitude pontual dela. Não tolerei ser excluído na hora, mas Inês é morta agora. De qualquer modo, o fato é que é muito simples se deixar chocar, julgar alguém e condená-lo por isso, embora nem sempre isso aconteça por motivos moralista(nem eu estou imune a essa fatalidade). Concluo este texto revisando a postagem de minha &amp;nbsp;queixa no FB para o seguinte:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;"Galera, vamos combinar uma coisa: da próxima vez que eu postar algo nojento no FB (tenha eu plena certeza da intenção ou não), se vocês acharem que isso é pretexto pra me excluírem de suas contas, vão em frente e pensem com carinho. Não tenho tempo pra moralismo barato."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-468578171492176451?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/468578171492176451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=468578171492176451&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/468578171492176451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/468578171492176451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/12/as-merdas-que-gente-posta.html' title='As merdas que a gente posta'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-59232784600061383</id><published>2011-12-11T03:56:00.001-02:00</published><updated>2011-12-12T04:44:59.999-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='UFRN'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Facebook'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='setor II'/><title type='text'>As festas do setor II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sexta-feira, programa da noite: matar um pouco da saudade do espaço deaulas na UFRN onde tive aula na graduação e ao qual devo retornar ano que vem,no mestrado. Enterro de semestre no setor II - enterro de preocupações,correria, estresse e picuinhas do semestre (e do ano inteiro). &lt;i&gt;Ai, se sêsse&lt;/i&gt;!Mas estava mesmo tudo tranqüilo lá no CCHLA (a festa anteontem foi lá), ummonte de gente, o reggae rolando devagarinho... Estava? Sinceramente, naprimeira hora de festa tive a desagradável sensação de estar fora de sintonia.Já foi assim noutras festas do setor II, mas dessa vez foi diferente: rolou umainvasão em massa de pleibas, pimbas e pitboys. E sim, eu reclamo: não era dessejeito há três, quatro, seis, DEZ anos atrás. Saudosismo? Gosto de recordar oque me agrada, mas o contraste é enorme. E a entropia, cada vez maior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo no FB, esse parceiro de notícias e idéias pra meu blog, ocomentário dum amigo meu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Falam, falam e falamque são 'letrados', 'intelectuais', 'pensadores' e que o setor II é a 'vanguarda musical' da UFRN, mas ontem, o que seviu, foi a reprodução da MESMA MERDA que acontece nos vilas-agonia da vida: anova modinha da suingueira do II (funk - letras sem sentido que só fazemrimar), pagode, briga, gente armada ameaçando outros, playboys escutando 'música alternativa' com o porta-malas aberto........."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira vez queele solta o verbo sobre as festas do setor II, mas desta vez o plano de fundo(a última festa) torna o comentário acima ainda mais brabo. Consideremos,então, três eixos de discussão:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1) O gosto musical. Meuamigo zoando com o funk não está em melhores condições ouvindo o Roupa Novanorte-americano - Bon Jovi. Merda por merda, ele escolhe a que ele quer ouvir,e eu a minha; mas não é disso que quero falar. Também não se trata deassociar o gosto musical ao quebra-quebra que rolou na festa; como abstêmioconvicto e freqüentador ocasional de farras natalenses, posso afirmar sem medode errar que grande parte das confusões é por causa de dois instrumentosmusicais: lata de alumínio e garrafa de vidro. Exceto pelo pagode - a primeiravez que ouço em quase seis anos de UFRN no setor II -, o resto da programaçãofoi basicamente o mesmo: reggae e indie rock. Independente do repertório (quesó "varia" com o forró no mês de junho), há muito que não vou àsfestas de lá pela música, mas pela vontade de encontrar pessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre os comentáriossuscitados pela postagem, vi um que achei engraçado e plausível: MC Priguissa,a suingueira do setor II. Concordo em gênero, número e grau - o que não meimpede de curtir o som dele, muito menos pelas letras do que pela batida dasmúsicas. Dancei até o chão na festa, inclusive. Mas MC Priguissa e outrasbandas natalenses, como DuSouto e SeuZé são sintomas de outro problema - o quenos conduz ao próximo eixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2) O elitismo intelectual.Falei de Priguissa, DuSouto e SeuZé no item acima não tanto por eles mesmos(não os conheço pessoalmente, aliás), mas pela galera que empina o narizdizendo que quem não os escuta é porque não tem cultura. Devo ter um santoforte pra não me aproximar de alguém que profere uma pérola dessa, embora játenha sido censurado por não gostar de bandas como Boca Seca (é o único exemploque me veio à mente agora). Não gosto das letras, não gosto da batida e pronto.Mas me diga que não tenho cultura e eu sorrio pra sua cara. Continue a me dizerque não tenho cultura e eu enfezo com sua cara.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pimbaiada, pelo visto,está aumentando a área de atuação e a presença nesses eventos. Eles juram mesmoque são a elite intelectual da UFRN. Então tá, né... Se você é pimba e estálendo este texto agora, e se acha Amy Winehouse, Strokes e Tulipa Ruiz omáximo, e recrimina a galera das engenharias pelo pagodão (escolha outro bodeexpiatório se este não for o mais adequado), e se acha elitizado pelos livros,filmes e festas que consome, e ainda assim se acha a elite intelectual da UFRN(ou dos cafundós-do-judas), faça um pequeno esforço: vai encontrar nela (na galera) seuespelho mais perfeito (1).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3) O quebra-quebra. Emmeados de 2007, o setor II sofreu um vandalismo tenso durante uma das festas, oque motivou a proibição de outras festas por tempo indeterminado pelo entãodiretor do CCHLA, Márcio Valença. Após alguns meses, as festas voltaram, e acoisa continuou relativamente calma (às vezes morgada, inclusive) até o iníciodeste ano, quando um bando de pleibas e pitboys bateu o ponto lá. Tinhasegurança armada, mas o segurança pouco fez pra acabar com o tumulto,felizmente (?) mais disperso. Mas na sexta última, foi pior: não tinhasegurança nenhum por perto, e a quantidade de envolvidos era bem maior (uns dezou quinze, pelo que minha visão apanhou por alto); rolou garrafada na cabeça;um dos caras foi derrubado por outro, que lhe aplicou uma chave pelas costas, eoutros sentaram a porrada em cima...&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saudosismo? Senti um poucode falta do setor II este ano, por não estar cursando nada. Agora, se ospróximos dois anos no mestrado perderem qualidade por causa desses itens acima(em especial os dois últimos), tô lascado...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) Há uma tendênciageneralizada entre os pimbas em usarem o adjetivo "perfeito" quandose referem a algo que curtem muito, aponta estudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-59232784600061383?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/59232784600061383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=59232784600061383&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/59232784600061383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/59232784600061383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/12/as-festas-do-setor-ii.html' title='As festas do setor II'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-7074515151589945257</id><published>2011-11-25T07:41:00.001-02:00</published><updated>2011-11-25T11:06:36.126-02:00</updated><title type='text'>De Aliaa Elmahdy à Marcha das Piranhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje de madrugada, no Facebook, vi o link &lt;a href="http://www.cartapotiguar.com.br/?p=15305" target="_blank"&gt;pruma postagem na Carta Potiguar&lt;/a&gt;. A bola da vez era o protesto de Aliaa Elmahdy, uma estudante egípcia de 20 anos que está por ter o couro arrebentado pelo chicote após tirar uma foto pelada e publicar &lt;a href="http://arebelsdiary.blogspot.com/?zx=1f5815dc60f54780" target="_blank"&gt;em seu blog&lt;/a&gt;. Tá bom, eu tô sensacionalizando: se trata de uma foto artística (ou pelo menos pretende ser), usando meias e sapatilhas e adornada com um broche, docemente erótica. A foto em questão, porém, está longe de ser a única parte provocante: a postagem inteira é um tiro de fuzil na sociedade egípcia, com um desenho nu e fotos de atividade sexual (!). Ainda no início da postagem, abaixo de uma segunda foto mais discreta (tirada do busto, os cabelos molhados, a expressão de quem foi surpreendida em sua intimidade), o recado básico: "Levem a julgamento os modelos de artistas que posaram nus para as escolas de arte até o início da década de 70, escondam os livros de arte e destruam as estátuas de nus da antigüidade; depois tirem suas roupas, fiquem de frente para o espelho e queimem seus corpos que tanto desprezam para se livrar de seus complexos sexuais para sempre, antes de dirigirem a humilhação e chauvinismo e ousarem me negar a liberdade de expressão".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Neste EXATO momento (1), me lembrei de uma informação sobre Orígenes (que vi de passagem numa das cartas de Rubem Alves, no &lt;i&gt;E aí? Cartas aos adolescentes e aos seus pais&lt;/i&gt;), um dos patriarcas do cristianismo católico, que teria castrado a si mesmo pra livrar de vez o corpo das tentações.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O quê? Tá espantado com aquele monte de muçulmanos fanáticos, promovendo o linchamento físico e moral à Lolita egípcia? Não se engane: os setores seculares também a criticaram, afirmando que sua atitude "&lt;a href="http://www.economist.com/node/21538777" target="_blank"&gt;serve apenas para denegrir os ideais liberais&lt;/a&gt;". No &lt;a href="http://www.facebook.com/aliaaelmahdy" target="_blank"&gt;Facebook dela&lt;/a&gt;, engraçado: ela também se define como liberal. Ah, mas que sabem os árabes do liberalismo? Eu não tenho a menor idéia, e meus conhecimentos a respeito dessa doutrina ainda são esparsos, resumidos a leituras &lt;i&gt;en passant&lt;/i&gt; de verbetes &lt;a href="http://www.iep.utm.edu/polphil/" target="_blank"&gt;sobre filosofia política&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e uma leitura superficial de &lt;i&gt;Uma teoria da justiça&lt;/i&gt;, o grande compêndio do liberalismo político de John Rawls. Pretendo ler um pouco mais a respeito, já que um de meus interesses acadêmicos é filosofia política; preciso me apropriar de toda essa galera - Locke, Hobbes, Rousseau, Hegel, Hayek, Rawls, Dworkin e o diabo a sete - pra depois sentar o malho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas voltemos à postagem da Carta Potiguar. O texto, muito bem escrito, é um verdadeiro elogio ao engajamento político, no Egito ou onde quer que seja. Fiquei surpreso pela ausência de comentários ofensivos, talvez por ter sido publicado anteontem. Talvez porque o público leitor seja simpático à linha política da revista. Talvez porque estejamos em um país democrático, onde tradicionalmente a liberdade de expressão tem sido um de seus pilares principais. Talvez seja bom eu voltar ao liberalismo, que começou a construir a democracia tal como a entendemos hoje em dia, e parar com toda essa baboseira melíflua. Ora, o liberalismo gosta de querer resolver as coisas de maneira "suave", "justa", dando às partes envolvidas na disputa o direito de defenderem seu ponto de vista sem ter que se agredir (mais do que já se agrediram, lógico). Pode ler lá no &lt;i&gt;Sobre a liberdade&lt;/i&gt;, de Stuart Mill, quando ele fala sobre intolerância. Na época em que foi escrito, por exemplo, ateus não tinham direito à defesa em tribunais. (Depois eu verifico a informação correta, estou realmente com preguiça de ir ao texto.) Vamos, gente, sejamos generosos para com aqueles que não partilham de nossa opinião! Será mesmo que estamos certos? E mesmo que estejamos, que mal faz ouvir o argumento alheio? Quer dizer, aparentemente era isso que se esperava dos setores seculares no Egito em relação a Elmahdy. Mas não foi o que aconteceu. Ainda embarcando nos trilhos (?) de Mill, poderíamos dizer que o liberalismo no Egito ainda não se amadureceu o suficiente (nem o liberalismo nem a democracia, que só existe de fachada), e assim não poderíamos esperar deles que fossem solidários à garota (2).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei lá a quantas anda o liberalismo no Egito, já disse. Só digo duas coisas: Marcha das Piranhas (que o povo prefere traduzir como "Marcha das Vadias").&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ué, não entendeu o recado? Pra bom entendedor, duas palavras bastam. Tá bom, tá bom, vou desenvolver a conexão. Pois bem, aquele policialzinho dizendo que parte do perigo de as mulheres serem estupradas está na roupa que vestem... ou melhor, que NÃO vestem. Se vestem feito putas. Aí foi aquela mobilização, marchas pelas DEMOCRACIAS afora, as MULÉ vestindo pouca roupa e açulando o policialzinho que existe dentro de cada um. Vamo lá, porra, não quer comer meu cu aqui agora? Isso porque o Canadá é uma democracia, gente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois desse fluxo de consciência, você fica me perguntando: que tem uma coisa com a outra? Porque eu saltei de Aliaa Elmahdy, abri um parênteses - ui! - pro liberalismo, e cabei parando em Toronto. E ainda não ficou claro? Tá bom, eu esclareço. Em primeiro lugar, depois de ler o texto da Carta Potiguar, saí à cata de mais informações sobre a garota. Todo o fuzuê já chegou tarde; a postagem dela data de 23 de outubro último. É a única, aliás, e não deve ser difícil presumir o porquê. Fiquei pensando se seria por causa das fronteiras lingüísticas, já que o blog é em árabe, ou se foi porque a repercussão foi lerda. Um mês é bastante tempo pra um rebuliço desses chegar ao conhecimento mundial, e isso apesar da solidariedade de milhares de pessoas pelo mundo e o apoio de militantes árabes fora do Egito. Em segundo lugar, ambas as situações - a ousadia de Elmahdy e o descaramento do policial canadense - apontam para o grande problema que é a violência contra a mulher, onde quer que seja. E, coincidentemente, ambas tiraram a roupa pra chamarem a atenção, pelo direito de andar por aí ou publicar uma idéia&amp;nbsp;sem ser molestada por isso. Elmahdy, atéia convicta, foi ainda mais longe; num país muçulmano de importância histórica notória, botou em prática aquele preceito de Jesus, dando a César o que é de César - um tapa na cara. E isso não é nada perto dos tapas que as mulheres têm levado pelo mundo afora (veja você a novela &lt;i&gt;&lt;a href="http://televisao.uol.com.br/novelas/fina-estampa/2011/10/19/dira-paes-justifica-surras-de-personagem-em-fina-estampa-e-critica-impaciencia-da-ministra-iriny-lopes.jhtm" target="_blank"&gt;Fina Estampa&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, por exemplo) - quando não são estupradas, mortas pelo marido, irmão ou pai. Em terceiro lugar, deixo vocês com essa irlandesa da voz linda e de letras bacanas que conheci esses dias, Sinéad O'Connor. Segue abaixo o clipe de "Fire on Babylon", dirigido por Michel Gondry. A letra fala sobre violência infantil, mas quem disse que não pode valer para as mulheres?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://3.gvt0.com/vi/CNJWF-lf-Ps/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CNJWF-lf-Ps&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/CNJWF-lf-Ps&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(1) Força de expressão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(2) Em &lt;i&gt;Orientalismo, &lt;/i&gt;Edward Said lembra que Stuart Mill afirmou que a teoria em seu livro não poderia se aplicar à Índia "porque os indianos eram inferiores em termos de civilização, se não de raça" (p. 26). Ou seja, além do liberalismo, ainda tem o etnocentrismo: os indianos e egípcios ainda terão sua hora na aurora da civilização contemporânea.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-7074515151589945257?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/7074515151589945257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=7074515151589945257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7074515151589945257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7074515151589945257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/11/de-aliaa-elmahdy-marcha-das-piranhas.html' title='De Aliaa Elmahdy à Marcha das Piranhas'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6843027762029663087</id><published>2011-09-25T02:06:00.000-03:00</published><updated>2011-09-25T02:06:15.949-03:00</updated><title type='text'>Quebrando a tradição</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De bobeira no Facebook, vejo uma amiga postando uma mensagem, segundo a qual homem que não paparica mulher não merece mulher nenhuma. No mesmo local ou em outro - não lembro ao certo, e aparentemente ela apagou os comentários do mural - também postou acerca de uma postura anti-tradicionalista da mulher atual. Pelo que ela disse, não importaria se o companheiro de uma tal mulher anti-tradicionalista pegasse outras mulheres, desde que a dita cuja se sentisse a toda boa (1). Desde que ela tivesse os peitos mais carnudos, a xereca mais suculenta e rebolasse melhor no pau dele, não havia problema...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Voltemos um pouco ao início desta postagem. Disse ela que homem que não paparica mulher não merece mulher nenhuma. Disse ainda que não há ciuminho que não resista a um paparico bem feito. Como indivíduo bastante ocupado em meditar os descaminhos na relação homem-mulher, soltei: tô fodido. E ela ajuntou: tá fodido mermo. É, mulherada, vocês são meu &lt;i&gt;phármakon&lt;/i&gt;, juntamente com a música e a Internet; mas fazer agradinho pra aplacar ciúme de vocês, definitivamente, está fora de meus preceitos afetivos. Aí eu coço a cabeça e racionalizo: pois é, né? Vocês marcaram um ponto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Continuando a racionalizar, me lembrei: por que diabos eu estaria fodido? Teria eu necessidade tão premente da companhia, chamego e carinho de espécimes do sexo feminino? E neste momento (isto é, agoríssima, enquanto escrevo este parágrafo) recordo o trecho de uma música de Falcão, que bebeu da sabedoria popular: "melhor comer doce de leite com os amigos que merda sozinho". Não lembro o que comentei na hora (por que você apagou a mensagem de seu mural, gatinha?), mas certamente estava cagando e andando pra esse problema. E ela, matreira que é, me sacaneou ainda mais, sentenciando-me aos prazeres manuais. Anotem aí, anti-tradicionalistas: segundo ponto no placar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mas não parei. Meu juízo tem o hábito de funcionar como um caracol: devagar e sempre. Voltei ao comentário inicial dela. Me foquei no significado da palavra "tradição" e, imediatamente, notei algo de errado na quebra de tradição que minha amiga e tantas outras mulheres por aí acreditam fazer. Pois, por TRADIÇÃO, os cafajestes já o fazem há milênios. Desde antes de eu me entender por gente que os homens praticam e/ou disseminam o supremo ideal de manter uma parceira fixa e, quando necessário (segundo critérios pessoais, naturalmente), sair à procura de uma trepadinha ligeirinha. Em bom português: cavalo amarrado também pasta. Questiono então essa atitude anti-tradicionalista de minha digníssima e uma amiga dela responde que não se trata de pôr a cafajestice em questão, mas de TOLERAR essa prática. De assegurar às mulheres o direito de serem felizes com um &amp;nbsp;par de chifres na cabeça. E, nesse momento lindo, o marcador anota dois pontos pra mim. O primeiro foi quando notei a estranheza no anti-tradicionalismo, o segundo vindo de brinde quando a garota mordeu os próprios dedos (2).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Dois a dois, né? Placar empatado, a noite ficaria por isso mesmo... Já estava satisfeito com as risadas proporcionadas pela estupidez do raciocínio dela (3). Socializei essas mesmas impressões pelo Twitter uns dias atrás, nutrido pela vontade humana de me fazer digno de atenção. Pois não foi que um &lt;a href="http://twitter.com/#!/vitorjoanni"&gt;conhecido meu&lt;/a&gt;&amp;nbsp;tocou no nó górdio? Pura e cristalina como a água, sua mensagem diz: "anti-tradicionalista mesmo seria se essas mulheres nem fizessem questão de ser ou não "a mais importante". coisa [sic] mais competitiva". Anote aí o terceiro ponto!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Alguns minutos depois, no perfil de outra amiga, vejo uma notícia incrível: aqui no interior do RN, &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/09/18/idoso-de-90-anos-tem-36-filhos-com-mulher-cunhada-e-sogra-no-rio-grande-do-norte.jhtm"&gt;um cara já vive há mais de quarenta anos com a esposa, a sogra e a cunhada&lt;/a&gt;, com as quais teve trinta e três filhos (além de outros dezessete do primeiro casamento). Dizem elas que não brigam entre si, que ele gosta das três por igual - mas que não suportariam descobrir uma amante. Esta última informação acaba de me deixar menos eufórico (por causa do ciúme), mas uma coisa é certa: poliamor não é o tipo de relacionamento que se encontra fácil. Menos fácil ainda de se achar é a ausência de conflitos, picuinhas e desconfianças entre os casais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Portanto, querida amiga (e quem mais que seja), perceba que não há nenhuma tradição sendo quebrada; nem mesmo seu Luiz o fez. Gostaria de finalizar citando Russell a respeito do amor livre, comentar que ele até criou uma escola pra botar seus ideais em prática, sem sucesso - mas tenho medo de morder meus dedos. No dia em que alguém deixar de encarar o amor como competição, me avise. Trato logo de comprar a passagem e encontrar pra bater um papo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(1) Tive a felicidade de copiar a frase e divulgar no Twitter: "Seja o que quiser, faça o que quiser e com quem quiser... desde que me prove todos os dias que sou a mais importante".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(2) Primeira forma encontrada na Internet de contradizer a si mesmo. No mundo virtual, a escrita é que precede a fala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;(3) Trato de esclarecer: ela é uma garota gostosa, inteligente e canhota. Mas isso não a impede (nem ninguém) de dizer umas besteiras de vez em quando. Talvez por isso ela tenha apagado as mensagens. Dependendo do caso, EU apagaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6843027762029663087?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6843027762029663087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6843027762029663087&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6843027762029663087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6843027762029663087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/09/quebrando-tradicao.html' title='Quebrando a tradição'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-7627508280148816725</id><published>2011-09-18T20:56:00.002-03:00</published><updated>2011-09-18T21:17:20.351-03:00</updated><title type='text'>Lolita no confessionário</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Navego naInternet, abro o Facebook, alguém posta uma notícia. O título: “&lt;/span&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-size:100%;"&gt;&lt;a href="http://pragmatismopolitico.blogspot.com/2011/08/bispo-justifica-pedofilia-tem-criancas.html"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Bispo justifica pedofilia: ‘tem criança que provoca’&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;”. A primeira reação? Rir. Tinha que rir, ora! Primeiro, e a despeito do blog onde conferi a notícia: o título possui uma conotação extremamente sensacionalista. De fato, o bispo Bernardo Álvarez desejou provocar aquela sensação ante o clero e os fiéis católicos, pois não é qualquer padre que possui coragem de soltar uma declaração dessas. Sou tentado a pensar mesmo que Álvarez foi o porta-voz de parcela expressiva (para não dizer grande maioria) do clero católico no mundo, independente de os clérigos praticarem ou não a pedofilia. A igreja que se pretende cristã e tem por Pedro seu primeiro chefe realiza, por meio dessa linha de raciocínio, o movimento diametralmente oposto ao de Jesus: enquanto este pedia que lhe deixassem vir as criancinhas, a ordem agora parece ser a de afastá-las, ao menos aquelas que seriam provocativas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family:arial;"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size:100%;" &gt;Não bastasse a risada com o título da notícia, eis que o bispo usa já uma táticabastante batida: comparar a pedofilia à homossexualidade, afirmando que se podepraticar uma ou outra devido ao interesse na forma distinta de sexualidade queestimulam. No entanto, ele ousa questionar o estatuto patológico da pedofilia,perguntando por que deveria ser considerada “enferma”. Embora o repórter lhelembre que o abuso de menores é uma relação não consentida, o bispo treplicaafirmando que pode haver “&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="background: none repeat scroll 0% 0% white;  Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;" &gt;menores que o consintam e, de fato,há. Há adolescentes de 13 anos que são menores e estão perfeitamente de acordoe,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="background: none repeat scroll 0% 0% white;  Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="border: 1pt none windowtext;  Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; padding: 0cm;color:black;" &gt;além disso, desejando-o&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="background: none repeat scroll 0% 0% white;  Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;color:black;" &gt;. Inclusive, se ficaresdistraído, provocam-te&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size:100%;" &gt;” (grifo do blog de onde vi a notícia).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%;font-size:12pt;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center; font-family: arial;" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EfKt8PR0K8E/TnZ8SeCF1eI/AAAAAAAAAb8/9jaMdCCq26Q/s1600/Bernardo+%25C3%2581lvarez+%2528La+Opini%25C3%25B3n%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-EfKt8PR0K8E/TnZ8SeCF1eI/AAAAAAAAAb8/9jaMdCCq26Q/s320/Bernardo+%25C3%2581lvarez+%2528La+Opini%25C3%25B3n%2529.jpg" width="214" border="0" height="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Mas meu filho, acabei de te dar um pirulito!&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; font-family: arial;font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dei bastante risada com a notícia, admito. Por pouco um cara não me repreende no Facebook pela reação. Como assim, rir da pedofilia clerical? Respondi que não é porque se ri que não se leva tal ou qual assunto a sério. Trata-se mais do que “rir pra não chorar”. Não é o espaço aqui (talvez retome o assunto em outra postagem), mas já há algum tempo que tomei para mim a atitude de considerar, no riso, um meio de aceitar a existência de sandices cometidas pelo ser humano – uma forma mesmo de reforçar a fé em nossa espécie, a fé em nossa capacidade de falhar e realizar absurdos os mais inimagináveis. Entretanto, não creio que tal atitude seja válida em qualquer medida; não porque eu seja hipócrita comigo mesmo a ponto de abrir exceção a minhas próprias merdas, me impedindo de rir de mim mesmo, mas porque simplesmente há coisas das quais não se pode rir, seja por motivos objetivos (de ordem social, por exemplo) ou subjetivos. Saber rir é uma experiência tão digna de se levar em conta quando a de saber parar de rir (ou nem começar o gracejo).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family:arial;"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Pois bem: parando de rir, me lembro daquele relato fabuloso de pedofilia que é &lt;i&gt;Lolita&lt;/i&gt;, de Vladímir Nabókov.Humbert Humbert encarna o arquétipo do pedófilo perfeito, pois ninguém sabe do rala-e-rola entre ele e Dolores Haze. Não há palavrões na obra, e as relações sexuais são, no máximo, sugeridas. Ninguém descobre os ardis que empreendeu para prender a garota, que mal e mal se deixava prender por suas chantagens. Mas não é dele que se trata, e sim da figura da ninfeta. Nabókov, transformando uma antiga classe de deidades gregas em neologismo, evoca o turbilhão de desejos polimorfos no ser humano, independente de sermos crianças ou adultos, homens ou mulheres. Tais desejos não se deixam amarrar pelas convenções sociais, normas morais de conduta ou mandamentos religiosos. O julgamento moral vem após a amoralidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center; font-family: arial;" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-HgengkdGES0/TnZ8QX6vE0I/AAAAAAAAAb4/WmGD_2VPOhQ/s1600/Lolita-Kubrick-Film-Poster.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-HgengkdGES0/TnZ8QX6vE0I/AAAAAAAAAb4/WmGD_2VPOhQ/s320/Lolita-Kubrick-Film-Poster.jpg" width="211" border="0" height="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr align="center"&gt;&lt;td class="tr-caption"&gt;"Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne"&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Imagino, então, uma cena bastante singela: o bispo Álvarez no confessionário, emprestando seus ouvidos a Deus e ouvindo as barbaridades da próxima pessoa. Naturalmente, quem está confessando suas brincadeirinhas sexuais é Lolita. Humbert, surpreso com o súbito fervor religioso de sua enteada, reluta em permitir a confissão, mas acaba cedendo. Ali, na intimidade de uma divisória, Lolita conta de tudo: as barganhas baratas que seu padrasto fazia o tempo inteiro, o prazer e o nojo nas relações sexuais com ele e com os jovens de sua idade, as faceirices típicas de uma garota de doze anos da qual desabrocham, pouco a pouco, botões de carne que virão a ser conhecidos por peitos. Que fará o bispo? Concederá perdão imediato aos pecados da pequena confessa? Ou antes, penetrando cada vez mais a intimidade de sua interlocutora, lhe pedirá que prossiga narrando outras aventuras e não o poupe dos mais insólitos detalhes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family:arial;"&gt;&lt;span style=" line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;Para terminar, gostaria de agradecer à Igreja Católica por alimentar meu humor negro. Gostaria ainda de cumprimentá-la por duas táticas amplamente eficazes na lavagem cerebral do clero e de seus seguidores: o celibato e a confissão. Pois só o celibato para incutir, nos sacerdotes, a suprema ilusão de que, controlando os desejos do corpo (chegando a extremos como a Opus Dei, que faz do cilício um dos principais apetrechos da mortificação corporal) e evitando a procriação, poderão eles exercer melhor sua tarefa. Que sabe o padre do poder do boquete e das delícias do sexo anal, do ménage e da suruba? Aí está o estopim dos abusos de menores na Igreja. Coibindo o intercurso sexual no sacerdócio com a excomunhão, a instituição prepara o terreno para a prática da pedofilia. E qual não será a surpresa da mãe, após confessar que traiu o marido com o melhor amigo (1), ao descobrir que o padre também pecou, oferecendo o pirulito a seu filho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center; font-family: arial;" align="center" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-401j3KjG_fw/TnZ_nhJYGSI/AAAAAAAAAcE/vdmKFldWyQU/s1600/priest-confession-joke.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-401j3KjG_fw/TnZ_nhJYGSI/AAAAAAAAAcE/vdmKFldWyQU/s320/priest-confession-joke.jpg" width="286" border="0" height="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;"Não posso lhe perdoar até que você peça desculpas em frente à mídia."&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family:arial;"&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;  line-height: 115%;font-size:small;" &gt;&lt;br /&gt;(1) Decida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;  line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;  line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;  line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-7627508280148816725?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/7627508280148816725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=7627508280148816725&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7627508280148816725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7627508280148816725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/09/lolita-no-confessionario.html' title='Lolita no confessionário'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-EfKt8PR0K8E/TnZ8SeCF1eI/AAAAAAAAAb8/9jaMdCCq26Q/s72-c/Bernardo+%25C3%2581lvarez+%2528La+Opini%25C3%25B3n%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-1316165302426774774</id><published>2011-08-28T01:44:00.011-03:00</published><updated>2011-08-29T03:45:17.681-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Rádio Mix: ou além da indústria cultural</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já não ouço rádio, a não ser quando mainha liga pra ouvir enquanto cuida da vida. Viciado que tô na net, arrumo algo pra escutar de acordo com o que já gosto; quanto aos jornais da morte da vida, já consigo bastante informação através do Twitter. Antes, quando ouvia com alguma assiduidade, gostava de emissoras como a Transamérica, que acompanhava numas férias em Salvador, no meio da adolescência (ao menos nove anos atrás, já que ela saiu de Natal há tempos). Aqui em Natal, acompanhava a Cidade e a 104, pelo repertório bacana (e olhe que eu não curtia nem metade do que ouvia delas), e a rádio Globo, que descobri por causa de meu pai. Boa mesmo só a Universitária, pelo espaço que dá a artistas locais, à amplitude de estilos musicais e aos lados-bês que surgem de vez em quando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); -webkit-text-decorations-in-effect: underline; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;É isso mesmo, criançada: quanto mais eu descubro coisas intere&lt;/span&gt;&lt;span&gt;ssantes, tanto mais encontro porcaria; quanto menos eu gosto de porcaria (porque sempre há tipos de porcaria que me agradam), mais eu fico chato. E a freqüência da chatice em Natal tem um nome: Rádio Mix. Desconheço outra emiss&lt;/span&gt;ora que tenha uma programação, um repertório tão chinfrim, meia-boca e entediante. Ahá, vocês vão me dizer que é porque não gosto de Katy Perry, Rihanna, Chris Brown e Justin Bieber. Certo? Erradíssimo, crianças. Não que eu goste desses cantores e similares; até execro um pivete anormal feito Justin Bieber, pela quantidade absurda de idiotices que vive aprontando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); -webkit-text-decorations-in-effect: underline; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Merda por merda, porém, v&lt;/span&gt;ocês podem ficar com seu mau gosto que eu curto o meu. Mas por que a Mix? Por que não, por exemplo, a Reis Magos (96) e similares, com sua mela-cuecagem em forma de sertanejo e pagode, o forró e a suingueira comendo soltos? Porque, mesmo não pos&lt;span&gt;suindo um repertório que me agrade, pelo menos elas &lt;i&gt;variam&lt;/i&gt;, quantitativamente falando. Diferente da Mix, que passa a mesma música SESSENTA E NOVE VEZES por dia! Porra, nem se eu gostasse de música pop eu gostaria de ter uma rá&lt;/span&gt;dio assim pra encher meus ouvidos, meu tempo e meu juízo! Em outras palavras, me cansa menos ouvir Aviões do Forró, sabendo que devo ouvir pelo menos outras cinqüenta a cem músicas diferentes ao longo da programação, do que ter de conferir Britney Spears no café da manhã, almoço e janta.&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); -webkit-text-decorations-in-effect: underline; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-OaZo8g3ZGwE/TlnSqXlxqJI/AAAAAAAAAbA/_BWM3sTLOwg/s320/radio%2Bmix.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645775233214425234" style="display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; text-align: center; cursor: pointer; width: 220px; height: 156px; " /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O melhor mix do Brasil! (Oh, really?)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;Pra minha surpresa (uso essa pala&lt;/span&gt;vra por não me lembrar de outra mais apropriada), houve um episódio no Twitter que confirmou algumas intuições que tinha a respeito da postura da emissora. Uma amiga que sigo retuitou algo dum tal “&lt;a href="https://twitter.com/ClubeToDentro"&gt;Clube Tô Dentro&lt;/a&gt;”, e eu, vendo a imagem do avatar, tratei logo de tirar onda com o repertório musical de uma festa que seria organizada pelo clube (isto é, pela rádio) em João Pessoa. Era uma frase de Nietzsche, que o povo adora citar: “Sem a música, a vida seria um erro”. Retuitei perguntando se isso incluiria Restart, Rihanna, Justin Bieber e similares. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Respirem fundo, crianças. Sintam só o naipe da tréplica deles. Sintam só:&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;line-height:115%;mso-ansi-language:PT-BR"&gt;“&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background:white"&gt;Toda manifestação musical é válida, desde que promova a paz, a alegria e a harmonia ; )” (sic)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;Então é isso. Neguinho tuíta Nietzsche, pagando de intelectual, e depois vem com um papo HIPÓCRITA de &lt;i&gt;paz, alegria e harmonia&lt;/i&gt;! Ah, vão tomar no cu com areia e brita!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-yUpssgMh0Fk/TlnaXhhtMzI/AAAAAAAAAbk/r2icpNCgiiQ/s320/axim%2Bfalou%2Bzaratustra.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645783705557218098" style="display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; text-align: center; cursor: pointer; width: 234px; height: 320px; " /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O livro de cabeceira dos produtores da Mix&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;Palavrões à parte, me lembrei imediatamente do grande tratado do liberalismo político do século XX que é &lt;i&gt;Uma Teoria da Justiça&lt;/i&gt;, de J&lt;/span&gt;&lt;span&gt;ohn Rawls. Das três palavrinhas metafísicas no tweet, apenas “alegria” não aparece no livro de Rawls – ao menos não com freqüência (não tô com saco de procurar, mesmo porque o pdf do livro que possuo não permite seleção do texto). O slogan da rádio: “a rádio diferente”. Ora, uma das pedras de toque do liberalismo é o (pretenso) respeito às diferenças, que se traduz numa escolha do diferente quando este atende aos propósitos do igual; em linguagem de gente, quando agrada a todo mundo. Agora, imaginem só: se eu já fiquei lendo Rawls com o rabo do olho, que dizer de como ficam meus ouvidos quando a rádio está sintonizada na Mix? De fato, a Rádio Mix atende perfeitamente ao critério liberal: sai divulgando um ideário &lt;/span&gt;já ignorado por qualquer ser humano menor de quatorze anos, toca o que as outras rádios não tocam (ou tocam pouco), mas principalmente é diferente por ser a &lt;i&gt;pior&lt;/i&gt;. Pior porque bota o mesmo repertório pra milhões de brasileiros (&lt;a href="http://www.mixfm.com.br/afiliadas"&gt;a emissora possui filiais em todas as regiões do País&lt;/a&gt;), o dia inteiro, sem parar. É diferente, sim, porque com eles o jabá deve render horrores, pois só pagando uma fortuna pra repetir o mesmo material o tempo inteiro! E não venham com muxoxo, dizendo que os ouvintes é que escolhem o que vão ouvir. Ah, já sei: eles escolhem entre Ne-Yo e a música do elefantinho. Entre uma música de três minutos e meio de duração... e outra música de três minutos e meio de duração. Isso, continuem! Escolham seis e meia-dúzia, contanto que escolham!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;Se vocês, crianças, acham que tô sendo&lt;/span&gt; ranzinza, é porque não conhecem um sujeito chamado &lt;a href="http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2003/09/08/000.htm"&gt;Theodor Adorno&lt;/a&gt; (a quem souber inglês, recomendo a &lt;a href="http://plato.stanford.edu/entries/adorno/"&gt;entrada na Stanford Encyclopedia of Philosophy&lt;/a&gt;). O cara era a própria encarnação da tia chata. Uma de suas principais contribuições ao pensamento foi a criação de um conceito chamado “&lt;a href="http://www.urutagua.uem.br//04fil_silva.htm"&gt;indústria cultural&lt;/a&gt;” – ou seja, a fetichização da mercadoria da cultura. Com seu jeitinho azedo, denunciou em sua época a crescente homogeneização das formas de produção cultural no Ocidente – homogeneização essa que segue a receita liberal (isso já é leitura minha, porque ele não trata diretamente do assunto) de ajustar o diferente ao igual, ao idêntico. Contudo, os produtores da Rádio Mix estão de parabéns: com sua estratégia açucarada, conseguem vender seu produto de um modo que provavelmente Adorno já imaginara, mas que só ficou vivo pra ver por pouco tempo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-5xKFiHg8KSk/TlnXhWpV0rI/AAAAAAAAAbY/nOCXEpFQrwU/s320/Adorno.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645780575900258994" style="display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 243px; " /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Adorno não acha graça nesta postagem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;Tá na cara que a Rádio Mix está para além da indústria cultural. E é deprimente porque, a despeito de minha birra, ainda me balanço um pouco nas festas em que o repertório é basicamente composto de música pop (devidamente acompanhado de leite com pêra) – isso, naturalmente, quando estou com uma galera conhecida. Com birra ou não, quero externar aqui meu nojo por essa rádio, não somente pela falta de variedade no repertório musical, mas principalmente pela falta de respeito com meus ouvidos, pois se trata de uma concessão pública de um serviço que apenas em parte atende a interesses públicos. Vou voltar ao 4Shared, ao Rapidshare e ao Filestube e procurar as esquisitices de meu agrado pra ouvir. Até mais, crianças!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-1316165302426774774?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/1316165302426774774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=1316165302426774774&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1316165302426774774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1316165302426774774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/08/radio-mix-ou-alem-da-industria-cultural.html' title='Rádio Mix: ou além da indústria cultural'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-OaZo8g3ZGwE/TlnSqXlxqJI/AAAAAAAAAbA/_BWM3sTLOwg/s72-c/radio%2Bmix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6333322909959964306</id><published>2011-08-06T16:29:00.004-03:00</published><updated>2011-08-06T18:26:18.990-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dança'/><title type='text'>Sobre o lúdico na dança de salão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100001314633919"&gt;Meu professor de dança de salão&lt;/a&gt; está organizando uns bailes pra divulgar a salsa aqui em Natal, embora haja um repertório caprichado de zouk (e, em menor grau, de bachata). Os bailes acontecerão quinzenalmente no Astral Sucos, um bar na orla de Ponta Negra, em frente ao quiosque 12 (mais ou menos próximo ao Morro do Careca), das 18 às 22 horas, todo domingo. Dia 31 último foi o último baile, e estou ansioso para o próximo. (1)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Quem me conhece sabe que adoro dançar. Já fui mais solto uns anos atrás, mas balanço o corpo bastante sempre que me empolgo com a música e o ambiente. Deveria ter sido assim no baile em questão. No último baile teve mais gente, o que significa um ganho em termos de público; tava lindo mesmo de ver a galera bailando salsa e zouk. Mas o garotinho aqui ficou tão amuado no baile quanto elefante no picadeiro. Imaginem vocês que, ao final do baile, perguntei ao DJ se ainda iria rolar um pouco de bachata.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/_4vMaH6IkgQ" allowfullscreen="" width="425" frameborder="0" height="349"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O cara botou uma canção no play, aí saí pra tirar uma garota. Na primeira tentativa, era uma conhecida; ela tava morta de vergonha e se recusou. Fiquei na minha. Daí consegui tirar uma pra dançar, mas antes disso ela fez uma careta - como quem REALMENTE gostaria que eu não a tirasse, e com vergonha pelas outras pessoas ao lado dela estarem rindo dela por dançar COMIGO. Fiquei intimidado, claro, mas a vontade de dançar era maior. Só que o pior aconteceu: tirei uma pra dançar, nada; outra pra dançar, nada; só a terceira que aceitou, e ainda assim precisei convencê-la de que poderia dançar a bachata tranqüilamente comigo, mesmo que não soubesse (quase) nada. Assim que acabei de dançar, me despedi do professor e disparei pra casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://blogmusicdavida.files.wordpress.com/2010/05/c06_carlinhos_de_jesus3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 233px;" src="http://blogmusicdavida.files.wordpress.com/2010/05/c06_carlinhos_de_jesus3.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Ela quer que eu vire um Carlinhos de Jesus da vida, é isso?)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessas três últimas garotas, merece destaque a segunda. Já no primeiro baile tive um problema seríssimo: antes que a música terminasse, ela parou de dançar, soltou um "muito obrigada", largou minha mão e se sentou. Me estarreci na hora, basicamente; mas pouco a pouco cresceu em mim um sentimento indescritível de nojo. Ora, ela continou a dançar com outros caras, e todos eles tinham um nível maior que o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, meu problema não é com eles - mesmo porque acredito que, sendo capaz de dançar e tendo o desejo de me aperfeiçoar, posso também melhorar minhas aptidões bailarescas. O que essa garota fez comigo é o supra-sumo não só de falta de etiqueta, mas de tremenda falta de respeito. Há quase cinco anos, fui ao primeiro baile de salão na vida, e lá se encontrava escrito com todas as letras que não seria admissível recusar que um cavalheiro tirasse a dama pra dançar. Me diverti bastante nesse dia. Infelizmente, não foi o que aconteceu neste domingo (e, como acabo de lembrar, provavelmente aconteceu também em algum baile que fui no projeto Comunidança, quando fazia mobilidade estudantil na UFRJ em 2009). E eu tenho um palpite pra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das atividades humanas, há algumas universais, como o riso, o sexo... (2) e a dança. Acredito eu, em minha leiguice no assunto, que em todas as práticas de dança no globo envolvem um elemento lúdico. A dança de salão, em especial, tem um poder tremendo de socialização, pois seu sucesso depende essencialmente do entrosamento entre o casal que dança. Esse entrosamento não depende do nível, mas da vontade mútua de ir pra pista de dança e se divertir. E aí que tá: a garota de que falo parece que não está indo lá pra se divertir, ou pelo menos não do mesmo modo que eu. Não acredito em diversão sujeita a critérios, ou melhor, critérios esdrúxulos, do tipo "só danço com caras fodões e que saibam me rodopiar e me exibir no salão, e que de repente queiram me pegar", "só danço com gente de minha academia ou conhecidos de alguém de lá".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu professor confirmou a existência desses critérios, principalmente este último. E isso me deixa puto da vida, porque é muita mesquinheza de quem recusa. Me deixa triste também, já que esse lado lúdico acaba parecendo que está de lado cada vez mais. Não pensem que estou sendo ingênuo, pois sei que nem todo mundo vai a um baile de salão exclusivamente pra se divertir. A dança de salão mexe mesmo com a libido, e já fiquei com mulheres apenas por dançar, sem nem trocar uma única palavra de paquera; nossos corpos falaram por si sós. No entanto, é de uma rudeza impressionante restringir ao outro a possibilidade de se divertir, por achar que ele não possa oferecer o que se deseja. Não creio que eu me torne um instrutor de dança, mas gostaria de ver um salão diferente, no qual estejam presentes pessoas com vontade de dançar, de se divertir e de proporcionar o que possuem de melhor. Será que estou exigindo demais daquela garota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: segue o belíssimo poema de &lt;a href="http://twitter.com/#%21/Ranyanemelo"&gt;Ranyane Melo&lt;/a&gt;, escrito em parceria comigo. (Na verdade, ela enxertou umas frases que eu disse a ela, transformando-as em versos; mas se ela acredita que sou co-autor, quem sou eu pra dizer que tá errada?) (3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Baile&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São em dias como este&lt;br /&gt;Que nos imagino&lt;br /&gt;Como se estivéssemos indo&lt;br /&gt;A um baile&lt;br /&gt;E enquanto a música toca&lt;br /&gt;Penso no calor do meu corpo&lt;br /&gt;Juntinho ao seu&lt;br /&gt;Penso na sincronia dos nossos corpos&lt;br /&gt;Na sintonia dos afetos&lt;br /&gt;Na sinergia dos pensamentos&lt;br /&gt;Penso em tudo&lt;br /&gt;Que deixamos pra depois.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(1) E aqui acaba a propaganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Pi9pOhOUMT0/Tj2sRfku0tI/AAAAAAAAAa0/3Ps5xi0I7_s/s1600/277685_196367960417024_100001314633919_475810_5199627_o.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Pi9pOhOUMT0/Tj2sRfku0tI/AAAAAAAAAa0/3Ps5xi0I7_s/s320/277685_196367960417024_100001314633919_475810_5199627_o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637851725071045330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(2) Jura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Para refletir: seria ela então a co-autora desta postagem?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6333322909959964306?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6333322909959964306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6333322909959964306&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6333322909959964306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6333322909959964306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/08/sobre-o-ludico-na-danca-de-salao.html' title='Sobre o lúdico na dança de salão'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/_4vMaH6IkgQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3459634526198613369</id><published>2011-07-20T12:01:00.005-03:00</published><updated>2011-07-20T12:49:54.318-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fora Micarla'/><title type='text'>Raskólnikov em Natal: o que ele faria com Micarla de Sousa?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Natal tá uma zona, gente! Dia 16 último, foi inaugurado um monumento à Bíblia; rolou um show do Diante do Trono e Micarla de Sousa aproveitou o embalo pra oferecer demonstrações públicas de religiosidade, declarando seu ingresso na Igreja Tal. Mas não se preocupem, não vou gastar meu tempo partindo desse evento pra descer a lenha na gestão municipal; &lt;a href="http://www.cartapotiguar.com.br/"&gt;já há muita gente que o faz melhor que eu&lt;/a&gt; (inserir link pra Carta Potiguar). Do nada, me lembrei de um figuraço da literatura russa: Rodion Raskólnikov (1). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Resumir o&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;bras de literatura é um saco, mas que se lasque. Raskólnikov, do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Crime e Castigo&lt;/i&gt; de Dostô, se propôs um experimento simples. Partindo da suposição de que homens como Napoleão e Licurgo eram extraordinários a ponto de passarem por cima de qualquer coisa – mesmo que isso implicasse preparar um sarapatel à base de espadas e baionetas –, o jovem professor, cheio de dívidas e atormentado com as cobranças de aluguel de sua senhoria, matou ela (2) e caiu fora. Começou uma série de investigações, e ele refletiu seriamente sobre o que fez. Decidiu se entregar, não por se arrepender de matar a velha, mas por não obter o resultado que desejava: Raskólnikov não matou um ser humano, mas um princípio, um PIOLHO – diferentemente de Licurgo e Napoleão, que pavimentaram a história ocidental usando cadáveres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Consegui fazer algo pior que resumir a trama: entreguei um dos problemas nevrálgicos que a constroem. Mas tenham um pouco de paciência, gente!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Vamos su&lt;/span&gt;por, então, que Rodion Raskólnikov estivesse em Natal. Que estivesse num puxadinho construído na gestão de Micarla de Sousa, com suas contas pra pagar e o mesmo nível de sandice. O cara é protestante, &lt;a href="http://www.amigosdt.com/2011/07/prefeita-de-natal-se-converte-apos.html"&gt;assim como a prefeita e o Diante do Trono&lt;/a&gt;, mas, à semelhança de sua contrapartida russa, não liga muito pra orações; há muito tempo que não reza, na verdade. Ele não tá nem aí pro cenário político local, só está puto da vida com uma mulher que manda e desmanda do jeito mais picaresco possível; quer se livrar dela pra ontem. Enche os nervos ao assistir às propagandas da gestão com a mesma facilidade que encheria ao ver a senhoria batendo na meia-irmã. Aí ele dá um jeitinho, bola um plano extraordinário, baseado na mesma teoria extraordinária... E agora, Rodion Raskólnikov? Você mata ou não mata Micarla de Sousa?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Você, que está lendo agora, antes de responder, peço perdão pelo trocadilho político-literário. Micarla de Sousa, a borboletinha de Natal. O perdão, obviamente, é pelo mau gosto, não pelo trocadilho em si. Pois, se você responder que não, que Micarla de Sousa é um inseto e que, por isso, não valeria a pena Raskólnikov matar essa mulher, eu tratarei de chamar sua atenção para o outro lado do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;trocadalho&lt;/i&gt; (3). Micarla não seria um mero inseto, e a própria imagem da borboleta a favoreceria nesse sentido; ela usa e abusa da paciência dos natalenses, mas parece que ainda dá um jeito de varrer a sujeira pra debaixo do tapete – diferentemente da senhoria no romance de Dostoiévski, que mal conseguia esconder seu temperamento repugnante. Sendo assim, ela seria um ser humano extraordinário “em potencial”; portanto, o assassinato estaria justificado, e para isso bastaria apenas o fato de ela ser um ser humano, mesmo que não fosse extraordinária e muito menos tivesse o potencial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Não sei se vou saber de sua resposta, mas a minha é a seguinte: nem um “sim” nem um “não” responderiam a essa pergunta de modo satisfatório. É claro que estou supondo que você aceite minha tese, que eu realmente acho a gestão de Micarla de Sousa uma merda (e acho mesmo); é ainda mais claro que não desenvolvi o experimento mental de modo mais evidentemente político, admitindo até que Raskólnikov estivesse cagando e andando pra esse cenário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;No entanto, a meu ver, a força da pergunta que abre esta postagem reside em si própria. É muito fácil dar uma resposta afirmativa ou negativa, quando na verdade o problema se mantém aberto, a despeito da persistência em uma das duas alternativas. Ora, no terreno literário como no político, não há simplesmente DUAS alternativas; há ao menos TRÊS. A primeira alternativa, não matar Micarla de Sousa por ela ser um inseto, não se sustenta pelo fato de ela não ser um mero inseto; persistir nessa idéia dá mostras de uma subestimação da figura política que ela representa e dos desastres que cometeu enquanto tal. A segunda alternativa, matar Micarla de Sousa por ela ser um ser humano qualquer, aponta para um notável cenário de autoritarismo. Quem garante que o assassino não possa fazer pior? E uma terceira alternativa (que certamente está longe de ser a única) seria manter a atitude de suspensão, sem afirmar ou negar. Deveríamos aprender a escolher bem nossos dirigentes, abrir os ouvidos para o canto de Circe que às vezes os indivíduos entoam no momento da propaganda política, seja ela dentro ou fora da época eleitoral. Já vi um ex-colega de colégio afirmar que votou em Micarla de Sousa por comprar o peixe – isto é, o marido, os filhos, a imagem de mãe casada e trabalhadora; ele se mostrou arrependido, mas parece que seu remorso não foi além de mera birra (isso já é viagem minha, mas não duvido dessa possibilidade). Chorumela política, assim isolada, não parece grande coisa; mas basta lembrar a segunda vitória de George Bush nas eleições presidenciais nos Estados Unidos em 200, quando milhões de norte-americanos pediram desculpas a seus compatriotas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;As investigações em torno da improbidade administrativa de Micarla já estão rolando, e qualquer sinal positivo nessa direção pode fundamentar um processo de impeachment contra ela. Mas a pergunta continua mantendo sua validade. E é bem simples manter o experimento mental: substitua Rodion Raskólnikov por você mesmo e Micarla de Sousa pelo gestor político indecente de sua preferência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;(1) Já leu &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Crime e Castigo&lt;/i&gt;? Não se preocupe, também não vou pagar pau e gastar meu tempo demonstrando a erudição que não tenho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;(2) Matei a gramática prescritiva, com seus Pasquales e Sacconis, e não tô nem aí. Sou extraordinário?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;(3) Do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;carilho&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3459634526198613369?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3459634526198613369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3459634526198613369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3459634526198613369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3459634526198613369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/07/raskolnikov-em-natal-o-que-ele-faria.html' title='Raskólnikov em Natal: o que ele faria com Micarla de Sousa?'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2952567729316835497</id><published>2011-04-17T15:17:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T15:35:41.335-03:00</updated><title type='text'>A desgraça dos outros (2): Fukushima e Chernobyl</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Estrondoso o acidente nuclear no Japão. Soube da notícia ainda de madrugada, pelo Twitter, enquanto matava o vício da net. Na verdade, o que houve primeiro foi o terremoto, fortíssimo, como só os terremotos do Círculo de Fogo conseguem ser. Levou casas, barcos, inundou o aeroporto de Sendai... Dali a umas horas (dias?), no entanto, começou o vazamento de ondas alfa, beta e gama. Zona de isolamento, alimentos contaminados, água contaminada, fissuras nos reatores – sem mencionar os mortos pelo cataclismo, &lt;a href="http://noticias.r7.com/internacional/noticias/numero-de-mortos-por-terremoto-no-japao-supera-13-mil-um-mes-apos-a-tragedia-20110411.html"&gt;que passaram dos 13 mil no dia 11 de abril último&lt;/a&gt;, e os desaparecidos, que passaram dos 14 mil até a referida data.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O estrago certamente fez lembrar o mundo da grande hecatombe nuclear da história da Terra: Chernobyl. A área de quilômetros em volta da antiga usina ucraniana continua isolada até hoje, pouquíssimas pessoas têm acesso. O Japão, por sua vez,&lt;a href="http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/japao-equipara-acidente-em-fukushima-a-chernobyl"&gt; comparou os danos em Fukushima aos de Chernobyl&lt;/a&gt;, mas a &lt;a href="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/04/12/fukushima-chernobyl-sao-muito-diferentes-diz-aiea-924220862.asp"&gt;AIEA alega que se trata de acidentes muito diferentes&lt;/a&gt; – os níveis de radiação na usina japonesa representam apenas 10% daqueles da Ucrânia. &lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,operadora-de-usina-no-japao-quer-controlar-crise-nuclear-ate-o-fim-do-ano,707449,0.htm"&gt;O governo pretende resolver a bronca até o fim do ano&lt;/a&gt;; alguns projetam os gastos com a recuperação em até 300 bilhões de dólares, tornando o desastre o mais caro da história. O governo desmente que o valor seja tão alto (1).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O incidente foi importante pra relembrar a galera dos debates em torno da segurança da energia nuclear. Protestos acontecendo aqui e ali, coisa e tal, tal e coisa... Mas o que me chamou a atenção mesmo foram duas coisas. A primeira foi o acidente radioativo &lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;      &lt;/span&gt;de Goiânia com o césio-137 – o maior do continente americano. De uma só vez, tal lembrança chama a atenção para três fatos: a) a educação brasileira é realmente um fracasso, o que, a meu ver, aumenta a gravidade do acidente de Goiânia em relação aos congêneres – pois a dispersão de energia radioativa foi ainda mais descentralizada e silenciosa; b) em que pesem os perigos do uso da energia nuclear, as usinas não representam, de longe, a única forma de provocar tais tragédias, até porque já houve acidentes grandes envolvendo fontes de energia não-renováveis, como o Exxon Valdez no Golfo Pérsico. A outra coisa a me chamar atenção, por outro lado, foi a quantidade de piadas envolvendo o incidente em Fukushima. Grande parte delas vi no Twitter mesmo, não sou (muito) de vasculhar esses bagulhos na net. Mas o que teve de gente irritada com os gracejos não foi brincadeira, e &lt;a href="http://www.cineweb.com.br/blogs/post.php?id_blog=6&amp;amp;id_post=71"&gt;sobrou até pros Simpsons na Alemanha&lt;/a&gt;: o seriado de Matt Groening teve sua exibição proibida no país na melhor censura prévia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Após umas queimações de neurônio, e associando a tantas outras coisas que não vale a pena elencar aqui (por falta de espaço e pertinência), lembrei mais uma vez da possibilidade de uma jaca despencar em minha cabeça (2). De fato, o césio-137 de Goiânia foi uma jaca no juízo do povo brasileiro; Chernobyl, uma jaqueira lotada de frutos maduros e enormes, e Fukushima deixa cair os seus. Lembrei ainda um aprendizado importante, obtido a partir de minhas desgraças pessoais e leituras de Millôr Fernandes: nem sempre o humor é destinado ao riso, e nem tudo de que se ri é necessariamente engraçado. Obviamente, depois do início dos estragos, precisamos tomar providências pra evitar a piora – mas deveríamos aprender a evitar moralismos venenosos, sob pena de recriminar qualquer piada sobre o evento. Rir não é o melhor remédio, mas às vezes ajuda a lembrar óbvio (3). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(1) Gorbatchov disse que o incidente em Chernobyl não teria maiores conseqüências.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(2) E na sua também, por falar nisso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(3) A História é uma istória, o homem é o único animal que ri, e rindo ele mostra o animal que é. (Livremente transcrito de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;A História é uma istória&lt;/i&gt;, de Millôr Fernandes)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2952567729316835497?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2952567729316835497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2952567729316835497&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2952567729316835497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2952567729316835497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/04/desgraca-dos-outros-2-fukushima-e.html' title='A desgraça dos outros (2): Fukushima e Chernobyl'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6461609590314392674</id><published>2011-04-11T21:20:00.002-03:00</published><updated>2011-04-11T21:28:39.882-03:00</updated><title type='text'>A desgraça dos outros (1): Bolsonaro, Wellington e Eichmann</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Nos últimos tempos, temos visto notícias de fatos aparentemente insólitos. Coisas que chamam mesmo a atenção da gente, atiçando ânimos, levantando surpresa... Fosse apenas pelo ânimo, estaríamos bem. O grande problema do ser humano, no entanto, é se surpreender desnecessariamente com a própria capacidade de desejar ou provocar a desgraça do outro. Lembro que li um texto de Millôr Fernandes, em &lt;i&gt;Todo Homem é Minha Caça&lt;/i&gt;, no qual ele relata um passeio a uma casa de praia em Arraial do Cabo. Jaguar, que lhe fazia companhia então, elogiou a “pureza” do habitantes do local, pelo que foi admoestado por Millôr. Na semana seguinte, porém, essa mesma gente pura – pescadores, no caso – “transformou os pingüins numa poça de sangue” quando os animais apareceram na praia. O humorista terminou por concluir que é “por essas pequenas coisas que eu nunca perco a fé no ser humano”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Pois bem: parece que nossa fé no ser humano está sendo posta à prova. Será que ainda acreditamos na existência de indivíduos prontos a demonstrar, de modo polido ou sanguinário, a sandice de suas atitudes e opiniões? Após participar de um quadro no CQC, o deputado federal Jair Bolsonaro, que já apareceu outras vezes na mídia por suas declarações polêmicas, avivou os miolos de milhões de telespectadores, simpáticos e aversos a sua opção política. O sujeito alega que, ao responder a uma pergunta de Preta Gil, soltou a resposta que soltou por achar que ela falaria de homossexualismo (sic). Claro que se trata de uma desculpa esfarrapada (opinião minha e de muita gente, quem achar ruim que se foda); mas, se o erro fosse mesmo genuíno, isso não traria menos nojo por ele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Esta semana, no entanto, houve algo ainda mais hediondo, por atingir de modo mais direto a vida das pessoas. Em uma escola no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, um jovem de 24 anos matou 12 alunos e feriu outros 13. Conseguiu fácil acesso ao prédio por ser conhecido dos funcionários, era ex-aluno; no entanto, quando apareceu um policial (o policial não fez basicamente muita coisa, a não ser ir atrás do criminoso), se matou. Os jornais trataram de abastecer sua cota de sangue e aproveitaram para difundir uma carta que escreveu antes do crime. Nela, Wellington (o nome dele) lança umas reprimendas dignas de um fanático religioso qualquer, o que, aliado ao fato de ter “estudado” um pouco do islamismo, bastou para ser tachado de fanático religioso. E aí é pior: não sendo suficiente a própria chacina, ainda metem a religião no meio!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Quando comecei o curso sobre cinema e educação quinta passada na UFRN, os professores mencionaram o caso de Adolf Eichmann, oficial nazista e principal responsável pela Solução Final do regime durante a Segunda Guerra. Já havia ouvido falar no livro de Hannah Arendt sobre ele, mas só então tomei vergonha na cara pra baixar e apreciar o material. O ponto é o seguinte: os juízes se recusavam a acreditar que um indivíduo responsável por tamanha mortandade só se expressasse em clichês, preferindo acreditar que ele escondesse a verdade de propósito. Não acreditavam que o único idioma dele fosse o “oficialês”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Na verdade, NINGUÉM espera esse tipo de coisa – pelo simples fato de que não aprende a esperar. O ser humano está perdendo, pouco a pouco, duas capacidades: a curiosidade para o inusitado e o sangue-frio necessário a momentos em que o inusitado arranca o couro fora. E nem precisa ser estudante de filosofia para atentar a essas coisas: basta ter um pouco da fé no ser humano a que Millôr aludiu em seu texto. Millôr era humorista. NINGUÉM espera um tiroteio desenfreado e gratuito (1) numa escola ou shopping center (como aconteceu na Holanda uns dias atrás), como NINGUÉM espera uma declaração hostil como a de Bolsonaro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Mas, peraí: dizer que NINGUÉM espera não é nivelar por baixo, esquecer que alguém consegue pelo menos adivinhar uma causa plausível? Ora, há inúmeros Bolsonaros em potencial pelo mundo afora, dando apoio ao Bolsonaro que está na Câmara dos Deputados: não sem razão, cerca de 84% das pessoas que votaram numa enquete acerca das bravata dele lhe deram razão. Por outro lado, o que fizeram na imprensa acerca de Wellington não é senão uma genealogia barata (2): comentando da carta dele, se esquecem de recuar mais atrás na trajetória do jovem, como era o relacionamento familiar dele, como foi na escola – e como surgiram a atual estrutura familiar e sistema educacional dentro dos quais ele cresceu. E o mesmo vale para Eichmann. Há uma teia de idéias e práticas circulando pra lá e pra cá, e que mantém firmes as condições normais de temperatura e pressão para a ocorrência dessas atrocidades. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Em linguagem de gente: nada disso acontece por acaso. Não é sem razão que houve o que houve. Parece tautológico; e é, na verdade. Mas não deveria ser, pois poderia ser conosco do mesmo jeito – ou pior. Ainda assim, continuamos a pensar que algo assim não pode nos acontecer. Espero que o caldo não engrosse demais até mais gente mudar de idéia. No entanto, só me resta manter a fé no ser humano mesmo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(1) Palavreado clichê usado pra rotular algo de que não conhecemos a causa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(2) A primeira aparição do termo “genealogia”, salvo engano, foi na obra de Nietzsche &lt;i&gt;Genealogia da Moral&lt;/i&gt;. Foucault elaborou um pouco mais e criou sua “arqueologia” (&lt;i&gt;A Arqueologia do Saber&lt;/i&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6461609590314392674?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6461609590314392674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6461609590314392674&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6461609590314392674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6461609590314392674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/04/desgraca-dos-outros-1-eichmann.html' title='A desgraça dos outros (1): Bolsonaro, Wellington e Eichmann'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-8002382235437927136</id><published>2011-03-26T15:55:00.004-03:00</published><updated>2011-03-26T16:13:09.078-03:00</updated><title type='text'>Cidade Baixa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Cidade Baixa (Sérgio Machado, 2005) é um filme carnal. Promíscuo, sangrento, imundo e viscoso. Mas é um filme vivo, de uma vida que ninguém sonha ver quando vai a Salvador – os bastidores da Cidade Baixa, dominados pela prostituição, drogas e crime. Dominado ainda pelos desejos latentes, impulsivos e paradoxais do ser humano, centralizados no trio amoroso Deco (Wagner Moura), Naldinho (Lázaro Ramos) e Karina (Alice Braga), mas também presentes nos demais personagens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;É engano pensar que se trata apenas da briga por buceta; teoricamente, por sua condição de prostituta, Karina poderia muito bem dispensar os dois, pelas brigas e picuinhas que se desenham ao longo do filme. Mas ela se mantém apegada a ambos e equilibra precariamente o fiel da balança, trepando e dando a cada um deles um pouco de afeto. A grande prova disso é a briga no final da trama (nada como ter Fátima Toledo na preparação de elenco!); Deco e Naldinho se esmurram, chutam e caem nas vielas da Cidade Baixa, num acesso de fúria, ciúme e, eventualmente, tristeza. Eu mesmo fiquei aterrado com o momento em que Naldinho termina de desferir socos em seu amigo de infância e o olha fixamente, como quem não gostaria absolutamente de fazer aquilo – mas que fez assim mesmo, a despeito de qualquer proibição afetiva que uma amizade de longos anos poderia impor. Logo após a briga, é a Karina que recorrem; a garota de programa limpa os ferimentos dos dois amantes, sem dar um piu pela confusão (exceto na hora em que Naldinho chega no apartamento após Deco, quando ela pede que aquele se sente e espere). Antes dos créditos finais, ela não agüenta e solta as lágrimas, desolada pelos limites que os rapazes interditaram ao desejo (1); por que se decidir por um, quando pode perfeitamente acolher ambos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: normal; "&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-iz5opvwI9NU/TY434i4TmZI/AAAAAAAAAXg/2T-32fkrbBw/s320/cidade%2Bbaixa%2Bfoto.jpg" style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 211px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588465632188537234" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Há outras seqüências dignas de atenção, como a briga de galo no início da trama e os minúsculos episódios cotidianos da Cidade Baixa. Mas como não se trata de um resumo do filme, melhor ir procurar um torrent, Rapidshare ou o &lt;i&gt;share&lt;/i&gt; de sua preferência. Só sei que gostei e que vale a pena ver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;line-height: normal; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;(1)&lt;span style="font:7.0pt &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Por isso que não gosto de fazer crítica de cinema. O cara cita Freud/Lacan pra passar por cult, mas que se lasque: isto aqui não é uma crítica, é só um registro de impressões.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-8002382235437927136?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/8002382235437927136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=8002382235437927136&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/8002382235437927136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/8002382235437927136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/03/cidade-baixa.html' title='Cidade Baixa'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-iz5opvwI9NU/TY434i4TmZI/AAAAAAAAAXg/2T-32fkrbBw/s72-c/cidade%2Bbaixa%2Bfoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-8817007923670875479</id><published>2011-02-21T20:21:00.003-03:00</published><updated>2011-02-21T21:40:29.629-03:00</updated><title type='text'>De maturitate vitae</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era só pra botar os pingos nos is. Já sabia a resposta, mas precisava ouvir da boca dela. Nada demais: sim ou não. Até aí, tudo bem. Mas ela inventou de fazer uma retrospectiva, comentando que não era tão madura quanto é hoje, mas que, na época em que namorávamos, ela era mais madura do que eu... No momento tomei um susto, mas fiquei na minha. Pra quê? Essa PÉROLA haveria de perturbar meu juízo até agora! E eu doido pra dar um puxão de orelha, saber dela qual o critério pra soltar essa porra de papo de maturidade; mas mainha me convenceu a deixar quieto, já que ela tem uma penca de problema familiar pra resolver (o que é verdade). Não satisfeito em ficar na minha, decidi postar a história, compartilhar com vocês e continuar o longo processo de desabafamento, que certamente não acabará (ao longo da postagem, vocês entenderão o porquê).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: após ela ter soltado esse impropério, comento o caso com uma amiga. Ela me diz que toda mulher tem esse papo (mulheres são mais maduras que homens), especialmente quando o casal tá num bate-boca daqueles; além disso, mencionou que os cientistas também teriam dito isso. Não contente, perguntei no Twitter e responderam no Facebook (1) que sim, na maioria das vezes (uma delas) e sempre (outra). Atirei no que vi, acertei no que não vi: cabava de descobrir um clichê dos interlúdios entre homens e mulheres. Latejava no juízo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Segundo Sexo&lt;/span&gt;, de Simone de Beauvoir - ela, mulher, que lutou tanto pra acabar com esses conceitos empacotados! Ou seja, ainda tinha muito o que procurar. Aí uma amiga minha me deu uma explicação ainda biologizante, mas mais plausível: as mulheres amadureceriam mais rápido que os homens, em parte por questões de sobrevivência. Como há muita mulher pra pouco homem, então elas aprenderiam a desenvolver uma série de habilidades pra se sobressaírem melhor umas em relação às demais - e assim realizar o sonho do homem próprio; no entanto, os sexos se equiparariam em maturidade (tanto sexual quanto comportamental) por volta dos vinte e cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro biologia, mas esse papo aí das mulheres com quem conversei deixa uma coisa de fora: o ser humano, independente de gênero e orientação sexual, precisa de outros seres humanos pra viver - o que inclui, naturalmente, a árdua tarefa de maturação (vou acabar me achando um monte de jaca podre até o fim deste texto). Além disso, nem todo mundo amadurece do mesmo jeito (JURA?!). Continuo achando que essa história de maturidade depende essencialmente de cada um; prefiro concordar com dona Beauvoir lá de cima. Cada qual existe no mundo de forma singular, e as escolhas que realiza é que definem tal singularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, ainda concedi a ela (ela só vai saber quem é ela quando ler) que... Mas, antes da concessão, no melhor estilo cético (2), e antecipando os argumentos dela, eu digo o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) em geral, idade é um mostrador razoável da maturidade de um indivíduo; quanto mais velho, mais experiente, experimentado (epa!), etc. etc. Ocorre que a diferença entre mim e ela é de pífios trinta dias de nascimento - o que, pela regra geral, não a autoriza a dizer aquela merda, não por ser mais nova do que eu, mas porque a diferença de idade entre a gente é ridiculamente pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) concedo que ela seja, em alguns aspectos da vida, mais madura do que eu - em especial no que toca à família e ao trabalho. Ela, de fato, é mais centrada, mais pé-no-chão; não tenho vergonha em assumir que, freqüentemente, quero dar um passo maior que a perna. Mas é exatamente essa vontade de andar a passos largos que me coloca em diversas situações de vida. E com certeza eu tive (e ainda tenho) algo a aprender com elas, pra escolher melhor os próximos desafios que pretendo correr e aumentando minha visão de mundo - e não hesito em dizer que, nesse quesito (que envolve aceitação de fatos desde a afetividade pública entre gays e lésbicas até as mais diversas doideiras que povoam o juízo de cada um), estou bem melhor do que ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) a última das objeções é bastante simples. Se ela é realmente mais madura do que eu (incluindo os setores nos quais afirmo que tô melhor), pra que essa droga de conversa? Só em algumas poucas situações é permissível afirmar a alguém que se é mais maduro, mas em geral é quando há uma diferença substancial entre os envolvidos, o que não é o caso. E, mesmo que fosse, não seria lá grande coisa da parte dela, já que sou bastante orgulhoso e relutaria em tomar isso como verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é isso. Vou seguir o conselho de Sêneca (3) e parar de me ocupar com coisa besta. Tenho mais o que viver, viu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Integração de redes sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Contrapor um argumento a outro argumento igualmente forte e demonstrar que não há maiores razões em acreditar em um deles, em detrimento do outro. E, a seguir, a tranqüilidade necessária à busca da verdade - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;epoché&lt;/span&gt;. Para mais detalhes, procurem textos sobre Sexto Empírico; uma boa pedida é começar por Osvaldo Porchat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De brevitate vitae&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-8817007923670875479?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/8817007923670875479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=8817007923670875479&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/8817007923670875479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/8817007923670875479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2011/02/de-maturitate-vitae.html' title='De maturitate vitae'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-343947933943448514</id><published>2010-11-19T02:33:00.002-03:00</published><updated>2010-11-19T04:23:47.070-03:00</updated><title type='text'>Ciúme é meu pau de óculos!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;14 de novembro último. Visito uma amiga. Conversamos amenidades - tá bom, nem tão amenas, já que se tratava de fim de curso, ambos agoniados com monografia e tal -, ela recebe uma ligação. Era o namorado. Diz que está em casa com uma vizinha e um amigo. O quê? Que amigo é esse? Deixe de coisa, amor... Dali a alguns minutos o sujeito aparece. Soltei um boa noite sem nem saber quem era, mas a cara fechada de poucos amigos bastou pra me dar um susto de leve. Mas só após alguns minutos - na verdade, assim que ouvi minha amiga chamando o companheiro de "amor" - me toquei do figura; logo em seguida ele estava demarcando território na casa dela. Nervoso e possesso de raiva, folheava abestalhadamente um livro de Rubem Alves e pensava em cair fora dali o quanto antes; mas cadê coragem? Eventualmente, minha amiga disse que tinha que cuidar do filho mais novo (e o pai era ele, por sinal) e que eu precisava ir. Nem precisava colocar o garoto no meio da conversa, já que se tratava de engolir o sapo (1) e capar o gato (2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi a primeira vez, nem vai ser a última; várias vezes mulheres deram chilique pra meu lado por causa da desconfiança dos parceiros. Com o tempo vi emergir um estereótipo: independente de cor, credo, situação socioeconômica e aparência física, o cara tem uma cara fechada, não é de sair conversando fácil com ninguém e não raro é avesso a aglomerações. O namorado de minha amiga satisfaz plenamente as três condições - fora que é feio pra caralho. Não que eu seja um exemplo de beleza, mas, puta que pariu!, tem como não atribuir parte desse sentimento à fraqueza de aparatos exteriores? Quando contei o caso a mainha, ela riu da observação e, pra me deixar ainda mais por fora, achou graça do perrengue que passei. Afff&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divagações estéticas à parte, minha amiga esclareceu depois, pediu desculpas e tal... Disse que não se desculpasse por uma atitude que não foi dela, mas não deixei de lembrar que ela errou em se referir a ele apenas como "o pai do meu filho". Independente de desconfiança, como é que um sujeito se sente quando sua companheira fala dele pras pessoas como "o pai do meu filho"? Francamente, isso foi um vacilo dela; e, embora não tenha diretamente a ver com o que ocorreu, foi um susto a mais pra agravar minha percepção dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como típico jovem apressado que sou, vasculho rápido a net atrás de algo sobre o ciúme pra botar nessa postagem. Vejo um resultado na Wikipédia, citando os psicólogos israelenses Ayala Pines e Elliot Aronson, dando a seguinte definição: &lt;a href="http://metadeideal.uol.com.br/diva/artigos/ailtonsilva/ciume.html#rmcl"&gt;&lt;i&gt;a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;. Tão complexa quanto o ser humano, não é mesmo? Independente do nível de complexidade, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o fato é que tenho um asco, um nojo, uma ojeriza, uma raiva, um ódio, um desprezo visceral e devidamente entranhado ao ciúme. PAU NO CU! &lt;/span&gt;Os psicólogos dizem que é natural, que o ser humano tem isso mesmo e que um pouquinho dele é até saudável, dependendo das circunstâncias. Aí eu pergunto: os casos saudáveis são maioria ou minoria? Depois de postar esse texto, vou checar as estatísticas e quem sabe eu reveja um pouco de minha posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, passados os palavrões e as descrições, o que penso do ciúme? Qualquer um pode ser safado, gentil, honesto ou hipócrita; até eu sou ou posso ser uma dessas coisas, acredite! Já há um tempo que minhas vivências com as pessoas aumentaram progressivamente desde que fiz o ensino médio no CEFET-RN. Aluno medíocre, sem tirar tantas notas boas, consegui aprender um bocado de coisa convivendo com um monte de gente, entre alunos, professores, funcionários e freqüentadores do colégio. Dou graças a Deus que melhorei um pouco do tato interpessoal a partir dessa época. Quanto ao ciúme, os ciumentos que me poupem de seu mal - e, se não pouparem, que tomem no cu com areia e brita; amigo meu ou não, sabe do revestrés que me dá quando nego chega pra mim querendo demarcar território? Pois é, é tão grande quanto o seu - e tanto maior quanto mais indecente, desavisada e inconseqüente for sua reação. Mesmo reconhecendo que pode ser controlado (3), não deixo de nutrir forte rejeição por esse sentimento. Ora, não sei do futuro, mas atualmente eu gosto demais da vida que tenho pra ter minha rede de contatos cortada por causa de picuinha de fulano ou sicrano que acha que tô dando em cima de sua queridinha por dar beijinhos no rostos quando a cumprimento (sou bastante caloroso, sabe?). Fica ruim pros três: pra você, que tem ciúmes de mim; pra ela, constrangida com a situação (supondo, naturalmente, que não estou nem pretendo dar em cima dela); e pra mim, porque fico com nojo de sua cara e, eventualmente, da dela. É muita frescura da mulher abaixar os olhos com cara de cachorro lazarento (!) quando o companheiro está do lado e não gosta que ela se abra pros outros, digo, que ela vá e dê um oi, pegue na mão, pergunte como tá, essas coisas (4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, eu jogo essas pedradas sem esperar o troco? Claro que não, né verdade? Você vai me perguntar que tipo de ser assexuado, extraterrestre, malcomido (epa!) eu sou. No que me diz particular respeito, posso dizer tranqüilamente que não tenho nem nunca tive ciúme de parentes, namoradas e amigos. Logicamente há a possibilidade de o sentimento ser meio inconsciente, mas tão instintivo ou instantâneo que logo passa. Os psicólogos e os ciumentos, claro, vão passar sem minha verborragia contra eles; mas ainda sou autocrítico o suficiente pra admitir que, como típico ser humano, posso sim apresentar sinais de ciúme. E, de fato, às vezes tenho manifestações repentinas desse treco; porém, elas se vão tão rápido quanto chegaram. De resto, ainda insisto em afirmar que não sinto ciúme de ninguém, e espero sinceramente não me envergonhar de mim mesmo quando me sentir assaltado; o remorso é ainda mais avassalador e venenoso que o ciúme e mais largamente distribuído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não pára por aí: vão dizer que se não sinto ciúme é porque não gosto verdadeiramente de meus entes queridos e ainda menos de uma companheira. Quer dizer, aquela coisa bem Orkut: "tenho ciúme e cuido do que é meu". Ah, pro diabo com esses cuidados! Os ciumentos, óbvio, têm um grau de apego maior ou menor com seu objeto (ainda que o neguem); e quem tem apego é obrigado a sentir ciúme? Que papo esfarrapado é esse? Passo três anos com uma garota, a gente se separa, ela se sente desconfortável em me ver com outra e/ou vice-versa; afora traumas pós-relacionamento nos quais há uma recusa e antipatia mútuas, esse desconforto tem que ser sinal de ciúme? Melhor dizendo, tem que haver de pelo menos uma das partes essa correlação entre ciúme e trauma? Isso é ridículo, e eu me recuso a concordar com esse argumento. Que direito tenho sobre o outro de dar pitaco na vida dele, de vigiar os passos, os contatos e os afazeres em geral? Não quero ninguém fazendo isso comigo e, portanto, me sinto perfeitamente justificado em exigir que alguém pense duas vezes antes de pensar em desconfiar de mim dessa maneira, tenha uma boa justificativa ou não. Prefiro pensar que um pouco de educação, de revisão de valores e vontade de mudar de postura podem reverter sensivelmente esse quadro, dando um desconto à biologia e esperando por melhorias na genética humana de forma a eliminar as informações que condicionam o ciúme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nesse sentido, tem uma citação de Bertrand Russell que acho belíssima, seguramente algumas das palavras mais edificantes e instrutivas que já li na vida. Não é demais lembrar que ela, assim como o texto de onde foi extraída, foi determinante para a não-aceitação do filósofo no quadro de professores do City College de Nova York em 1940. Aí vai: "Rapaz e moças deveriam aprender a respeitar a liberdade de seus companheiros de outro sexo; dever-se-ia fazer com que compreendessem que nada dá a uma criatura humana direito sobre a outra, e que o ciúme e o sentimento de posse mata o amor" (5).)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vou pedir desculpas a ninguém. Se você gostou do texto e concorda comigo, ótimo. Se gostou mas tem lá suas discordâncias, tudo bem. Agora, se você é ciumento e não gostou e acha que escrevi merda, quero mais que se rompa. Já há muito que pretendia rabiscar umas palavras sobre o assunto e aproveitei o embalo, enquanto as idéias ainda fermentam e a raiva e o nojo estão latejando nos miolos. No mais, não pretendi fazer uma divagação exaustiva do tema, me concentrando nos casos de ciúme envolvendo casais. De qualquer forma, mantidas as devidas ressalvas, sou capaz de sentir nojo por alguém que manifeste seu ciúme com a namorada, o vizinho, o irmão ou o colega de trabalho. Se se tratar de alguém que me seja próximo, pior ainda: de tão avesso ao ciúme que sou, reconheço que não estou devidamente preparado pros chiliques de algum amigo ou amiga meus. Nos Rubicões das relações humanas, a sorte está sempre sendo lançada. Paciência...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;(1) "Quando você tiver de engolir um sapo, não há o que escolher. Mas quando tiver que engolir metade do sapo escolha sempre a metade que coaxa." (Millôr Fernandes em uma de suas fábulas fabulosas)&lt;br /&gt;(2) Dar no pé, se picar, fugir - expressão usada em diversas regiões do Nordeste.&lt;br /&gt;(3) Vocês acham que o relacionamento aberto entre Sartre e Beauvoir foi bonitinho, que ele podia cantar qualquer uma e ela dar pra qualquer um que ficava tudo na paz? Ledo engano. Os dois eram super ciumentos, mas aprenderam a moderar com o andar da carruagem. Pense nisso.&lt;br /&gt;(4) Pra você, que vai me chamar de machista: dá um desconto e não saia me tachando de qualquer coisa. Não precisa ser mulher pra abaixar os olhos com cara de cachorro lazarento nem muito menos (que se lasquem as dicas de boa redação) ter essa frescura. Uma amiga minha comentou que a namorada dela tem ciúmes de mim, só Deus sabe por quê. Detalhe: as duas são lésbicas. Logo...&lt;br /&gt;(5) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquilo em que creio&lt;/span&gt;, incluso no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que não sou cristão&lt;/span&gt;. Há, no entanto, uma edição  de bolso pela L&amp;amp;PM apenas com esse texto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-343947933943448514?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/343947933943448514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=343947933943448514&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/343947933943448514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/343947933943448514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/11/ciume-e-meu-pau-de-oculos.html' title='Ciúme é meu pau de óculos!'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2668714263498627023</id><published>2010-11-04T01:46:00.002-03:00</published><updated>2010-11-04T02:40:56.709-03:00</updated><title type='text'>Meu balanço das eleições 2010</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um circo. Quem gosta de faturar com a desgraça alheia não pode ter deixado passar a oportunidade: as eleições estaduais e federais no Brasil este ano foram uma palhaçada do pior mau gosto. Começou pelos presidenciáveis que polarizaram grande parte da atenção no país: Dilma Rousseff e José Serra. Pelo pouco que acompanhei do fuzuê, parece que Serra iniciou os ataques, em grande parte compostos de nonsenses tão imbecis, mas tão imbecis, que segmentos inteiros da população entraram na onda. Basta ver a quantidade de evangélicos que saíram espalhando por aí que Dilma iria regular e restringir suas atividades religiosas; recados do Orkut, mensagens no Twitter, caixas de entrada e spam nos e-mails de cada internauta brasileiro açularam as bestas de plantão, que caíram fácil nas redes de engenharia social de trolls variados (evangélicos, militantes ou não).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Rio Grande do Norte, votei apenas pros deputados federal e estadual; nenhum senador merecia meu voto, e não me senti à vontade pra votar nos candidatos a governador, de modo que anulei meu voto pra esses cargos. Para presidente, votei em Dilma nos dois turnos. E, em perfeita sintonia, o circo também rolou aqui no Estado: tive a infeliz oportunidade de conferir de camarote, ali no Relógio de Sol da Via Costeira (em Natal), a galera entupindo a avenida de carros e comemorando a vitória de uma das senadoras menos produtivas da Federação. Sinceramente, eu não esperava que os outros candidatos, em especial Iberê e Carlos Eduardo, vencessem o pleito; mas não contava que o processo se definisse tão rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao panorama nacional: mencionei apenas o caso de Serra por assumir meu receio generalizado do que a candidatura dele representou. Porém, para meu desapontamento Dilma também entrou no circo. Não que eu nutra simpatia pelo PT ou pela figura histórica dela, mas porque, tendo sincera esperança de votar nela pra continuar as melhorias do governo Lula, sabia que ela estava arriscando demais o próprio couro revidando mr. Burns com disparates em níveis tão baixos. E não tem a ver com moralismo barato; embora eu discorde de Maquiavel a respeito do divórcio entre moral e política, concordo com ele em que a construção de uma boa imagem para o governante - ou seja, o "márquetis" político - é importante para que ele seja admirado pelos governados, o que, no caso de Dilma, influenciará sensivelmente em seu desempenho como futura presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se não bastassem as apurações do segundo turno nas eleições presidenciais - e por que bastariam? -, uma usuária do Twitter conseguiu atrair para si as atenções do país inteiro, demonstrando inconseqüentemente sua raiva contra os nordestinos (ela é paulista). O caso parou na OAB, a menina deletou a conta que tinha na rede social e criou outra, mas não adiantou. O cabaré ainda tá pegando fogo, e não tenho idéia de quando os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;flames &lt;/span&gt;vão aquietar. Do jeito que as eleições passaram, os adversários políticos de Dilma vão passar os quatro anos de mandato sempre alertas, prontos pra desferir voadoras com os dois pés nos peitos dela, seus aliados e, por tabela, beneficiados diretos e indiretos dos programas sociais que ela, espero, mantenha (e reformule). Até 2014, é bem provável que mais trolls apareçam e espalhem boatos a torto e a direito, inaugurando mais um capítulo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso escrito, você, que leu e não entendeu muita coisa: não se preocupe, é que tô atordoado com a cretinice fora de série que atraiu parte de minha atenção nesses últimos meses. (Só não reparei em tudo porque tenho uma monografia pra escrever, uma seleção de mestrado pra participar, e ainda tem o vício da net que me atrapalha.) No fim das contas, Dilma venceu; espero que o governo dela seja o melhor possível - diferentemente do governo do RN, porque não espero boa coisa de uma mulher filiada ao DEM. Só que, daqui em diante, meu ceticismo quanto às instituições políticas brasileiras vai crescer de maneira mais ou menos acelerada. Daqui a um tempo, a probabilidade de votar nulo ou de não comparecer pura e simplesmente às urnas será maior. E, se a coisa piorar de vez, vou tratar de ir atrás de uma passagem pra fora de Pasárgada...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2668714263498627023?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2668714263498627023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2668714263498627023&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2668714263498627023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2668714263498627023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/11/meu-balanco-das-eleicoes-2010.html' title='Meu balanço das eleições 2010'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3867341120011583178</id><published>2010-09-13T01:47:00.005-03:00</published><updated>2010-09-18T02:24:16.664-03:00</updated><title type='text'>Pink Floyd e Sailor Moon</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;Já tem tempo que isso aconteceu, mais ou menos três semanas. (Não estou confiando muito em minha memória sobre quando foi, mas que se lasque.) No Twitter, um de meus seguidores solta: "Pink Floyd no topo da minha playlist me faz menos viadinho?" Me lasquei de rir na hora. Ele: "Eu pergunto, né? Vai que..." Eu: "O que me faz perguntar: gostar de Sailor Moon me faz menos hétero?". Ele: "A menos que o sujeito tenha atração por lolitas... identificação na certa." Voltei a me lascar de rir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;Erotismo e sexualidade são um negócio tenso. Georges Bataille escreveu lá, nas primeiras páginas de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;O erotismo&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;, que o erotismo é, "na consciência do homem, aquilo que põe o seu ser em questão" (p. 7 da tradução portuguesa). Não se trata apenas de parafilia, bacanal ou frigidez. A sexualidade, assim como o erotismo, dão muita mostra do ser humano enquanto indivíduo e enquanto membro de coletividades quaisquer (social, cultural, psicológica etc.). Prova disso foi a breve troca de 140 cpt - isto é, caracteres por tweet - que resumi acima.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;Certas mostras da manifestação de ambos indicam, no entanto, irônica ou literalmente, a cristalização de um imaginário sexual e erótico mais ou menos demarcado. Pink Floyd estaria em grande parte, então, no gosto de indivíduos heterossexuais, e menos presente entre homossexuais; já Sailor Moon, um anime &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;shoujo&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt; (para mulheres) seria associado a garotinhas frescas, e assim por diante. Ocorre, porém, que o próprio Sailor Moon fez sucesso entre o público masculino, e as músicas de Pink Floyd não se dirigem especificamente a um público heterossexual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;E, ainda assim, a cristalização dessas manifestações - no caso, associando um gosto musical ou audiovisual às preferências sexuais/eróticas - é compartilhada por um monte de gente. Não é à toa que ri das mensagens trocadas com &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 255);" href="http://twitter.com/evbreal"&gt;ele&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;. Ainda bem que ri, porque em grande parte do tempo não é o que acontece &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;pelaí&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;Em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;Beautiful Boxer &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;(&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ekachai Uekrongtham&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;, 2003)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;, filme tailandês contando a vida do lutador de muai-thai transsexual Nong Thoom, há uma cena no fim do filme na qual um menino executa uma dança tradicional feminina, como o fazia o protagonista quando criança. Ele - ou melhor, ela, já que fez a mudança de sexo em 1999 - pede ao menino que pare com a dança, uma vez que não faz parte das práticas sociais relacionadas ao gênero masculino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" &gt;Talvez eu tenha misturado os jargões, as idéias, os gêneros... E, num certo sentido, é o que acaba acontecendo hoje em dia, mais do que nunca. É difícil demarcar o que é ser homem, mulher, gay ou lésbica, se se pretende tratar essa classificação em termos precisos; da mesma forma, não há como sair rotulando, atribuindo etiquetas de quem deve gostar de brincar de carro, de casinha, de bola de gude ou de médico. Dá pra gostar de Sailor Moon, Pink Floyd, de ambos - ou de nenhum. E aí? O que me faz ser quem sou? Só não é uma banda de rock progressivo nem um anime &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shoujo&lt;/span&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3867341120011583178?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3867341120011583178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3867341120011583178&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3867341120011583178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3867341120011583178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/09/pink-floyd-e-sailor-moon.html' title='Pink Floyd e Sailor Moon'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-8188471332288376674</id><published>2010-08-25T20:03:00.002-03:00</published><updated>2010-08-25T21:13:36.232-03:00</updated><title type='text'>Mensagens de aniversário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É bom receber mensagens de aniversário, mesmo que seja de vez em quando. Desejo de um ano melhor? Mais grana, mulher e putaria? Mais saúde ou juízo? Em todo caso, as intenções são, geralmente, boas, mesmo quando se trata de humor negro; até eu já mandei algumas, pelo Orkut, felicitando o aniversariante por MENOS um ano de vida. Com efeito, uma das funções do aniversário é essa: lembrar que ganhamos um ano no cartório e perdemos um pros vermes, ladrões de tumba ou dragões de Komodo. A diferença óbvia é que ficamos sabendo quantos anos ganhamos, e não quantos ainda restam pra perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, eu tenho lá meus receios de mandar mensagens de aniversário. Primeiro, porque a coisa tem um aspecto enjoadamente formal, que não se perdeu nem mesmo com as redes sociais. Lógico que nem todo mundo recebe mensagens de todo mundo (de seus contatos, melhor dizendo), mas pelo menos se gosta quando se recebe uma mensagem inesperada (e quando  se recebe uma resposta de sincera gratidão), não é verdade? O problema é que formalismos sociais, como as regras de etiqueta, são coisas para as quais ninguém liga, ou por não ver utilidade ou por não se achar digno de seguir. No fim das contas, muitas vezes acabamos por mandar mensagens a pulso (1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro motivo pelo qual não me sinto quase nunca confortável em felicitar alguém por mais ou menos um ano de vida diz respeito à linguagem - e, no que me diz respeito, no uso que eu mesmo faço dela. Sabe Roberto Carlos? É piegas? É, mas é verdade. Gosto muito dos amigos que tenho. Só que a criatividade em elaborar uma mensagem digna de cada um deles acaba no mesmo instante em que decido escrever. Me sinto muito mais à vontade comemorando o aniversário com eles, comendo, bebendo e conversando merda; sou mais espontâneo, menos ensaiado e previsível em tais ocasiões. Inversamente, às vezes chego a imaginar se não seria um pleonasmo de minha parte soltar um "feliz aniversário, que Deus te abençoe e que tenha mais um ano pleno de saúde, alegrias e conquistas" - e tanto mais pleonasmo quanto mais próximo estou deles, quanto mais intimidade compartilhada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) 14 anos morando em Natal não me fizeram perder - completamente - o sotaque soteropolitano original. "A pulso" quer dizer "à força", "feito de qualquer jeito".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-8188471332288376674?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/8188471332288376674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=8188471332288376674&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/8188471332288376674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/8188471332288376674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/08/mensagens-de-aniversario.html' title='Mensagens de aniversário'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-7112889300734686571</id><published>2010-07-21T15:41:00.003-03:00</published><updated>2010-07-21T17:02:03.927-03:00</updated><title type='text'>Cultural demais!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas semanas atrás, no janelão do MSN pra juntar a galera da SBPC 2010 por ocasião da reunião aqui em Natal, um cara reclamou da programação cultural do evento. Não tinha Elba Ramalho, Aviões do Forró nem similares. Achou a programação "cultural demais", com coisas de velho e sem atrativos pros estudantes. Tentei argumentar, em vão, que tinha muito material bom e que tava tudo OK, mas o resto da galera fez coro e fiquei sobrando aquela noite. Ajuntei: é pra beber ou pra se divertir? Parece que as reticências indicavam a primeira opção...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que lembrei de algo parecido em João Pessoa, quando estava no ENEL (Encontro Nacional dos Estudantes de Letras) realizado nos dias 10 a 17 de julho últimos? Ouvi em alguma noite, não lembro ao certo em qual das festas (a memória oscila entre Norte, realizada no domingo, e Centro-Oeste, na segunda), mas o tom de reprovação era o mesmo. A situação era ainda pior, porque as festas e o equipamento de som só eram liberados até duas da madruga, para raiva de alguns e alívio de outros (e conformismo forçado de uns outros, como eu). E, de forma parecida, nem todo mundo curtia as festas como gostaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putaria é bom e eu gosto. Aliás, rolou bastante dela no ENEL - ainda bem! Galera do Rio tirando onda com os proibidões e os pot-pourris em ritmo de samba perto do aloja, o tambor de crioula e o cacuriá do Maranhão, o povo do Sul lubrificando os enelianos... Num encontro de estudantes feito por estudantes e para estudantes, a mistura rolou solta. Foi um modo oportuno de compensar os horários curtos das apresentações regionais, principalmente do Nordeste - já pensou, nove Estados mal terem tempo de mostrar sua cultura? De forma que não acho que a programação cultural foi lá tão elaborada, mas os estudantes se movimentaram como puderam; muita gente se divertiu, e (desculpem o cálculo utilitarista barato) foi feito o maior bem possível para todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, quanto à SBPC, é capaz que eu pegue a pecha de aristocrata, pedante, elitista ou coisa do gênero. Já disse: adoro putaria. Vou no Iutúbis procurar Gaiola das Popozudas, UDR, Mamonas Assassinas e o escambal pra escutar; na hora do forró mesmo, nem ligo pro repertório, contanto que tenha mulher a fim de dançar. Só que, sinceramente, não dá pra fazer zoeira em todo canto, né? Além do mais, se é pra ter o direito de escolha e espaço pra novidades, tem mais é que fazer coisa decente. Só pela abertura: Zeca Baleiro e Tom Zé. Zeca Baleiro é bem conhecido do público brasileiro, suas composições são ótimas e tem um bocado de gente que conhece; mas, e Tom Zé? Putz, o cara é o único da Tropicália que se manteve no lado B e com boa produção, além de ser  razoavelmente simpático a coisas como É o Tchan (vi isso numa entrevista que ele deu a... Bom, lá no site dele tem a entrevista, depois boto um link pra ela). E quase ninguém ouve falar. Tá bom, podia botar Elba Ramalho também... Mas por que Aviões do Forró? Eles já não fazem shows direto por aí? Tem que vir justamente pra SBPC? Deus é mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: duvido muito que a coordenadora da SBPC Cultural queira botar bandas desse naipe na programação. Segundo, mesmo que quisesse, duvido muito que tivesse orçamento suficiente pra pagar o cachê. Terceiro, se tivesse os dois, será que a repercussão seria boa? Duvido mais ainda; eventos como a SBPC não são lugares pra mais do mesmo, quando tem um monte de gente fazendo trabalhos bacanas e de agrado a muita gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar que só tô falando de música. Deixei de lado teatro, dança, artes visuais, cinema, literatura... Navegar é preciso, pesquisar é preciso, se divertir (1) é preciso - mas também é preciso abrir espaço pra diversão de boa qualidade. Tá, ainda o papo de aristocracia? Minha gente, basta que o produto arranque a gente do cotidiano ao invés de nos fazer mergulhar nele (ou, pelo menos, fazer mergulhar depois de nos arrancar)! Infelizmente, gosto não se discute, se lamenta. Mas estarei junto com a galera da SBPC curtindo a cultural assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Não vejo a hora de comprar a Gramática do português brasileiro, de Mario Perini. Já veio tarde um manual pra garantir que não há nada de errado com os sinclitismos pronominais do português brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-7112889300734686571?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/7112889300734686571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=7112889300734686571&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7112889300734686571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7112889300734686571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/07/cultural-demais.html' title='Cultural demais!'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-662863084055217668</id><published>2010-05-08T01:55:00.003-03:00</published><updated>2010-05-08T02:14:58.725-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='afetividade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autocrítica'/><title type='text'>Vivendo às escondidas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em certas circunstâncias da vida, se há uma coisa que magoa a muitos de nós, é ter que se esconder para viver. De forma permanente? Não sei. Por vezes, é bem possível – e até mais freqüente do que eu possa imaginar – que a existência se apresente como um saco envolvendo a cabeça e asfixiando; alguns chegam mesmo a pedir pra sair, fartos de tanto desgosto e amargura. O limite entre essa condição, doentia, e uma supostamente tranqüila é tênue e cego. Mas deixemos essa indagação de lado, por já ter sido devidamente explorada por filósofos, romancista, cineastas e outros desses indivíduos dedicados a queimar os neurônios explorando situações efetivas e hipotéticas nas quais a tônica da angústia se mostra presente de cabo a rabo. Sejamos mais modestos: examinemos um episódio que se passou comigo duas semanas atrás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu tinha ido a São Luís: participar dum encontro de estudantes, conhecer a capital maranhense, tomar Jesus, dançar um bom reggae de radiola... e encontrar pessoalmente uma garota com quem havia paquerado no MSN por mais de quatro meses. O clima antes de eu viajar não era dos melhores, mas estava disposto o bastante para curtir o feriado de Tiradentes com ela. Havíamos marcado o encontro para meio-dia, restando decidir o local (que deixei para ela fazer). Cheguei na cidade de madruga, mandei um torpedo. Perto de meio-dia, nada de ligar; mando outro torpedo, ligo algumas vezes. Nada. Com sorte, consegui ligar pra casa dela, isso lá pelas três da tarde; marcamos então o encontro para as quatro e meia, lá na Praça Maria Aragão. Não deu: a mãe, que parasita (eu não sei de palavra mais adequada, vai essa mesmo) diversos aspectos da vida dela, inventou de acompanhá-la. E eu, entre ansioso e lerdo, ia num carro até a Litorânea com um cara da delegação da UFRN, uma amiga minha e uma amiga dela (de minha amiga, lógico). Liguei, liguei várias vezes; a mulher que eu deveria encontrar manda uma mensagem dizendo que tentava despistar a mãe, sem sucesso. Continuei a ligar outras vezes; meus telefonemas não foram atendidos nem retornados. Passei a tarde numa mesa de bar, já com uma outra amiga minha e o namorado, que haviam se juntado a nós no meio do caminho. Chegando à praia, procuramos um bar; enquanto conversávamos, não cessei de fazer muxoxo, visivelmente puto com o que estava acontecendo. Não havendo o encontro com ela, só me restou aproveitar a primeira noite do encontro de estudantes, que felizmente foi ótima.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na quinta, já na UFMA, recebi uma mensagem após acabar um mini-curso que assistia. Ela ainda queria me ver. Em “vinte minutos” estaria lá; se atrasou, porém, e eu liguei um bocado de vezes – também sem sucesso. Sentado numa bancada perto da agência do Banco do Brasil lá na universidade, ela chegou por trás e se postou a minha frente; eu, já com a raiva e tristeza misturadas, dou um abraço mais ou menos estreito, mas recebo um tímido e sem sal. Ela ainda foi ao banco resolver umas coisas; saímos, tentamos puxar papo, e quando eu achava que poderia curtir um mínimo de tempo suficiente para dar um beijo (frouxo assumido, não teria como abordá-la de uma vez), que nada! O tempo era curto, só tínhamos mais meia hora até ela pegar o ônibus, voltar em casa e viajar pra outra cidade, onde trabalha como professora. Ainda assim, tive tempo para ouvir a desculpa do não-encontro: ela havia cochilado depois do almoço, não botando o celular pra despertar; quando estava saindo, inventou uma mentira idiota para a mãe, que então inventou de acompanhá-la. Minha reação? E quem disse que esbocei uma reação? Tudo o que fazia eram caras e bocas. Quando o ônibus chegou e ela teve que sair, ainda teve um monte de gente pra subir – tempo suficiente para dar um último abraço, desesperado e desenganado de uma só vez. Ela se despediu, dizendo que talvez voltasse a São Luís para me encontrar no final de semana. Ainda não era meio-dia quando nos separamos; antes de uma hora, recebi uma mensagem. Meus olhos eram lindos... Instantaneamente, minha temperatura emocional, que já não era baixa, aumentou ainda mais. E, depois do choque, só pensava em uma coisa: como seria melhor se não nos encontrássemos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nos dias seguintes, resolvi curtir o encontro e a cidade, aproveitando as energias disponíveis para isso. Dancei, conheci gente, saí pelo Centro Histórico, dei uns beijos; além disso, tive a agradável e gentil companhia de uma garota da UFRN, com quem me esbarrava direto. Uma ótima companheira de viagem! Mas, na volta para Natal, dentro do ônibus, conversava com ela sobre minhas peripécias. Logo após ela se virar pra dormir, chorei um choro silencioso, conquanto pungente e que aguardava por fluir em minha face. Ainda uns dias depois, já aqui em Natal, haveria de chorar de novo em frente ao computador, enquanto conversava com a garota ludovicense para compreender o que se passava com ela antes de nos encontrarmos. Além de ter a certeza do clima morno e sem grandes expectativas futuras para nós dois, ganhei de brinde um despautério: ela pensava que eu não gostava mais dela, não levando a sério minhas tantas ligações para ela! Ou seja, um novo capítulo de uma novela que havia conhecido dois anos atrás – mesmo em circunstâncias diferentes, com mulheres diferentes e sob tensões emocionais não tão diferentes... as duas amarelaram. As duas se arrependeram de não ter feito o que gostariam de fazer, e me fizeram pagar esse pato por duas vezes (1).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Meu consolo nos últimos dias tem sido as leituras de Freud; aliás, foi graças a ele que associei os acontecimentos resumidos no fim do parágrafo anterior. Compulsão à repetição é lasca; mesmo sem querer, sofremos as mesmas coisas pelas mesmas razões e, inconscientemente, nos sentimos impelidos a isso – há quem goste mesmo de viver sofrendo. E, enquanto as feridas não saram, recordamos e provamos da dor fina e lancinante alimentada pela memória, rancor, tristeza e um pouco de nostalgia (meu caso). Segunda-feira última, assistindo a um espetáculo de dança-teatro no DEART (UFRN), rolou uma música na trilha sonora que achei massa. Quando acabou, subi à base de pesquisa, entrei na net e procurei a letra; procurei a música, escutei, e descobri que já a havia conhecido antes: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Heroes&lt;/span&gt;, de David Bowie. Não foi exatamente minha história; felizmente, a minha foi menos ruim – o que não impediu de me identificar com uns versos. Seria mesmo um heroísmo passar um único dia com ela, digno de boas recordações, quem sabe... Só por um dia! Mas a fatídica quarta-feira foi dispendiosa, de modo que eu bem poderia passar por mártir se me deixasse contagiar completamente por tudo isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No mais, ainda bem que a vida anda. Dou graças a Deus por estar vivo, por ter os amigos que tenho e pela oportunidade de me dedicar a meus projetos. Foda é reconhecer que, na condição de crente desobediente que eu sou, só me lembro dEle nessas horas. Não me arrependo do que fiz, ainda mantenho a confiança na Internet e não deixarei de paquerar pelo MSN. Além do mais, se existe uma coisa que pode nos confortar, é a certeza de não precisar viver constrangido por ninguém: mãe (foi a mãe, raiva desgraçada!, que contribuiu para empatar o encontro – não sem a cumplicidade afetiva dela, claro), pai, a senhoria mesquinha a cobrar o aluguel (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crime e Castigo&lt;/span&gt;) ou a cabeça pesada por transgredir um dogma. Tentei impedir que ela fizesse a idiotice de não terminar o que começamos, não funcionou. Um dia ela se manca. E eu também, por falar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Na verdade, ninguém faz ninguém pagar o pato de ninguém. Eu só quis adotar um falso tom de vítima, pra variar um pouco e você pensar que eu não sei da condição de cúmplice de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-662863084055217668?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/662863084055217668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=662863084055217668&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/662863084055217668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/662863084055217668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/05/vivendo-as-escondidas.html' title='Vivendo às escondidas'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3178787636361664945</id><published>2010-03-16T19:10:00.002-03:00</published><updated>2010-03-16T20:06:26.154-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>Quatorze de março: impressões de dezesseis sobre o dia quinze</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Falsamente poético. O título, lógico: aqui neste blog quase não rola dessas coisas. Redondilha, alexandrino, tercetos, versos brancos; nem negros nem amarelos, pois que sou mestiço. Domingo agora, o dia nacional da poesia aqui no Brasil, eu em casa assistindo uns filmes e coçando o saco. Segunda, voltando à rotina indolente e preocupada, devido a uns golpes em meu orgulho de pesquisador de iniciação científica e à leitura maçante da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fenomenologia do Espírito&lt;/span&gt; de Hegel, mandarim dos infernos! Enquanto o orgulho não cria casca, tratei de matar aula (minha orientadora que não leia isso, senão vou pra cucuia)... pra conferir um bate-papo com a poetisa Neuza Pinheiro, na Escola de Música da UFRN. Bonita, já sessentona (cabei de descobrir no Google, para minha surpresa!), mas sempre conversadeira e convidativa: convidando o auditório a subir no palco e mandar seu recado. Daí uma amiga minha, estudante de Letras de lá e que tava na organização do evento, aproveitou pra dar um show à parte, com uma breve enxurrada de versos que me deixaram besta (nunca vi ela declamando com tanto gosto). Um veterano dela, violonista autodidata, dedilhando e se engasgando um pouco nas cordas; mas logrou arrancar elogios da platéia e da própria poetisa, que tem lá seu &lt;a href="http://www.myspace.com/neuzapinheiro"&gt;material musical&lt;/a&gt;. Inventei até de declamar uns versos que a convidada distribuiu, de um livro ainda por publicar (ela ganhou um prêmio literário uns anos atrás, os organizadores não cumpriram ainda com a obrigação de lançar 500 exemplares)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastou, no entanto, um único verso para prender minha atenção e a memória daquele encontro. Na qualidade de estudante de filosofia, não podia deixar de interpretar - uma faca de dois gumes, logicamente, conforme provado por Jacques Derrida ao longo de sua obra. (Ai meu Deus, só de pensar que preciso ler aquele alemão de Iena, pra melhorar meus estudos de filosofia contemporânea - incluindo o próprio Derrida!). Os versos foram escritos como se segue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;raiz&lt;br /&gt;é o riso da árvore&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: a raiz absorve os nutrientes brutos e simples da terra, para a nutrição da árvore, além de segurá-la, mantê-la rija, ereta e imponente. E qual terá sido a função do riso de Neuza Pinheiro senão a de prender e cativar o carinho dos alunos e professores ali? E a vontade, a gana? O mais importante é que, prendendo, terminava por dar bastante liberdade a quem quisesse acompanhá-la... Cabelos cheios, cacheados e tranqüilos como a fronde de uma árvore, sob a qual bem poderia ler uns versos, suprindo então minha deficiência de material poético. Espero que sirva pra alguma coisa (1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Decida aí o que vai servir pra quê. Tô com preguiça, vou jogar um pouco de xadrez e tentar ler Hegel.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3178787636361664945?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3178787636361664945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3178787636361664945&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3178787636361664945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3178787636361664945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/03/quatorze-de-marco-impressoes-de.html' title='Quatorze de março: impressões de dezesseis sobre o dia quinze'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2351068816156049641</id><published>2010-02-06T02:55:00.003-03:00</published><updated>2010-02-06T03:41:02.559-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='libertárias'/><title type='text'>Praia de nudismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Daqui a alguns meses, vai acontecer um encontro de estudantes de letras na UFPB, em João Pessoa. Daí vai rolar o que se espera de um encontro de estudantes: apresentação de trabalhos, debates sobre movimento estudantil... e passeios turísticos, naturalmente. Na comu do Orkut dedicada ao evento, rola um tópico sobre um dos destinos. Ponta do Seixas, a localidade mais oriental do País? Não. As praias de Tambaú e Cabo Branco? Bom, praia até que é, mas não fica em Jampa (1), e sim numa cidade próxima, Conde. Seu nome: Tambaba. Galera curiosa, pra saber quem tá a fim de ir, quem não vai, reações psicológicas e fisiológicas possíveis e imagináveis (isto por enquanto; ainda não foi postado algo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in&lt;/span&gt;imaginável) povoando a curiosidade de muita gente, incluindo eu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tambaba, Trancoso, Abricó: algumas das praias de nudismo no Brasil. Outras tantas pelo mundo: dezenas (centenas?) de outras pelos litorais afora, conquistadas pelos naturistas para a prática de sua filosofia. Rígida, por sinal - e bem de se esperar: não é qualquer um que tem cuião pra isso. Não basta tirar a roupa; precisa ter cuidado com o meio ambiente e aceitar o corpo que possui. Dizem até que faz bem à saúde, e até compreensível; nu em pêlo, posso ter pelo menos um pouco mais de vitamina D, pois sua produção depende da exposição da pele ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como será a experiência? Só indo lá na hora. Numa sociedade tão erotizada como a nossa, os obstáculos são previsíveis. Tem a água do mar pra disfarçar um pouco; um amigo meu comentou da possibilidade de tocar umas antes de entrar na praia, pra não passar vergonha e ser enxotado de lá. Ainda tô meio cético a respeito da ida, mas pouco a pouco tô ganhando um pouco de coragem (e maneirando, obviamente, na sacanagem). Me desejem boa sorte em Tambaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Assim como tem Sampa para São Paulo, tem Jampa para João Pessoa. Uma paulistana com quem esbarrei no Fórum Social Mundial, no mês passado, disse que também tem Sanca - São Caetano do Sul.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2351068816156049641?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2351068816156049641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2351068816156049641&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2351068816156049641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2351068816156049641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/02/praia-de-nudismo.html' title='Praia de nudismo'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-7044470014083059545</id><published>2010-01-07T14:37:00.004-03:00</published><updated>2010-01-08T18:06:04.300-03:00</updated><title type='text'>Infidelidade, velho afrodisíaco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quem nunca levou ou aplicou um par de chifres, pense se é a hora de atirar a pedra para não se ver alvo de pedradas. Não deixa de ser mais uma pedrada o livro da psicóloga francesa Maryse Vaillant, que versa sobre a infidelidade masculina e defende que ela pode ser saudável para o casamento (1). Divorciada, Vaillant declarou que sua relação havia sido "fiel" e "estável". No entanto, o estudo que realizou com a população masculina na França indicou que 39% deles já havia pulado a cerca ao menos uma vez na vida. O motivo é que o macho apenas precisaria de espaço, sendo contudo monógamo na medida em que continua a amar a parceira fixa. Além do mais, a imposição da monogamia, para ela, é um fato cultural, não natural. Por outro lado, os homens que não tiveram casos extraconjugais teriam "fraqueza de caráter"; seus pais teriam sido física ou moralmente ausentes, o que os levaria a idealizar as funções de um homem e se prender a tal imagem. Uma das notícias que li (cf. abaixo, em inglês) elenca alguns políticos franceses que assumiram a força de seus &lt;span style="font-style: italic;"&gt;affairs&lt;/span&gt;: Giscard d'Estaing, por exemplo, teve sua popularidade aumentada após um acidente de carro. A galera lá acreditava que a trombada com um caminhão de leite, ao amanhecer, teria sido precedida por uma visita à outra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Notícias são curtas, e tenho que ler o livro assim que ele chegar por estas bandas do Atlântico. A tese de que traição e amor não se excluem é mais aceita do que a prioridade da linguagem oral sobre a escrita. Na Roma do Império, os divórcios eram freqüentes - sem mencionar as bacanais promovidas por Calígula. Uma pesquisa da história da vida privada pelo globo seria interessante para comparar o&lt;span style="font-style: italic;"&gt; modus operandi&lt;/span&gt; da infidelidade, e encerro este parágrafo com um desejo longínquo de matar esta curiosidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na filosofia, existem várias histórias atreladas ao assunto. Enquanto houve celibatários famosos: Spinoza, Leibniz, Descartes e Kant, que é o alvo predileto da desconfiança acerca de sua solteirice empedernida entre os que se interessam pela área. Hegel teve um filho bastardo, que reconheceria uns anos depois doe seu nascimento. Mas as sensações mesmo vieram no século XX: o duo Sartre-Beauvoir, que moravam em casas separadas, mas tiveram saco de aturar um relacionamento aberto pelo resto de suas vidas, apesar do ciúme excessivo de ambos; Heidegger e Arendt, professor e aluna, se atracaram antes e depois da fama, ainda que a filósofa recriminasse a seu mestre e amante o silêncio sobre sua analítica existencial e o Holocausto. Mas quem avançou ainda mais longe na defesa do amor livre - no qual a própria idéia de infidelidade está ausente - foi Bertrand Russell; casado quatro vezes, fundou uma escola na qual pretendia educar as crianças de acordo com essa filosofia de vida, mas que não durou muito. Foi boicotado em algumas universidades norte-americanas, conseguindo uma vaga na Universidade de Princeton; foi o intelectual de filosofia mais polêmico da história da instituição, até a chegada de Peter Singer. Sua defesa do amor livre se encontra sintetizada em frases como esta: &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"&lt;/span&gt;Rapazes e moças deveriam aprender a liberdade de seus companheiros do outro sexo; dever-se-ia fazer com que compreendessem que nada dá a uma criatura humana direito sobre outra, e que o ciúme e o sentimento de posse matam o amor&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"&lt;/span&gt; (2). Será que a gente chega lá, Russell? Porque Sartre discordaria frontalmente de seu argumento...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O que me faz pensar o seguinte: tá bom, vamos acatar sua sugestão, Mme. Vaillant. Nossas patroas, de agora em diante, não se preocuparão com os beijos que tascamos nas piriguetes durante o carnaval; evitarão censurar aquele jantar a dois caro com uma beldade qualquer. Nós, homens, vamos participar de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ménages-à-troi&lt;/span&gt; com o único compromisso de vestir a camisinha. E deixar nossa marca, expandir nosso leque de parceiras, almiscarados e apoiados por uma nova ética conjugal... &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conquerire feminas necese&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas aí, Mme. Vaillant, lanço duas perguntas. Em que isso pode ser saudável? Até que ponto pode ser saudável? Estou bastante curioso a respeito dos dados de sua pesquisa, desde as estatísticas até o questionário, mesmo não sendo nenhum aficionado por psicologia. Porque vejamos bem: poderíamos estender essa garantia às mulheres? Elas podem sair por aí beijando e trepando com quem bem entenderem, sem um pingo de remorso e moralismo como nós? Mas ainda não cheguei ao essencial: mesmo que a infidelidade virasse a regra e os casais fiéis se tornassem motivo de chacota em algum futuro, que fazer daqueles ciumentos, patológicos ou não? Eles aceitariam apenas uma parte do trato, não se conformando nem mesmo em sonhar que a parceira guarda a camisa de um caminhoneiro cheiroso que encontrasse na estrada. Faça o que digo, mas não faça o que faço: vou comer Valesca Popozuda no carnaval carioca, mas ai de você se olhar para Rodrigo Santoro!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A segunda pergunta concerne à distinção natural/cultural. A distinção data do século XIX, e deu uma trabalheira enorme para os filósofos e cientistas; tanto Comte quanto Dilthey aceitam que há diferenças entre natureza e cultura, embora divirjam nos argumentos. Dilthey argumentou que haveria duas categorias de ciência, cada qual dando conta dos problemas específicos dessas dimensões: as ciências da natureza e as ciências do espírito. A psicologia, coitada, tá numa sinuca, pois não se decide entre uma e outra. Há correntes mais simpáticas à primeira das categorias, como o behaviorismo - ao passo que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gestalt&lt;/span&gt; e a humanista-existencial estão mais pro lado da segunda. Minha dúvida, então, é a seguinte: teríamos tanta razão em deixar a infidelidade pra lá? Cada qual com seu cada qual, mas creio que infidelidade é mais problemática em conseqüência de estar atrelada ao ciúme do que ser mera parte inerente do comportamento masculino. Resolver o problema da infidelidade deixando o ciúme intacto é fazer o trabalho pela metade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Luis Fernando Verissimo, em seu livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As mentiras que os homens contam&lt;/span&gt;, disse dirigindo-se às leitoras: "Não mentimos para vocês, mentimos por vocês. Os verdadeiros cavalheiros eram os que enganavam as mulheres. Os calhordas diziam, abjetamente, a verdade". Infidelidade está ligada, pelo menos por agora, à mentira. Esta, por sua vez, estava ligada ao ciúme no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;magnum opus&lt;/span&gt; de Proust, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em busca do tempo perdido&lt;/span&gt;. Lendo a obra proustiana, Deleuze afirmou que a verdade do amor é o ciúme - ou seja, a mentira, a desconfiança perante a pessoa amada. Gostaria bastante que tanto a infidelidade como o ciúme acabassem um dia, mas parece que é pedir demais do pessoal e, possivelmente, de mim mesmo. Além do mais, tem gente que adora seguir nessa condição, achando a vida terrivelmente monótona sem essas picuinhas. É claro que é a função de pessoas como Vaillant pensar em coisas pra segurar a barra, quando a situação escapole completamente para fora do controle de seus pacientes. Só me resta aguardar e acompanhar a repercussão do livro dela e aceitar o fato de que a infidelidade é o mais velho dos afrodisíacos que conhecemos. E o mais eficaz - perto dele, catuaba, mamão, banana, amendoim, camarão, ostra, o óleo de boto lá dos paraenses são café pequeno...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(1) Duas notícias sobre a autora: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/12/582788-psicologa+francesa+defende+infidelidade+masculina+para+ajudar+o+casamento.html (da Globo) e http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/france/6908022/Husbands-affairs-are-good-for-marriage-claims-French-psychologist.html (Telegraph, em inglês)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(2) O trecho é do texto "Aquilo em que creio", no livro "Por que não sou cristão". Quando lembrar da editora, boto a referência completa. A L&amp;amp;PM publicou também "Por que não sou cristão" e "No que acredito" (ou seja, o mesmo que "Aquilo em que creio", só que numa tradução diferente e num livro à parte).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-7044470014083059545?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/7044470014083059545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=7044470014083059545&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7044470014083059545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7044470014083059545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2010/01/infidelidade-velho-afrodisiaco.html' title='Infidelidade, velho afrodisíaco'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-4900279301079831326</id><published>2009-12-23T21:28:00.002-03:00</published><updated>2009-12-23T21:51:50.252-03:00</updated><title type='text'>Mensagem de Natal (autocrítica)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Dois anos atrás, escrevi, naquilo que seria o primeiro de meus blogs, uma mensagem de Natal. Dediquei a duas garotas que conversavam comigo a respeito do assunto. Elas, tão céticas, sem muito gosto pela festividade, cheia de brilhos falsos e gente hipócrita. Eu, ainda no começo da vida acadêmica, com muito calor pra dar e, naturalmente, uma boa dose de otimismo. O calor permanece intacto, apesar das bofetadas da vida, enquanto o otimismo ficou moderado, sob pena de virar papo de nefelibata. De qualquer forma, e a partir do que acabei de declarar, eu deveria estar bem, não é mesmo? Mas o fato é que, mesmo não dando muita corda pra isso de "Feliz Natal" (pois que "feliz" é um objeto inatingível, ao menos por agora (1)), e tendo uma série de opções do que fazer e com quem passar o 24-25 de dezembro, uma tristeza amena me assaltou faz alguns instantes. Meu olho dói um pouco, teimo em deixar a lágrima presa de onde esperava não ter que sair, não dessa forma. O pior é que ainda paquero com uma garota de São Luís; a ânsia de ir à Ilha do Amor é grande, o tesão por ela na mesma proporção. Que nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não há muito o que fazer agora. Vou parar de choramingar aqui, pra não virar uma pseudo-confissão - mesmo porque, no que me diz respeito, ainda nem confesso a mim mesmo como deveria. Quando sair deste computador, a postagem toscamente postada, pensarei. Amanhã eu ligo pra alguns amigos, saber se posso filar um pouco do rango deles e tal... Não é no intestino que a maior parte da serotonina é produzida? E conversar merda, e bater perna, e talvez sentir a lágrima palpitando e queimando meu globo ocular. Enfim: o futuro que se entenda com o futuro; vou tentar relaxar, e no momento adequado me decido. A quem puder, um bom Natal, sem felicidades, mas com um mínimo de calor no coração. Isso anda muito em falta hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Deixei de freqüentar o centro espírita ano passado; porém, mantenho ainda muita crença na frase do Eclesiastes, segundo a qual a felicidade não é deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-4900279301079831326?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/4900279301079831326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=4900279301079831326&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4900279301079831326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4900279301079831326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/12/mensagem-de-natal-autocritica.html' title='Mensagem de Natal (autocrítica)'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6590759247589175361</id><published>2009-11-02T16:53:00.002-03:00</published><updated>2009-11-02T18:58:00.205-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='guerra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dantescas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>A guerra na linha de serviços terceirizados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Raul Seixas compôs uma música, anos atrás, contra a obrigatoriedade do serviço militar. Parece que está no Metrô Linha 743 (está sim, acabei de conferir no mp3 que tá no pendrive). Nada de mais, apenas dizia: "Mamãe eu não queria/Mamãe eu não queria/Mamãe eu não queria/Servir no exército". Essas linhas vieram a minha mente como introdução para algo que gostaria de escrever sobre a terceirização da guerra pelo mundo. Foi duma entrevista que saiu umas semanas atrás (tá, já passou um tempo, mas dêem um desconto pela preguiça em comentar), com o &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16184"&gt;pesquisador italiano Dario Azzelini&lt;/a&gt;. "&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A guerra não é mais para instalar outro modelo econômico; ela é o modelo", afirma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;De hoje que há mercenários nas guerras pelo globo afora. O problema é que, no contexto do capitalismo de hoje em dia, ela está se inserindo como um ganha-pão tão rentável quanto o de um engenheiro ou um auditor fiscal. Em vez de ser algo pontual, para impedir ou promover a ascensão de algum regime político (como aconteceu na Nicarágua, por exemplo), se torna permanente; a toda hora, as companhias militares privadas (CMPs) são contratadas, seja por governos como o norte-americano, seja pela iniciativa privada. Os alvos podem ser tanto presidentes e ditadores como líderes sindicais e até agricultores; na Colômbia, estes perderam espaço para a agroindústria e os paramilitares, sequiosos de lucros e poder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas voltemos ao caso dos Estados Unidos. Lá no Iraque, as CMPs fazem de tudo: lavam, cozinham e ainda servem para receberem ordens. A diferença é que esses manicacas perfeitos vão se aposentar como civis, já que não fazem parte nem da US Army nem da US Navy. Os atentados são bastante paradigmáticos: quando chegam aos noticiários, só dizem que morreram tantas e tantas pessoas. Mas não dizem que várias delas são paramilitares, protegendo comboios oficiais ou mesmo forjando esses atentados, estourando bomba por aí. As baixas são baixas porque tem gente disposta a morrer por isso, ainda que sem as pompas exigidas de um militar oficial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Engraçado como os eventos se encaixam, ou pelo menos como os associamos. Jean Baudrillard, o mais adorniano dos filósofos franceses, escreveu anos atrás que a Guerra do Golfo não aconteceu. Polêmico, mas antiintuitivo, considerando o que soubemos da imprensa naquele que foi um conflito-relâmpago. Ocorre, porém, que o show &lt;em&gt;must go on&lt;/em&gt;. Li algures que o bangue-bangue entre a força de coalizão e os iraquianos tinha sido fingido; não que não houvesse guerra, mas que ela foi ainda mais curta do que se soube. Muito simples: os militares norte-americanos brincaram de polícia-ladrão, explodindo alguns torpedos e mísseis como se fossem balas de festim, só para atrair audiência (como aconteceu no Vietnã, no governo de Lyndon Johnson, em 1964; e, como acabo de descobrir, com o 11 de setembro - aqui vai &lt;a href="http://www.versoereverso.unisinos.br/index.php?e=1&amp;amp;s=9&amp;amp;a=5#3v"&gt;um texto dum pesquisador da PUC-RS sobre o assunto&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Pois é, Raulzito... Ninguém quer servir no exército, mas sempre tem alguém interessado em ganhr grana com isso. A carreira não é bonita, mas se o cara consegue voltar vivo pra casa pode passar o rodo no eBay e até levar os amigos (também mercenários) prum motel, chamar umas putas e fazer um ressacão. Aqui no Brasil, os traficantes já derrubam helicóptero com antiaéreas, e os militares organizam grupos de extermínio ou milícias para oferecer "segurança"; alguns deles até foram combater no Iraque. Em tempo: acabo de conferir (com um ano de atraso, claro) que &lt;a href="http://projetosili.blogspot.com/2008/08/mercenrios-da-blackwater-j-operam-no.html"&gt;tem mercenários da Blackwater atuando no Brasil junto à Halliburton&lt;/a&gt;, petroleira já de olho no petróleo de pré-sal. Que beleza, hem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6590759247589175361?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6590759247589175361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6590759247589175361&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6590759247589175361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6590759247589175361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/11/guerra-na-linha-de-servicos.html' title='A guerra na linha de serviços terceirizados'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2728011241280565056</id><published>2009-10-01T00:59:00.003-03:00</published><updated>2009-10-01T02:19:37.012-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mesquinhez'/><title type='text'>Um copo de suco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A fome apita, vou comer. Vou ao restaurante popular, passo pela fila, pago. Entro noutra fila, espero o prato e os talheres, pego o prato e os talheres. Vou almoçar, feijão com arroz e farinha. De sobremesa, suco de goiaba e rapadura. A comida tava boa. Acabo de almoçar, vejo vários copos dispostos sobre a bancada. Cheios de suco de goiaba. Vou pegar um copo. O servente pergunta se já peguei, digo que sim, reclama. Replico, sobrou suco, é um desperdício deixar os copos lá em cima. Mesmo porque os últimos a se servirem já estavam por pegar seus copos. Porém, os serventes continuam a dizer que não posso. Saio do restaurante, penso na ignomínia que acabo de ouvir. Não seria o caso de almoçar meus miolos, fritos de raiva silenciosa e indignação? Ou deveria entupir o prato até as bordas, comer metade e levar metade numa vasilha? É cada uma que aparece...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2728011241280565056?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2728011241280565056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2728011241280565056&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2728011241280565056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2728011241280565056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/10/um-copo-de-suco.html' title='Um copo de suco'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-5571698185318623058</id><published>2009-09-29T23:35:00.002-03:00</published><updated>2009-09-30T00:39:28.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Na diáspora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Li, un meses atrás lá no Rio quando fazia intercâmbio, uma coletânea de textos do sociólogo Stuart Hall. Organizada por Liv Solik, a obra se chama &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Da diáspora: identidades e mediações culturais&lt;/span&gt;. Na qualidade de coletânea, representa menos uma obra acabada do que uma série de conferências, capítulos e afins nos quais o sociólogo jamaicano expõe alguns de seus conceitos. Em alguns deles, acho (é possível que eu tenha lido algo na net e esteja confundindo as fontes), Hall menciona que sua própria trajetória de vida está intimamente relacionada a seu trabalho: saído de sua terra natal aos vinte e poucos, foi para a Inglaterra e só retornou quando já havia adquirido reconhecimento enquanto pesquisador e pensador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seria, então (1), a diáspora? Uma relação no qual um indivíduo se sente pertencendo à sociedade na qual cresceu e da qual se afastou por um longo tempo. Essa relação, no entanto, apresenta duas características. Por um lado, tal indivíduo não se identifica com a sociedade em que se acha atualmente, ou pelo menos não é visto como, digamos, crescido nela, partilhando dos hábitos, costumes, dinâmicas, laços históricos, culturais e sociais comuns; por mais que Hall desejasse ser um autêntico inglês, por exemplo, ele não conseguiria, uma vez que sua vida pregressa na Jamaica lhe deixou marcas, seja no sotaque, na visão de mundo, na fisionomia (!!). Por outro lado, a assimilação de traços sócio-culturais da sociedade atual faz com que o diaspórico não se ache plenamente reconhecível em sua sociedade de origem, sendo possível uma espécie de estranhamento a alguns de seus aspectos; de novo, o exemplo de Hall, que se sentiu meio deslocado quando retornou a seu país natal, já prestigioso, para conferências e estudos acadêmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia continuar com tantos outros: judeus, negros, emigrados mil que pululam por esse globo azul, meu Deus! Mas vou encerrar com o mais insignificante deles: o meu. Pois bem: mais de sete anos sem ir a minha terra natal, Salvador, passei lá menos de sete dias. Houve o ENEARTE - Encontro Nacional dos Estudantes de Artes -, aproveitei a ocasião pra mandar trabalho, interagir com a galera... O principal, porém, foi matar a saudade: não podia perder a oportunidade, ainda que bastante curta, de reencontrar meus familiares, amigos, e comer acarajé a preço de custo na Baêêêêêa, minha porra! E meu sotaque, de híbrido entre baiano e potiguar, se baianizava cada vez mais; o povo no ônibus da delegação da UFRN achava até que eu tava me exibindo, até o momento que souberam de minha naturalidade. (O que não quer dizer nada, pois meu irmão mais novo também é baiano, perdeu todo o sotaque dele e acha superengraçado o jeito de falar de um baiano típico.) Aí cheguei lá, me diverti, matei a saudade, comi o acarajé, gastei um pouco de meu parco baianês... Para ter um pouco de tristeza ao voltar em casa, já em Natal: mainha comentava que meus parentes se divertiam comigo, arremedando o jeito de falar dos potiguares. Como assim? Logo eu, que nunca me potiguarizei e sempre me achei baiano, mesmo tendo assimilado o vocabulário local e alterado a entonação? E é realmente esquisito, pois enquanto meus conterrâneos me reconheciam como qualquer outra coisa que não um deles, sou reconhecido como um deles fora de lá - e até mesmo por outros baianos (não apenas os de Salvador) que encontrei no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta. Devo abandonar meu sonho de retornar às origens; estou híbrido demais para isso, e graças à diáspora. Baiano demais para ser potiguar, potiguar demais para ser baiano? Eu ainda me recuso a ser potiguar, o que não significa que eu não me interesse pelas coisas que aprendi e desfrutei aqui; costumo dizer que conheço Natal mais do que muito natalense, e penso em viajar um pouco pelo interior pra conhecer os lugares. Porém, o afastamento de minha cidade de origem pode não ter me proibido de me identificar com ela, mas me impediu que os laços sociais fossem mais estreitos. Vou cantarolar um pouco de "Inclassificáveis" e ver se me consolo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Efeito retórico. Li o livro apenas uma vez, e desconheço os detalhes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-5571698185318623058?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/5571698185318623058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=5571698185318623058&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5571698185318623058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5571698185318623058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/09/na-diaspora.html' title='Na diáspora'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3334416514815387656</id><published>2009-09-12T03:09:00.003-03:00</published><updated>2009-09-12T04:14:38.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desespero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>O macho está morto</title><content type='html'>&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Que beleza! Sim, estou mortinho da silva. Mas sou apenas uma parte do assunto. Leio aqui no Yahoo! um texto de Xico Sá, no qual &lt;a href="http://br.noticias.yahoo.com/s/11092009/48/entretenimento-modos-macho-machoes-dancaram-velho.html"&gt;explica a defasagem cada vez maior dos homens em relação às mulheres&lt;/a&gt;. Apoiado nas pesquisas de um jovem economista norte-americano, o escritor declara: "Diante dos últimos estudos científicos, arrazoados econômicos e observações particularíssimas, creio só nos restar uma saída: a retomada da nossa vocação medieval e agropastoril". Logo eu, que fui criado à base de computadores, programação, libertinagem e a imaginação de um escritor canadense!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;A tônica do texto é descontraída, e talvez fosse melhor eu rir minha não-risada e ficar na minha. Mas ocorreu que pudesse brincar um pouco de ser filósofo e observar, em minha brilhante estupidez: se Nietzsche matou o homem e Foucault, o sujeito (e lá vêm os comentadores pra me matar de porrada por ter escrito isso; trabalho perdido, pois estou morto, já disse!), por que não posso afirmar, embora não com conhecimento de causa, que o macho está morto? Mas aí eu me lembro dos transsexuais, e divago: ué, mas isso já aconteceu faz tempo; cada vez mais há serviços de acompanhamento psicológico para eles, quando vão procurar um cirurgião pra mudar de sexo. Ou seja, não só pra matar a cobra como jogar o pau fora o mais longe da vista. Isso, aliás, já acontece desde antes a morte do sujeito presente nos textos de Foucault. Ou seja: alguém aqui está chovendo no molhado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;E o que aconteceu? Depois que Nietzsche matou Deus (na verdade, Sade o fez antes dele), ainda há devotos a torto e a direito. Após Foucault pedir pra gente ignorar o sujeito como ficção – ou seja, não só o sujeito está morto como simplesmente &lt;i&gt;nunca&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; existiu; depois ele escreve &lt;/span&gt;&lt;i&gt;O sujeito e o poder&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; pra dizer exatamente o contrário, que foi precisamente o sujeito o objeto de sua pesquisa -, ainda há quem acredite nesse conceito, oferecendo reformulações. E quanto ao macho? Ah, camaradas, não se preocupem: o que nossas mulheres (e as dos outros) querem é que nos tornemos gigolôs delas. Nada mais justo do que a retaliação por milhares de anos sob nosso jugo, não acham? Mas elas ainda precisarão de nós, nem que seja pra fornecer o sêmen para inseminações artificiais e anônimas!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;P.S. Agradeço a Lázaro pela revisão tosca na parte filosófica.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3334416514815387656?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3334416514815387656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3334416514815387656&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3334416514815387656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3334416514815387656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/09/o-macho-esta-morto.html' title='O macho está morto'/><author><name>Dixie Linha Plana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://3.bp.blogspot.com/_IvAkX4rjjoQ/SfhG-x8xnxI/AAAAAAAAAAM/xXuGocaw75g/S220/flatline.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-4700062689999425255</id><published>2009-08-18T16:55:00.002-03:00</published><updated>2009-08-18T18:13:04.403-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dantescas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obituário'/><title type='text'>Chuva de balas em Mãe Luiza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;De manhã, o telefone toca. Acordo, mas permaneço na cama esperando que alguém atendesse. Era pra mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;- Lázaro, me acompanha até o DOL? É porque ouvi falar que anda tendo assaltos por lá...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Cansado e puto por ter aceito o favor, desci até lá. Achei que era pra fazer (mal) as vezes de guarda-costas - logo eu, que não me engalfinho com ninguém faz cinco anos. Mas dei o desconto: se lá em Mãe Luiza as coisas mudaram durante os cinco meses que passei no Rio, é capaz que haja ocorrido o mesmo pelos arredores do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN, próximo ao bairro. De fato, a chapa em Mãe Luiza esquentou legal; enquanto eu assistia a TV ontem à noite , rolou um tiroteio. Eram onze horas ou meia-noite, não lembro; meu irmão abria a janela para curiar, e logo soube que um jovem que morava perto havia sido assassinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que, de manhã, voltando em casa pra pegar a mochila e me picar pra universidade, encontro o carro de uma emissora local em frente à  moradia do falecido? Gelei na mesma hora. Mais à frente, na esquina, vejo uma aglomeração de curiosos e um homem explicando ao repórter o que houve na noite anterior, apontando os buracos de tiros em sua casa. Lembrei de Jeremias e Mickey Knox, e do jornalismo policial dos últimos anos (como se sensacionalismo fosse algo recente!): dá sangue, mas também muito dinheiro pros  empresários e um prazer voyeurístico indescritível pra quem gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando à UFRN, vou a um evento organizado pelo Departamento de Artes. O assunto da conferência? Literatura de cordel e cinema, com foco na representação da figura do cangaceiro. Ela se apoiou no imaginário dominante naquela época - fins do século XIX até a década de 60 do século passado, se não me engano -, sem se referir ao desenrolar histórico dos fatos. E o que vemos? Um Lampião meio sanguinário, meio brabo, meio carinhoso - numa palavra, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estilizado. &lt;/span&gt;Claro que, durante o trabalho, o conferencista confrontou esses produtos cinematográficos e literários com depoimentos de pessoas que viveram próximas ao rei do sertão; porém, o que ainda prepondera no inventário popular, mesmo entre os nordestinos, é a imagem de um homem que faz oscilar entre a admiração e o temor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, tenho que concordar com um filósofo e sociólogo bastante cínico e apocalíptico, Baudrillard: a Guerra do Golfo não aconteceu. Mas quem se importa? O assalto a minha amiga lá no DOL não aconteceu; mas, diante dos assaltos já povoando a psique dos estudantes de biologia, quem se importa? O jovem lá no bairro também foi assassinado; mas será que os espectadores vão se importar em apurar os fatos e cobrar humanidade dos jornalistas que, freqüentemente, importunam famílias inteiras? Lampião deixou seu nome na história contra (?) os desmandos do coronelismo no Nordeste brasileiro, mas quem vai pesquisar sobre o cara, pra deixar de nostalgia amiúde exagerada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dose. Tenho que ir correndo contar à mãe de minha amiga que, apesar dos pesares, Natal ainda é uma das cidades mais tranqüilas do Nordeste (ou, pelo menos, uma das mais perigosas). Tenho que dizer pra ela o seguinte: se o bairro fosse assim tão perigoso, não haveria três motéis no começo da rua João XXIII, lá perto da praia e (dois deles) ao lado de uma escola primária. Além disso, preciso contar pra ela que tem muito urubu crescendo o olho pra cima de lá, doido pra tornar o local mais um bairro de elite, uma vez que é próximo da praia, do Centro, mercados, lojas e o escambal a sete. Preciso dizer ainda que, se ela quer realmente saber o que é uma cidade perigosa, que vá ao Rio de Janeiro (onde passei cinco meses estudando) e a Recife, mas que tenha consciência da espetacularização hedionda nos noticiários fedendo a molho pardo. Em tempo: o título é uma brincadeira de mau gosto com um espetáculo que acontece todos os anos em Mossoró, para relembrar a passagem de Lampião e seu bando pela cidade. Ontem à noite rolou um bangue-bangue lá pertinho de casa. Mas quem se importa?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-4700062689999425255?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/4700062689999425255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=4700062689999425255&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4700062689999425255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4700062689999425255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/08/chuva-de-balas-em-mae-luiza.html' title='Chuva de balas em Mãe Luiza'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-7647995677800216011</id><published>2009-08-16T17:15:00.005-03:00</published><updated>2009-08-16T18:54:37.598-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dantescas'/><title type='text'>Surrealismo, capitalismo selvagem e rock progressivo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Faz tempo que conheço essa música: baixei ela em 2006, acho. Mas só meu deu vontade de registrar impressões sobre ela agora. Antes disso, no entanto, penei pra saber que diabos Edgar Froese, do Tangerine Dream, queria dizer com "Green Desert", disco lançado em 1986 mas já pronto desde 1973. Vinha a minha cabeça uma densa floresta equatorial - tipo Amazônia, cada dia menos densa -, repleta de bichos, insetos e tudo que exige um bioma rico. Ledo engano. A última coisa que pode haver num deserto verde é diversidade: procurando no Google, o maior banco de dados já criado pelo ser humano, os termos "deserto verde" direcionaram para páginas sobre o fenômeno que denominam; arrancada a flora original, os empresários amenizam alguns efeitos, como a erosão, replantando com espécies não-nativas e de rápido crescimento, como o eucalipto (1). Daí o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fiat lux&lt;/span&gt;: a música narrava a construção de um deserto verde; veio como os estragos que o tal deserto produz - imprevisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei, então, o que não se deve fazer de maneira alguma com indivíduos de curiosidade mais criteriosa: explicar a canção. Seus 19 minutos e 37 segundos, característicos da onda progressiva de onde surgiu, representam uma verdadeira tragédia musical, comparável a sinfonias de Beethoven (2): movimentos distintos, cada qual apontando para um capítulo da desgraça. (Uns meses atrás, li na Wikipédia em inglês que Froese, o idealizador e único remanescente da formação inicial de seu grupo, queria fazer com a música o que Dalí fazia com o pincel.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros quatro, cinco minutos são o susto inicial. A bicharada, talvez  imersa nos instintos rotineiros de sobrevivência, se depara com a chegada do bicho homem e se agonia, assobiando ou gritando; a atmosfera é pesada, chegando a rolar forte ventania. Esta cena foi feita apenas (!) por sintetizadores; pra quem acha que música eletrônica se resume a bate-estacas, meus pêsames. Só por ser eletrônico não significa menos criativo, e não é necessário um megalômano feito Stelarc - que, na década em que a música foi gravada, havia declarado que o corpo humano é obsoleto e precisa de máquinas para sobreviver e ter suas potencialidades melhor exploradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, os trabalhos se iniciam: como que os homens levantam cercas, trazem a maquinaria pesada, separam um local para o escritório e o refeitório dos funcionários. Nada de mais; dali até Deus sabe quando, o pior ainda está por vir - independente de se implantar algo monocultor, pecuário-intenso, indústrias químicas ou de celulose. As motosserras dão seus primeiros gritos, abrindo clareiras que serão, com a ação meteorológica, substituídas por crateras mais ou menos perigosas: a bitola está nas gotas d'água e na força dos ventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso, até aqui, resumido em apenas nove minutos por Froese e em dois  parágrafos por mim. Fosse só isso, ainda ficava quieto. Mas é a partir dos nove minutos que a hecatombe começa a ficar interessante. A percussão tímida, elaborada com uns poucos batuques de bateria, já se ouve mais forte. É a correria crescente, tanto pela cobrança do capataz quanto pela grana investida no negócio. Os arredores ainda são dominados pelo bioma que, pouco a pouco, desaparece; chegamos aos doze minutos com a certeza de que, em não tão muito tempo, o corolário macabro se fará pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, do décimo segundo para o décimo terceiro minuto (afora os outros intervalos que preferi não mencionar), o peso do tom-tom, caixa, bumbo e surdo já alucinam os ouvidos. O órgão grave, igualmente tímido nos momentos anteriores, também empresta sua sonoridade para a destruição que se processa inexorável. Quem mais sente tal impacto, além dos tímpanos, é a pele: impossível não se arrepiar diante de uma sensação desse gênero (3). Os alicerces de concreto, já prontos, começam a ser revestidos de tijolos, fiação elétrica, cabos da rede telemática do local. Daí a algumas semanas ou meses,  cuidarão dos arremates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente - e isso lá pelo décimo sexto minuto, quando o grosso da correria acaba -, começa uma melodia que não saberia dizer: azeda? Perversa? Não importa. Tudo limpinho, organizado: nos interiores dos galpões, claro. Ao lado, uns cercados, prontos para receberem as mudas de eucalipto. Aqui no Brasil, o Espírito Santo tá aí pra contar sua história: seu Ermínio continua à solta com a Aracruz. Cada vez que a gente pensa que presenciou tudo, aparece uma merda pra nos passar a rasteira. Basta uma leitura de Millôr Fernandes, especialmente de seu "Decálogo": um homem é exatamente o contrário do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;If&lt;/span&gt;, de Kipling. Surrealismo e rock progressivo são pra quem já tá noutra vibe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Reflorestamento (pelo menos é o que diz a Aracruz).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Neste momento, Adorno se revira no túmulo. E eu regozijo com sua agonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Desculpem o cinismo. Mas é impossível não ser cínico nessas horas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-7647995677800216011?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/7647995677800216011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=7647995677800216011&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7647995677800216011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7647995677800216011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/08/surrealismo-capitalismo-selvagem-e-rock.html' title='Surrealismo, capitalismo selvagem e rock progressivo'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-9120366227340353763</id><published>2009-07-30T11:53:00.004-03:00</published><updated>2009-07-30T13:31:48.246-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dispêndio'/><title type='text'>Passando a porra na cara</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando a gente pensa que putaria só acontece nos dias de hoje, e mantém isso na cabeça, seja fazendo críticas moralistas seja rechaçando o passado, fica mais que óbvio que não sabemos de putaria nenhuma. Não, não me refiro ao Kama Sutra. Também não vou tratar das cartas que Platão mandava pra seus amantes (e isso apesar da fama d' &lt;em&gt;A república&lt;/em&gt;). Nem vou mencionar o caso de certas tribos na Índia, que promoviam a iniciação sexual a partir dos sete, oito anos de idade; nem de como isso pode ser aproveitado por Luiz Mott em sua defesa da pedofilia. Leio no UOL que um &lt;a href="http://minhavida.uol.com.br/materia.vxlpub?codmateria=5532&amp;amp;materia=5532&amp;amp;t=Creme+%E0+base+de+s%EAmen+promete+rejuvenescimento+facial"&gt;cirurgião colombiano fez um creme à base de sêmen&lt;/a&gt;. A inspiração? Madame Cleópatra, clássica rainha egípcia que só não fez um &lt;em&gt;ménage-à-trois&lt;/em&gt; com Marco Antônio e César por falta de oportunidade. No Papiro de Ebers, havia um tratado de medicina cheio de receitas pra tudo quanto fosse coisa. Entre elas, o tratamento que a danada fazia com suco de pica, seguindo o calendário lunar. O criador do creme afirma que o efeito de sua invenção dura 12 horas, com resultados instantâneos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pois bem: aí eu fico pensando nos filmes pornôs que assisto, nos bate-papos de que participo, nas coisas que escuto. Graças ao UDR, um dueto mineiro que só faz música pra lá de pan (ssexual, se ainda tiver dúvidas quanto ao significado; o que não dura por muito tempo, após pegar o material deles no Myspace ou YouTube), adiciono uma nova palavra a meu vocabulário: &lt;em&gt;bukkake. &lt;/em&gt;Vou procurar no &lt;em&gt;prêt-à-porter&lt;/em&gt; do viciado em Internet - Google - e saber que porra (!!) é essa. Além das várias páginas com vídeos e fotos, aparece um artigo da Wikipédia; atribuem a origem da prática aos japoneses, uma mulher havia traído o marido e ele, em repúdio, solta o leite na cara dela. Mas tem gente que acha que isso é lenda urbana, e o &lt;em&gt;bukkake&lt;/em&gt; só apareceu nos filmes pornôs a partir dos anos 80 - lá no Japão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Duvido que seja apenas uma lenda urbana. O trato do ser humano com o sexo, posições, perversões, tudo isso é mais antigo que o próprio ser humano; o diferencial é que, além de ser o único animal que ri ("e rindo mostra o animal que é" - Millôr Fernandes), é político e racional. Em prol de sua racionalidade, faz o que bem entender, e manda a galera às favas; Dostoiévski não perdeu um único tempo argumentando sobre o assunto em sua obra como um todo e nas &lt;em&gt;Memórias do subsolo&lt;/em&gt; em particular. Aliás, foi com ele que soube de uma das taras de Cleópatra: enfiar agulhas douradas nos peitos de suas amas e se divertir com os gritos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E Martín Carrillo não deixou por menos: recuperou o antigo tratado egípcio e meteu as mãos à obra. A indústria pornô, por seu lado, deve contatá-lo para algumas propagandas, além de ser um forte mercado consumidor. Pessoalmente, por mim tanto faz; nos vídeos, a coisa que menos me interessa é ver a estrela tomando banho de gala. Agora, não me farei de rogado em deixar minha querida mais bonita, se assim ela quiser...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;P.S.: tá bom que sempre tem putaria. Mas algumas dão um susto da porra (literalmente) por aí:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=oeiuFQy_wdQ"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=oeiuFQy_wdQ&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-9120366227340353763?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/9120366227340353763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=9120366227340353763&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/9120366227340353763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/9120366227340353763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/07/passando-porra-na-cara.html' title='Passando a porra na cara'/><author><name>Dixie Linha Plana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://3.bp.blogspot.com/_IvAkX4rjjoQ/SfhG-x8xnxI/AAAAAAAAAAM/xXuGocaw75g/S220/flatline.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-1474185830621413933</id><published>2009-07-16T14:32:00.004-03:00</published><updated>2009-07-16T19:40:17.288-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obituário'/><title type='text'>A morte de Michael Jackson: efeito supernova?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gente do céu, com todo esse bafafá sobre a morte do comedor de criancinhas (1) chamado Michael Jackson, acabei achando uma ótima leitura do efeito de sua morte na Internet. A postagem, de 28 de junho último, diz por si só. O autor é &lt;a href="http://www.philosophyofinformation.net/blog/index.html"&gt;Luciano Floridi&lt;/a&gt;, filósofo e pesquisador em filosofia da informação na &lt;a href="http://www.philosophyofinformation.net/index.html"&gt;universidade de Oxford&lt;/a&gt;; o link para a notícia completa, de onde veio o comentário dele, está &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/8120324.stm"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"A morte de uma estrela pode criar uma explosão que ocasiona a supernova. Uma onda maciça de energia irradia por toda a estrela, que aquece e depois explode. O clarão é tão brilhante quanto o de uma galáxia inteira e deixa em seu rastro uma estrela de nêutrons de giro rápido (2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte de Michael Jackson causou um efeito supernova parecido na rede esta semana. Inicialmente, quando as notícias de sua morte repentina se espalharam, o pessoal do Google pensou que estivesse sob um ciberataque. Você pode ver por quê neste blog. (3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhões de pessoas que pesquisaram pelo nome da estrela no Google News foram saudadas com uma página de erro: 'sua pergunta se assemelha a um pedido automático de uma aplicação de vírus de computador ou spyware.' Ou o impacto de uma estrela morta."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(1) Seria ele um comunista enrustido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Pulsar. (N. do T.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Aqui vai o endereço do gráfico: http://www.philosophyofinformation.net/blog/uploaded_images/_45974829_google-jacksos-bod-graph-742481.jpg (N. do T.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-1474185830621413933?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/1474185830621413933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=1474185830621413933&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1474185830621413933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1474185830621413933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/07/morte-de-michael-jackson-efeito.html' title='A morte de Michael Jackson: efeito supernova?'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3466415617442720217</id><published>2009-07-14T14:42:00.003-03:00</published><updated>2009-07-14T16:14:02.581-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autocrítica'/><title type='text'>Se não der, eu choro!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Este fim de semana último (1), quando eu tava matando o vício da Internet, no janelão do MSN uma mulher comentou que bebe pra se soltar (ela é muito tímida), mas tanto que termina por ficar bêbada. Em tom de troça, sugeri a ela que, se for apenas esse o motivo, que ela procurasse alternativas mais simples, como dançar um bocadinho e aproveitar o ensejo da quadrilha improvisada no ENEL (Encontro Nacional dos Estudantes de Letras), e que assim ela evitaria piadinhas bestas. Ela me respondeu que não tava nem aí, e que se nego chegasse falando merda ela mandava tomar no cu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ainda na semana passada, encontro uma colega de filosofia mais um amigo dela na rua; como não tínhamos nada a fazer, fomos a um bar beber algo e comer (eles; eu já estava com as tripas cheias). Do nada, a gente começa a falar sobre sexo, ela me dizendo que precisava transar mais, e que devia buscar experiências mil. A coisa chegou a ponto de, perguntando se eu já tinha ido a um baile funk, combinar com o amigo dela de arranjar pó pra eu cheirar, ficando assim mais liberto para um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ménage-à-trois&lt;/span&gt; ou coisa que o valha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas o que me espantou mesmo foi avistar, na capa de um jornaleco bastante popular no Rio, a matéria de um jovem fumante com a singela idade de dois anos. Isso mesmo, caro leitor: não é trote, não é boato, não é mais um desses &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hoaxes &lt;/span&gt;que vive recebendo em sua caixa de e-mail ou lendo por aí pelo ciberespaço. Tong Liangliang foi introduzido no vício por papaizinho querido, preocupado com as dores de hérnia que acometiam o guri desde o nascimento e com a impossibilidade de ele passar por uma cirurgia, por ser bastante novo. Tinha dezoito meses quando deu o primeiro trago. Hoje, aos dois anos de idade, enche o saco da galera pedindo careta pra fumar, e faz muxoxo se não lhe derem; todo dia consome um maço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SlzWVeLPLnI/AAAAAAAAAS8/EZ2F79viBtY/s1600-h/world_smallest_smoker.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 215px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SlzWVeLPLnI/AAAAAAAAAS8/EZ2F79viBtY/s320/world_smallest_smoker.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358393321029840498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pensei: não podia dormir sem essa. Em menos de uma semana, esses três episódios sem conexão aparente me deram, afinal de contas, algumas idéias esparsas (duas, três no máximo) para mais uma postagem. Uma delas se refere ao teor de sandice do ser humano (incluindo eu); por mais que ele se engane ou se segure (ou se recalque, diriam os psicanalistas), vive inventando desculpas estapafúrdias para justificar suas mesquinhezas ou simplesmente dar vazão a elas (2). A outra é minha estranheza a esse hábito, largamente difundido no tempo e no espaço, de recorrer a uma substância para obter algo, seja me soltar numa festa ou agüentar o rojão num motel por mais de uma hora (mesmo com o risco de gangrena). Raskólnikov, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crime e castigo&lt;/span&gt;, tinha uma teoria: se os grandes homens promoveram banhos de sangue em nome de suas idéias e foram absolvidos pela história, por que ele não poderia passar impune ao assassinar uma velha agiota e horrivelmente mesquinha? O problema, no entanto, foi que o ex-estudante se atormentou por um tempão antes de entrar na cadeia, não pelo ato - devo adiantar que ele não se considerou um criminoso -, mas por não ter passado pelo crivo da teoria, pois concluiu que havia matado um "piolho", e não um ser humano qualquer. De forma semelhante, as pessoas que se entopem de cigarro, maconha, birita e o diabo raciocinam: ué, xamãs, pajés, médicos, Huxleys e Hemingways se chapam na maior e ninguém liga; por que eu, merdinha que sou, não posso dar um trago, um gole ou uma fungada pra ficar ligadão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é brincadeira, minha gente. É claro que não me esqueço daqueles que, sem ter ingerido uma gota de etanol ou fumado um cigarro, fazem desgraças enormes e lavagens cerebrais no povo por aí. Prefiro me contentar com as merdas que digo durante um bate-papo mais ou menos animado (quanto mais animado, mais merdas eu digo e maior a probabilidade de eu soltar um impropério pesadíssimo). Se for pra sair na porrada (apesar de não saber o que é uma briga há quase seis anos) ou saber duma garota se ela tá a fim de uns beijos (mesmo que, o mais das vezes, eu não chegue junto), que seja sóbrio. E não tem nada de moralismo nisso. Vou procurar alguma celebridade histórica digna de meu interesse, que não haja usado drogas, e dar uma de Raskólnikov: provar a mim mesmo que não preciso de droga nenhuma pra melhorar minhas aptidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) De acordo com a gramática tradicional, isso seria rechaçado como pleonasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Millôr Fernandes elencou um pequeno repertório delas. Se não achar que é mentira, pode conferir aqui: &lt;a href="http://veja.abril.com.br/idade/estacao/veja_recomenda/100805/todo_homem.html"&gt;http://veja.abril.com.br/idade/estacao/veja_recomenda/100805/todo_homem.html&lt;/a&gt; O título, mais do que sugestivo, é &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:100%;"  &gt;As  maiores e mais constantes mentiras, ou autojustificativas ou tapeações,  humanas:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt; (sim, o título tem os dois-pontos)&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3466415617442720217?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3466415617442720217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3466415617442720217&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3466415617442720217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3466415617442720217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/07/se-nao-der-eu-choro.html' title='Se não der, eu choro!'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SlzWVeLPLnI/AAAAAAAAAS8/EZ2F79viBtY/s72-c/world_smallest_smoker.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2787265660932877726</id><published>2009-07-12T18:10:00.003-03:00</published><updated>2009-07-12T19:04:43.429-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autocrítica'/><title type='text'>Consumo, dinheiro, e assuntos afins</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Que intercâmbio caro, hem? Pra morar aqui no Rio tem que ter muita grana, o custo de vida não é brincadeira; meu balanço financeiro está virtualmente no negativo. Pra variar, além de gastar com o necessário (comida, livros, xérox, passagens pra ir às aulas de samba no Fundão - ainda bem que já acabaram, estudante universitário não paga meia, vê se pode!), gastei também com roupas (antevendo o frio que enregela mãos e pés, além de manter o resfriado), um jantar vegetariano, e outros itens desnecessários que não posso enumerar agora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vi uma vez, na contracapa dum livro de Scott Fitzgerald - &lt;em&gt;O grande Gatsby&lt;/em&gt; - que o cara tratava grana como se fosse água, vivendo sempre endividado. Ainda não cheguei a tanto, ou melhor: minhas dívidas ainda não chegaram a um nível alarmante. Deve ser porque funciono sob pressão; quando o balanço se encontra num vermelho bem quenga (que é pra aumentar a putaria), me seguro ao máximo pra evitar o pior. E o pior, nessa semana que passou, foi eu ter ido a Duque de Caxias despachar parte de minha bagagem feito besta, quando já no ônibus eu havia resolvido que ia levar tudo junto no avião - isto é, se não tiver que despachar parte dela noutro vôo; mas pelo menos vou pagar mais barato. Outra coisa interessante foi eu comprar um suspensório na Saara e esquecer ele, pura e simplesmente, no banheiro do IFCS enquanto botava mais um pouco do catarro, aliviando o resfriado; o que não me impediu de voltar e comprar outro. Mas o mais bacana foi rasgar uma nota de dois reais, que enganchou no zíper de minha carteira...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tudo isso, claro, são dados de uma intimidade que pode ocorrer a qualquer um (1). Tô vendo que o jeito é passar em concurso do Judiciário e apurar uns dois contos por mês, apenas como funcionário de nível médio. Mas isso não tem graça; só quero saber de concurso quando for pra professor efetivo de alguma federal interessante pelo País. Agora, que Arnaldo Antunes está errado, isso ele tá. (2)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(1) Vacilão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(2) Diz ele que dinheiro é só um pedaço de papel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2787265660932877726?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2787265660932877726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2787265660932877726&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2787265660932877726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2787265660932877726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/07/consumo-dinheiro-e-assuntos-afins.html' title='Consumo, dinheiro, e assuntos afins'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3805628833727152033</id><published>2009-07-03T20:07:00.002-03:00</published><updated>2009-07-03T20:41:37.961-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pós-modernidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obituário'/><title type='text'>Le roi est mort, vive le roi!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Já vai tarde. O povo é tão jururu, fica se importando com a vida alheia, quanto mais com a de um cantor que se via com o cu na mão devido a acusações de pedofilia; pra não mencionar o golpe que deu em Paul McCartney, tomando conta dos direitos autorais dos Beatles. Papai, que batia nele quando moleque, agora cresce o olho pros milhões que não recebeu de herança ("agora" é modo de dizer, porque os dois viviam num pega-pra-capar brabo com os direitos dos Beatles já citados); a enfermeira quer a guarda dos filhos, que estão sob custódia de mamãe. Nada mais justo pra uma criatura que pariu rebentos cuja paternidade foi posta em xeque: capaz que o dono do sêmen seja um cirurgião, ex-chefe dela, bem apessoado por sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pô, Linha Plana, você leitor deve estar pensando: dá um desconto, cara! Você mal e mal se firmou como pseudônimo ou heterônimo de sabe-se lá quem, não mostra seus dotes e fica escrevendo qualquer merdinha, sem saber mesmo se alguém vai se dar o trabalho de ler isto". Alto lá! Alto lá! Antes merdinha do que mal-amado! Mas, pensando bem, eu tô chiando demais, não é verdade? E o troço acaba tomando uma dimensão hipócrita, pois foi com o assim chamado rei do pop que aprendi a andar na lua. MJ era ótimo bailarino, tava ensaiando com força pra turnê que ficou por iniciar. Quem é que não imita a coreografia do "Thriller", aquela porrada de zumbis enchendo os olhos dos espectadores? E o "Smooth Criminal", com umas paradas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;breakdancing&lt;/span&gt; super bem boladas e aquela cena que o indivíduo se pergunta: comé que os bicho descem mais de quarenta graus inclinando pra frente sem cair? (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu &lt;/span&gt;me pergunto até este momento, tá?) Pra deixar isso de lado, só o "Black or White" que o popstar vira uma onça de sai quebrando tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo é momento de carpir, minha gente. Os camelôs estão faturando com os vídeos dos ensaios; a galera em Hollywood, com a Calçada da Fama, com filas comparáveis apenas ao antigo INAMPS (alguém ainda se lembra do INAMPS?). Tem gente que chora, que dança, que tira sarro com essa cambada de trouxa que gasta o dinheiro com a morte dele... Vou entrar num conservatório pra afinar meu gogó, e tomar umas aulas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;street dance&lt;/span&gt; pra caprichar nas coreografias e no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;MJ kick&lt;/span&gt;. Mas prometo às (improváveis) fãs que meu negócio será apenas com mulheres.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3805628833727152033?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3805628833727152033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3805628833727152033&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3805628833727152033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3805628833727152033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/07/le-roi-est-mort-vive-le-roi.html' title='Le roi est mort, vive le roi!'/><author><name>Dixie Linha Plana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://3.bp.blogspot.com/_IvAkX4rjjoQ/SfhG-x8xnxI/AAAAAAAAAAM/xXuGocaw75g/S220/flatline.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-958283819268134714</id><published>2009-06-18T20:53:00.002-03:00</published><updated>2009-06-18T20:55:13.773-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='academia'/><title type='text'>Glosando do ENEL</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Era pra ser apenas uma brincadeira. Mas não é que gostei do que escrevi? Um bicho abriu um tópico na comu do XXX ENEL no Orkut pra galera versejar. Olhem o que glosei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="font-family: verdana;"&gt;Mote&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pois também é muito bom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;botar língua pra brigar!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="font-family: verdana;"&gt;Glosa&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em julho vai ficar frio:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;enrolado no edredom.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas vai ter gente no Rio,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;pois também é muito bom&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;ficar ligadão no som!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Niterói, vamo pra lá,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;agito não faltará;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;tirar sarro dos mané,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;chegar junto das mulé,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;botar língua pra brigar!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-958283819268134714?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/958283819268134714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=958283819268134714&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/958283819268134714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/958283819268134714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/06/glosando-do-enel.html' title='Glosando do ENEL'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-4429509477659807617</id><published>2009-06-09T10:00:00.004-03:00</published><updated>2009-06-09T19:52:53.053-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autocrítica'/><title type='text'>Divagações apressadas sobre o processo da escrita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Curioso o adjetivo desta postagem: divagações &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apressadas&lt;/span&gt;. Quem escreve apressado (ou melhor, escrevia) é Chico Xavier, durante seus trabalhos como psicógrafo lá em Uberaba; mas ainda assim não é ele propriamente que escreve, e sim uma outra entidade. Afora mediunismos, não vejo como produzir um bom material apressadamente. Quer dizer, um bom texto, um ótimo texto só adquire tal qualidade após um estágio mais ou menos demorado de amadurecimento. Isso talvez leve apenas algumas semanas; porém, até o "apenas" é digno de suspeição. "Suspeição", por sua vez, talvez não seja apropriada, porque mesmo em algumas semanas é perfeitamente possível esquentar os neurônios ao máximo e fazer correr, com a tinta (1), material deveras explosivo - bons exemplos da filosofia são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Genealogia da Moral&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Assim falava Zaratustra&lt;/span&gt;, de Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, até chegar a esse nível de atividade mental é necessário esforço. Tanto maior ele quanto maior a preguiça de se esforçar. Eu, por exemplo, passo meses ruminando as comunicações que apresento nos congressos, ou simplesmente os trabalhos que preciso entregar na academia. Esboço qualquer coisa, tomo livros pra ler, vou ao Google atrás de material, devoro com os olhos (é possível devorar com outra coisa? Instantaneamente, acabo de realizar que sim; mas não permitamos que esta breve e inútil observação nos interrompa), concateno tudo com um pouco de paciência e sorte; e só no último momento, quando preciso entregar o artigo ou simplesmente ter o texto pronto, a fim de dispor dele livremente na hora da apresentação - só nesse instante que sento a bunda e desço a mão no teclado. O trabalho, no entanto, passa a redobrar, pois é um olho na ortografia (2) e outro na argumentação. Isto feito, corrijo mais um pouco, e só então o treco fica pronto. Devo observar que o só acontece desse jeito se o computador que eu estiver usando não possuir conexão com Internet, senão o viciado aqui começa a fuçar o Orkut alheio ou matar o vício do xadrez, que foi o caso ainda há pouco. Pelo menos em geral fico satisfeito com o resultado, a não ser que esteja com uma tremenda preguiça no momento do processo, o que me causa desapontamentos futuros. Mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caesari quod Caesaris&lt;/span&gt;, não é verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito da escrita em geral, achei uma definição fabulosa no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conversas com Woody Allen&lt;/span&gt;, de Eric Lax. Em uma das partes ("Escrever"), o cineasta nova-iorquino apresenta a definição de um colaborador seu, Marshall Brickman: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pensar&lt;/span&gt; é que é escrever; escrever é pôr no papel" (pp. 167-168). Um outro fato correlato, porém, é que nós pobres mortais ainda ficamos perplexos com as dimensões dessa atividade; nem mesmo estar próximos de um indivíduo como Woody Allen, nem mesmo sua atual esposa, Soon-Yi Previn. Eu, particularmente, fico besta com o impressionante volume de poemas que um colega meu da iniciação científica, André, produziu até fevereiro deste ano, quando vim pro Rio. Matéria pra dois bons livros, com farta expressão de uma escrita que eu poderia adequadamente chamar de "turbilhão onírico"; alguns dos poemas estão disponíveis no blog dele, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pequenos Finais&lt;/span&gt;, relacionado num dos painéis à esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, por minha vez, não ando tão inspirado. Sou uma negação em poesia, arrisco uma prosa de vez em quando, a tônica principal de minhas postagens é conseqüência das leituras de filosofia: argumentação a torto e a direito. Um bocado de devaneio também. Um pouco de preguiça, bastante agonia com as provas de fim de semestre; mas nada que me impeça de digitar qualquer merda, só pra ver se alguém lê e me desmente ou confirma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Ou com merda, conforme Sade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Tem um negócio chamado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, mas que ainda não procurei saber direito como funciona. Alguém pode me dizer quando o governo brasileiro vai cair em si e retroceder? Pois Portugal tá cagando e andando pra ele...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-4429509477659807617?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/4429509477659807617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=4429509477659807617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4429509477659807617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4429509477659807617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/06/divagacoes-apressadas-sobre-o-processo.html' title='Divagações apressadas sobre o processo da escrita'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6582085873800218084</id><published>2009-06-01T19:31:00.002-03:00</published><updated>2009-06-01T20:33:04.782-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gênero'/><title type='text'>Na aula de samba</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando se conversa com uma mulher, devemos evitar perguntar três tipos de coisas: sua idade, seu peso e seu ciclo menstrual. Qualquer curiosidade fora de hora ou proposital é singularmente perigosa, já que, depois de milênios de condicionamento social e maneirismos adquiridos, continua baixa a probabilidade de o rumo dos acontecimentos sofrer uma transformação, por pífia que seja. Por exemplo: freqüentemente, quando inquirida sobre sua idade, a mulher sempre vai se sentir muito velha ou muito nova, ficando assim grilada com o que seu interlocutor venha a deduzir daí; se o assunto for peso, também vai haver a falta de segurança, e a queridinha vai reclamar do excesso ou falta (normalmente do primeiro); se, enfim, for o caso do ciclo menstrual, não acho absurdo que uma garota meio paranóica venha a pensar que seu namorado, amigo, pai etc. pensa que ela é um pântano ambulante. (Quando se tratar de mulheres fora do período fértil, o temor se deslocará para o extremo oposto - um pedaço de carne seca e ressecada.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas que vacilo, hem, caro Lázaro? (Sim, Lázaro Barbosa, o dono deste blog e que me convidou para colaborar.) O homem me conta um episódio meio desagradável que lhe ocorreu durante a aula de samba de gafieira, na UFRJ. Durante uma aula cheia de gracejos - da parte dele, claro -, o monitor disseca um dos passos, explicando passo a passo como executá-lo. Pede às damas que, na hora de executar o giro - um de tantos possíveis, daquele que o cavalheiro tira a dama no impulso e a gira, empurrando-a pela anca -, &lt;em&gt;mostrem&lt;/em&gt; a anca para o cavalheiro. Primeiro de tudo: "mostrar" a anca?! Fica parecendo que, na hora do baile, a dama vai mostrar a marquinha de biquíni (daqueles fio-dental, com as asas chegando aos peitos dela) para o cavalheiro. Não seria melhor "levantar" ou "aproximar" a anca ao cavalheiro, pra melhorar o contato e a performance do passo? Talvez seja mais comprida e até esquisita, mas pelo menos não deixa muita margem a ambigüidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Pois bem: foi por conta de um gracejo seu (reconheço que ele tem umas tiradas interessantes num bate-papo, mas nada que se compare a mim; só que isso não vem à discussão) que um dos pontos mencionados no primeiro parágrafo havia sido negligenciado. Quando o monitor pergunta aos cavalheiros se estão sentindo o osso da anca de suas damas, o efebo se sai com essa: "Só carne." Os outros &lt;em&gt;alunos&lt;/em&gt; (não &lt;em&gt;alunas&lt;/em&gt;, por motivos que dispensam explicação) acharam a maior graça, e ele próprio soltou um riso estridente por alguns segundos até aquietar o facho e notar que sua parceira não gostou nem um pingo, embora não soubesse se ria ou se lhe soltava um esporro. Perguntei a ele se tentou desconversar; respondeu que disse que isso não era ruim, embora notasse que um advérbio cairia bem - não era &lt;em&gt;necessariamente&lt;/em&gt; ruim. Talvez não melhorasse muito, pois, comentando o incidente com um cara e uma mulher da turma, percebeu que o incidente foi muito Luluzinha e Bolinha: se o cara concordava com ele, também era certo que a garota compartilhava da desaprovação da parceira de Lázaro. Coitado, o vacilão se sentiu mal quando estava na van, a caminho das aulas de filosofia...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Eu, por minha parte, não me abalaria tanto. É claro que ele pode haver feito merda por soltar aquela pra uma menina que não tem lá grande intimidade. Porém, será que seria muito diferente se ela fosse uma amiga próxima? Pessoalmente, tenho certa dificuldade em entender esses chiliques femininos quanto a idade, peso e ciclo menstrual. Tá bom, reconheço que um homem que pergunte sobre as regras de uma mulher meio fora de hora pode passar por coprófilo; agora, pra que diabos elas se agoniam todas quando nós homens lhes fazemos uma pergunta tão simples? É possível que a coisa pareça meio fora de contexto, como se tivéssemos sempre a vontade de saber quanto uma mulher pesa, sua idade ou a senha da conta do banco; deve ser o verbo que está errado. O problema, então, não é entender; isso já faço bem demais, com a mente que meu Deus me deu. Seria, isso sim, o caso de &lt;em&gt;aceitar&lt;/em&gt; tais discrepâncias entre os sexos. Aí que tá. Quem me convence a engolir esse sapo? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Não é mole. Fico pensando se essas garotas, na roda de samba (seja de gafieira ou samba duro), não atentam para a origem do termo. Preferem, sim, incomodar-se com o conteúdo ou o motivo de um cara mandar uma piadinha sem graça - mas nem ligam se samba, que vem do bantu &lt;em&gt;semba&lt;/em&gt; e significa &lt;em&gt;umbigada, &lt;/em&gt;é mais sacana...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6582085873800218084?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6582085873800218084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6582085873800218084&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6582085873800218084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6582085873800218084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/06/na-aula-de-samba.html' title='Na aula de samba'/><author><name>Dixie Linha Plana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://3.bp.blogspot.com/_IvAkX4rjjoQ/SfhG-x8xnxI/AAAAAAAAAAM/xXuGocaw75g/S220/flatline.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3538529774507407710</id><published>2009-05-27T09:57:00.004-03:00</published><updated>2009-05-27T10:50:22.349-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='afetividade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Só casando!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Agradável surpresa. Agradável e perturbadora. Numa mostra de cinema na Caixa Cultural aqui no Rio, que estará em cartaz de 19 a 31 de maio, estarão sendo rodados alguns filmes (20 longas e 3 curtas), tendo como tema o erotismo. O recorte histórico é compridinho, indo do fim da década de 10 até a retomada, com &lt;em&gt;Madame Satã&lt;/em&gt; entre as seleções. Há também um minicurso organizado pelo curador da mostra, do qual perdi o primeiro dia, só começando a acompanhar a conjuntura do cinema erótico brasileiro a partir da década de 30 até a época das chanchadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Isso é o panorama geral. Mas a surpresa mesmo foi de encontrar duas obras de Nelson Rodrigues adaptadas para a película e rever uma delas nessa linguagem (já a havia visto no palco), &lt;em&gt;Toda Nudez Será Castigada, &lt;/em&gt;dirigida por Arnaldo Jabor; a outra, &lt;em&gt;Vestido de Noiva&lt;/em&gt;, só ouvi falar, ainda não vi nem a encenação. Um viúvo atormentado pela morte da esposa e que prometera a seu filho não se casar com uma outra se vê, de repente, na cama com uma prostituta, graças ao irmão, que teve essa idéia brilhante (1) para livrá-lo dessa neura. A princípio enojado com toda sua moral conservadora, Herculano se vê atraído por Geni, que lhe prega uma peça inspirada por Patrício, seu irmão: &lt;em&gt;Só toca em mim casando, viu?! Só casando!&lt;/em&gt; Após decidir contrair o matrimônio com ela, ainda há o problema com Serginho, o filho ensandecido pela promessa do pai em se manter viúvo; esperneia, é estuprado na delegacia após fazer confusão num boteco (e fugirá, ao fim da trama, com ele - o ladrão boliviano), mas arma uma chantagem com Geni: ela se casa com Herculano, mas o trairá com o filho...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340496446966830290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/Sh1BOS2xlNI/AAAAAAAAASc/gflST2hXsHc/s320/nelson3.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas, chega de resumos que isso é feio! Nelson Rodrigues, se era mesmo reacionário - desconheço maiores detalhes de sua biografia - pelo menos era pespicaz. Geni, derretida de paixão por Herculano, ao soltar o mantra matrimonial - lembremos, só casando! -, não deixa de jogar com a moral mesquinha do Brasil de então (2). Se é pra segurar o homem amado (!!!), e se o jeito é dançar conforme a música, então que ela saia pelo baile da vida a rodopiar trágica. Porém, nesse mesmo momento ela rompe com o estigma que lhe impõem - mulher de vida fácil, vagabunda, e etecéteras rançosos e sonsos; convida, ou melhor, obriga Herculano a largar seus chiliques anacrônicos e a dar um novo rumo a sua vida. Sua fantasia, no entanto, se vê desmanchada por Serginho, que a chantageia; consumida por essas cenas, e após vê-lo fugir com o ladrão boliviano, corta os pulsos e conta a verdade àquele que atraiu seus anseios de mulher. Da parte das tias de Herculano, eu até entendo: as velhas ficaram para tias mesmo, solteiras e malcomidas; só que ainda especulo qual o motivo da promessa que Serginho obrigou o pai a fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mais algo a dizer? Bom, com tanto puteiro aqui no Rio é capaz de eu separar uns trinta, quarenta reais e ver que tipo de peripécia me espera...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;(1) Brilhante e lúbrica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;(2) O que não ajuda muito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3538529774507407710?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3538529774507407710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3538529774507407710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3538529774507407710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3538529774507407710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/05/so-casando.html' title='Só casando!'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/Sh1BOS2xlNI/AAAAAAAAASc/gflST2hXsHc/s72-c/nelson3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-764178463129241286</id><published>2009-05-20T10:58:00.002-03:00</published><updated>2009-05-20T11:03:51.227-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dispêndio'/><title type='text'>Funk também é CULTura!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Eguinho Pocotó&lt;br /&gt;(Composição: Zeca Molina)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O Id e o Superego&lt;br /&gt;Eles nunca andam só&lt;br /&gt;Quando saem pra passear&lt;br /&gt;Levam o Eguinho Pocotó&lt;br /&gt;Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó&lt;br /&gt;O Eguinho Pocotó&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó&lt;br /&gt;O Eguinho Pocotó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;(Nota explicativa: letra encontrada na porta de uma privada do banheiro masculino ao lado do Salão Nobre, no IFCS.Até o momento, não consta dos resultados de busca do Google. Até o momento...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-764178463129241286?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/764178463129241286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=764178463129241286&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/764178463129241286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/764178463129241286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/05/funk-tambem-e-cultura.html' title='Funk também é CULTura!'/><author><name>Dixie Linha Plana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://3.bp.blogspot.com/_IvAkX4rjjoQ/SfhG-x8xnxI/AAAAAAAAAAM/xXuGocaw75g/S220/flatline.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-7683825009258540353</id><published>2009-05-16T14:09:00.002-03:00</published><updated>2009-05-16T15:41:14.202-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>O sonho do nome próprio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Quando fui tirar a primeira via de minha identidade aqui no Rio - fui assaltado em Caxias e levaram a que eu tinha feito em Natal -, não sabia que teria uma certa agonia com o processo. Fiz da primeira vez, não deu certo, por ter solicitado um processo de segunda via, ao invés de primeira (e isso graças ao pânico que a dona da casa onde eu tava em Caxias criou, que eu teria problemas se fizesse uma primeira via e tal; mas isso é outro papo), refiz o processo, e, na segunda vez, fui obrigado a assinar meu nome sem acento pela primeira vez em minha vida. Achava que se tratasse de algum maneirismo burocrático nas repartições fluminenses, só que fiquei sabendo que a falha foi da parte dos funcionários que fizeram minhas outras carteiras, por não atentar ao detalhe de que a assinatura deve seguir a ortografia da certidão de nascimento. Melhor dizendo, fui informado de que ambos erramos: eu e os funcionários - eu por assinar dessa forma por esse tempo todo, eles por falharem em sua tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei a questão da ortografia de lado e procurei ver se tinha como solucionar o problema da forma mais fácil. Isso siginificava, para mim, manter o direito de assinar "Antônio Lázaro V. B. Junior" - o último nome, normalmente acentuado, não recebe o acento agudo por pura preferência pessoal e pelo hábito, já que escrevo meu nome assim desde que fui alfabetizado, aos cinco anos de idade. Bastava ir a um cartório que o problema se resolvia. Claro que se resolvia; da forma como recebi a informação para isso, a coisa parecia ser bastante fácil. No entanto, quando vou a um ofício de notas saber como seria o processo, sou desmentido e a mulher me explicar que eu devo ir a Salvador (onde fica o cartório de origem de minha certidão), abrir um processo, aguardar pelo menos 45 dias e esperar que ele seja aceito! Oxente, pra quê esse tempo todo?! E eu resolvi continuar com a assinatura antiga; tanto é que perguntei a um colega se ele teve problemas com isso, e quando fui retirar a primeira via lá em Caxias não houve problemas em assinar normalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei não, sei não. Quem é a funcionária pra me dizer que assinei errado? Aliás, o tabelião que me registrou não me perguntou como eu queria que meu nome fosse escrito. O argumento é vagabundamente falacioso, mas o que quero mostrar com ele é outra coisa: o tema da desobediência civil. Até que ponto devo obedecer o Estado como um "bom cidadão"? Uma coisa é trocar de sobrenomes quando se vai assinar, outra bastante diferente é alterar a ortografia. Alguém pode objetar que mesmo isso pode acarretar problemas, mas eu replico: e daí? Temos que dificultar tanto a burocracia mais do que agora? Eu não quero me constranger a mudar a assinatura por conta de qualquer poder pretensamente superior a mim. Isso é tão chato que, ao refazer o processo da identidade, errei (!!!) quando tive que assinar meu nome sem acento pela primeira vez, se bem que acertando  (!!!) na segunda. Eu, hem... É mais fácil comprar uma casa do que arrumar um nome!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-7683825009258540353?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/7683825009258540353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=7683825009258540353&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7683825009258540353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/7683825009258540353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/05/o-sonho-do-nome-proprio.html' title='O sonho do nome próprio'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2682772204796856327</id><published>2009-05-10T18:49:00.005-03:00</published><updated>2009-05-10T19:49:49.668-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dispêndio'/><title type='text'>Terapia primal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mal acabava de me arrumar para sair e dar uma descarga no stress acumulado durante o dia inteiro, ela chega me perguntando, de supetão e num tom cínico, se vou curtir a boemia. A princípio, o susto: com que maneira esdrúxula essa velha desgraçada quer saber aonde vou ou deixo de ir? Quer dizer, tinha que avançar logo dessa forma (pois não ia aproveitar apenas a boemia, mas a orgia, a pegação braba)? Na qualidade de inquilino, talvez não fosse nada demais eu dizer o que iria fazer, para o caso de alguma eventualidade. Qual eventualidade, meu Deus?! Dois meses e essa sacripanta empurrando sapo atrás de sapo em minha goela, e eu tendo que suportar calado todo o falatório mesquinho e repassado de malícia dessa mulher! Ah, não, hoje não; eu só quero sair e dançar meu forró na Feira de São Cristóvão, chegar de manhãzinha, tomar meu banho e curar a canseira! Mas eis que senhor Hyde franze o cenho, levanta escarninho um dos cantos da boca - agora não lembro qual, de tão enfurecido que estava -, o sangue fervendo da adrenalina concentrada, olha bem fundo nos olhos de sua interlocutora e, não bastando a torrente desabando sobre as cidades do Norte-Nordeste, jorra a sua. Foi mais ou menos assim:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;- Que merda de tom de voz você usa pra se dirigir a mim, hem?! A troco de quê você futrica minha vida?! Se eu vou sair por aí, procurando sarna pra me coçar, tá na cara que o problema é de meus vinte e um anos de vontade de botar na cabeça que, a qualquer momento de minha vida, toparei com a mesquinhez de um ser humano putrefato e desbocado como você, Flor de Maria!! Se eu quiser encarar a putaria por aí, não preciso ir a um bairro, um restaurante ou uma rave, dona Flor, só o que há no Centro do Rio são puteiros, com garotas disponíveis para um bola-gato a partir de dez reais, todos os dias um panfleto pára na minha mão, já fui diversas vezes me lambuzar e foi do caralho, era cada xereca rebolando com a porra no meu pau!! (Era um blefe, nunca fui a um puteiro. Mas guardei os panfletos para uma eventualidade.) É isso que você quer?! Ah, é isso, hã?! É como diz o ditado, dona Flor, só um pau bem duro pra manter mulher quieta em casa e cavalo seguro no campo!! Então, é por isso que você lança essa pergunta estúpida? Para sondar a possibilidade de eu arrebentar sua boceta seca da menopausa? Não, dona Flor, não vou a nenhum puteiro nem a orgia ou boemia, vou me divertir porque gastar meus palavrões com uma bruaca feito você não vale a pena, mesmo que você mereça!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;No instante seguinte, ela me manda fazer as malas e me mudar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Acordo assustado com o sonho. Com que ousadia soltei a língua pra cima dela? Não, ainda não estou em condições para tal. Certo estava o homem do subsolo de Dostoiévski; melindrado com um oficial que esbarrou nele de forma esnobe, o sujeito maquina, silenciosa e meticulosamente, sua vingança, dando a ela um aspecto solene até. Quando menos esperava, vestiu sua calça manchada, casaco, pele de castor alemão, foi ao encontro do oficial, trombou com ele, e pronto: mais uma certeza de que ninguém o constrangeria a se comportar de acordo com não se sabe quais normas hipócritas de convívio (ou leis da natureza, como preferiria o autor russo). Ainda agora aguardo minha vingança...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2682772204796856327?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2682772204796856327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2682772204796856327&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2682772204796856327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2682772204796856327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/05/terapia-primal.html' title='Terapia primal'/><author><name>Dixie Linha Plana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://3.bp.blogspot.com/_IvAkX4rjjoQ/SfhG-x8xnxI/AAAAAAAAAAM/xXuGocaw75g/S220/flatline.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-1162838662217632831</id><published>2009-05-04T19:27:00.009-03:00</published><updated>2009-05-09T13:58:25.277-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><title type='text'>Nabokov por um real</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Qual não foi minha surpresa, ao cruzar com um sebo e encontrar livros a preço de caneta? Sim, porque tem gente que compra caneta - sem ser necessariamente uma BIC esferográfica - por um real. Pois bem: o que noutro momento não sairia por menos de vinte e cinco reais foi adquirido por mim a um preço tão irrisório que o furto de um exemplar assim tão barato talvez rendesse reportagem em algum programa policial (tipo "Sem Meias Palavras", bem conhecido dos pernambucanos e viciados em YouTube).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;em&gt;Lolita, &lt;/em&gt;o romance que adquiri, narra a história de um envolvimento normalmente censurável: Humbert Humbert, um professor de literatura francesa se apaixona sofregamente por uma garota de doze anos - Dolores Haze, Lolita para os íntimos -, que por sua vez se mostra bastante, digamos, madura. Na verdade, ele sempre teve atrações por garotas assim novas, e só com dificuldade mantinha relacionamentos com mulheres adultas. Casou, então, com a mãe da garota apenas para se aproximar melhor da &lt;em&gt;ninfeta&lt;/em&gt;, que é como H. H. chama as meninas pubescentes. Talvez nem precisasse; algum tempo depois, a mãe morre atropelada, e o professor, tradutor e poeta fracassado toma a jovem e sai pelos Estados Unidos afora (a paquera começa em algum Estado a oeste).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Como é frágil e tortuoso esse giro! Apesar de sacana, Lolita se mostra, como a maior parte das garotas de sua idade, ridiculamente fútil. A partir daí, Humbert só consegue agradinhos (pra dizer o mínimo) de sua amada com uma série de chantagens, pequenas ou maiores; tem que ir a cinema tal e tal pra ver um filme meio fútil (suspeito que este dado não existe no romance, mas corrigirei assim que relê-lo), suportar sua indiferença ou birra quanto a paisagens naturais e cidades pequenas, além do natural ciúme de outros marmanjos de olho em sua singular beleza. E não é que ela, de alguma forma, acaba se perdendo do "padrasto"? Alguns anos depois, já desenhada pela endocrinologia e com um filho à espera, os dois se reencontram; apesar da aversão a mulheres com peitos e curvas (e boca, e olhos, e tez, e maçã, e... Tá, um belo dum xibiu cabeludo pra parar com a frescuragem), tentou uma reaproximação, sem sucesso; por fim, assassina o parceiro de Lolita de forma tragicômica, saboreando mesmo com um tempero dostoievskiano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;E, pra acabar com o papo furado, venho então com o motivo de minhas divagações. Pedofilia é um troço complicado de se cuidar, ainda mais com duas entidades bastante controversas: a Internet e Luiz Mott (sim, o decano do movimento gay no Brasil também defende a livre expressão do desejo por crianças). Não é à toa que o romance foi vetado na França, sendo publicado alguns anos depois de sua versão em inglês sair nos Estados Unidos. De resto, serve de bom material para estudos literários, psiquiátricos, psicanalíticos e o deleite ambíguo-lascivo-transgressor. Por outro lado, a coisa da pedofilia também remete ao tema da prostituição: pais que mandam as filhas ou meninas abandonadas por aí, que recebem mixaria pra um desconhecido qualquer passar a mão e se lambuzar com elas. Por um real.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-1162838662217632831?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/1162838662217632831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=1162838662217632831&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1162838662217632831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1162838662217632831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/05/nabokov-por-um-real.html' title='Nabokov por um real'/><author><name>Dixie Linha Plana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://3.bp.blogspot.com/_IvAkX4rjjoQ/SfhG-x8xnxI/AAAAAAAAAAM/xXuGocaw75g/S220/flatline.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2222254785671651745</id><published>2009-04-28T19:50:00.006-03:00</published><updated>2009-04-29T09:50:53.478-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='defenestrar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>"Desculpe por te alugar"</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Ninguém me pergunte como é que a mulher começou isso tudo. De um simples fato banal que acabava de comentar com ela (o aperto dos horários pra chegar do campus da UFRJ no Fundão, onde faço aulas de samba de gafieira, até o IFCS, pra assistir à aula de filosofia política), ela puxou pro caso dos mendigos em frente ao Instituto, pra galera que se amassa nas dependências do prédio, pro povo que se diz (ou, inferindo do raciocínio dela, se pretende dizer) afrodescendente, pro problema das cotas - numa palavra, prum bocado de assuntos que concernem aos destinos da sociedade brasileira. Foi realmente uma enxurrada de reclamações, das quais não ousei discordar naquela hora; sem traçar uma genealogia sobre o caráter dela - uma quarentona até agradável, apesar da verborragia -, notei que ela é o tipo da pessoa irrevogavelmente conservadora em sua perspectiva sociopolítica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Mas, para que a coisa não passe em branco como simples litania, me deixe recapitular um pouco do que ela disse. O problema com os mendigos do IFCS foi, segundo entendi - muito embora o troço já aconteça há alguns anos, antes mesmo de eu sequer pensar em cursar filosofia (tô como intercambista na UFRJ) -, que as grades não resolviam a questão da segurança, além de delinear melhor o fosso entre a condição sócio-econômica dos estudantes e dos moradores de rua, que passou a se configurar em termos espaciais; as grades restringiriam ainda mais o acesso ao Instituto. Vários estudantes se opuseram à instalação da grade (pelo menos, os que comentaram o caso quando eu tava por perto),  mas ela foi na via contrária de uma forma, no mínimo, anacrônica: não só estava correta a presença da grade na frente do prédio como também os próprios mendigos são culpados por sua miséria, sua indigência e sua sujeira. Minha colega ajuntou: se querem se sujar feito porcos, por que não o fazem em casa, longe do olhar do povo? O que é privado não precisa, de acordo com ela, chegar ao público...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Quanto aos demais pontos, tô sem saco de entrar em detalhes, mas bom: o raciocínio da galera se beijando no IFCS é parecido com o dos mendigos; a objeção dela com o termo "afrodescendente" se deve ao pega-pra-capar que rola no continente africano, além de sugerir uma forte &lt;em&gt;tabula rasa &lt;/em&gt;com as origens dos povos de lá; por fim, a bronca com as cotas étnicas, já bastante batida, é por ela representar, em boa medida, um processo discriminatório, já que os critérios são puramente subjetivos (eu, que me considero mestiço, posso tranqüilamente afirmar que sou negro ao agente do IBGE que terei direito a essa facilidade) e não se apresenta como solução efetiva das desventuras pelas quais a educação brasileira passa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Como eu não gostaria de bater boca por nada, posso agora rebater as idéias de minha colega. Vamos pela mais banal: os amassos dos estudantes no IFCS. Como se a galera vivesse de calças abaixadas ou, pelo menos, iniciando as preliminares pelos corredores ou no pátio! Obviamente que um casal aqui ou ali pode exagerar nas carícias, mas por que o incômodo? É assim tão indecente demonstrar o afeto em público?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A recusa dela em aceitar o termo "afrodescendente", sem dúvida, geraria uma discussão acalorada, para dizer o mínimo. Mesmo concordando com ela que este é um país de mestiços (ainda que as comunidades quilombolas e os povos indígenas isolados na Amazônia constituam exceção), não vejo problemas em utilizar o termo; eu mesmo posso me considerar um, como legítimo soteropolitano e como apreciador de algumas manifestações culturais de origem africana. Além do mais, duvido muito que um afrodescendente atento homogeneize a situação dos africanos como ela pensa - muito pelo contrário, o motivo de se afirmar como descendente de povos africanos o torna solidário com os mendes, tutsis, hutus, zulus, quimbundos e tsongas, entre outros. A questão das cotas, ao que me parece, pode ser resolvida de forma menos controversa. Diante da possibilidade de falseamento de dados e do fenômeno do branqueamento ideológico, o critério pode passar de étnico para sócio-econômico ou, simplesmente, reservar uma parte das vagas a estudantes do ensino público; é o que o CEFET-RN - agora IFET-RN - tem feito há cerca de dez anos, e isso só pra mencionar o que conheço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Por fim, voltemos ao começo do qüiproquó. Dizia ela que colocar grades na frente do IFCS estava correto; além do mais, os mendigos (é provável que eu esteja enganado, creio que se trata de moradores de rua, já que nunca os vi pedindo um vintém aos passantes) que conservassem a imundície para si mesmos - isto é, que não levassem a público o que se constitui como privado. Aí eu matuto com meus botões e digo: não será o contrário que acontece? Não será o público sucumbindo ao privado, através dos condomínios fechados, das grades e cercas-vivas que engolem as calçadas? Não estará a mesquinhez humana traçando o que lhe desejar, sem dar o menor cabimento aos demais? A estudante colega minha reproduziu, para meu tremendo espanto, um preconceito estúpido e paleolítico; é bem possível que haja indivíduos que prefiram morar na sarjeta, mas duvido muito que isso seja a regra; como também não é regra que um morador de rua, feito em Recife, passe pra escriturário do Banco do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, caro leitor: parafraseando Millôr Fernandes em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Todo Homem é Minha Caça&lt;/span&gt;, é desse jeito que perpetuamos a desumanidade do homem para com o homem. Mas o assunto tá chato, né? Desculpe por te alugar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2222254785671651745?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2222254785671651745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2222254785671651745&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2222254785671651745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2222254785671651745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/04/desculpe-por-te-alugar.html' title='&quot;Desculpe por te alugar&quot;'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-5865889238006273533</id><published>2009-04-22T13:07:00.002-03:00</published><updated>2009-04-22T13:35:51.310-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>Calor é vida!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Meu pai do céu! Tanto que eu soltava essa frase, como um mantra, louvando os vinte e oito, vinte e nove, trinta, trinta e cinco, trinta e seis, quareeeeenta graus de sol! Tanto que eu anuncio, em alto e bom som (1), como um mantra, mesmo que o sol me deixasse cansado e rachasse meus lábios! Tanto que eu senti falta desse calor, fornecendo a meu corpo o calciferol que ele merece! Viçosa, cidade de serra, seiscentos metros de altitude e frieza nesse outono que fui conferir o XII EMEL, como você é gelada! Como deu raiva a madrugada que fui conferir o Bar do Leão, quinze graus de gelo atravessando meus ossos feito agulha, eu gritando de dor e da sinusite que principiava! Como doeu avistar a cerração cobrindo a UFV, universidade de bela arquitetura, universidade em que tive que me recluir por conta do gelo gélido (2), sentindo-me personagem do Silent Hill! Como foi ótima a festa no Galpão, um pouco de calor pra aliviar o catarro e a baixa temperatura e me divertir um pouco! Nunca tive tanta certeza dessa frase quanto a estadia lá na serra mineira, sô! Nada como um sol a pino pra esquentar minhas veias, artérias, cabeça! Sei que vou sofrer na Europa ou Estados Unidos durante meu curso de doutorado (3), mas bato pé e encerro por aqui: calor é vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Nada como jogar a norma culta pela janela. Esta, sim, merece ser trancafiada em um frigorífico na Antártida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Nada como um bom pleonasmo para aumentar a ênfase de meu bordão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Nada como fazer planos visionários pra enriquecer minha vida acadêmica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-5865889238006273533?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/5865889238006273533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=5865889238006273533&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5865889238006273533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5865889238006273533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/04/calor-e-vida.html' title='Calor é vida!'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6004065541375504046</id><published>2009-04-13T10:22:00.002-03:00</published><updated>2009-04-13T11:22:08.457-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='academia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Vida longa à livre distribuição 2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas será possível? (1) Algum tempo depois de outra &lt;a href="http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/03/vida-longa-livre-distribuicao.html"&gt;postagem&lt;/a&gt;, dou uma vasculhada num ótimo banco de dados com textos de Jacques Derrida (cf. na lista Desterritórios aqui ao lado), e o que acontece? Neca de pitibiribas. Horacio Potel, professor de filosofia na Universidad Nacional de Lanús, Argentina, está passando por maus bocados após sofrer um &lt;a href="http://www.clarin.com/diario/2009/02/28/sociedad/s-01867515.htm"&gt;processo&lt;/a&gt; por parte da Cámara Argentina del Libro. A Cámara, por sua vez, atendeu a um pedido das Éditions de Minuit, editora francesa responsável pela publicação de diversos títulos do pensador francês (2). Eles alegaram que o prazo para a difusão da obra dele no domínio público não havia acabado, daí a ação legal (!!!) movida contra Potel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos bem: como você deve ter percebido, não gostei nem um pouco da notícia. Mas, agora, não se trata apenas de franca desobediência civil. A coisa toma uma dimensão mais, digamos, filosófica - embora não naquela acepção abstracionista, algo platônica - muito embora Derrida tenha uma escrita bastante circunvolumétrica, cheia de tortuosidades que podem assustar o estudioso apressado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele (3) legou à filosofia contemporânea uma extensa crítica da metafísica tradicional, e entre seus alvos se encontram Platão, Rousseau, Heidegger... (Mas prefiro pensar, na esteira de Richard Rorty, que sua tentativa de superar a tradição filosófica não foi e nem poderia ter sido possível.) Entre as palavrinhas mágicas que criou - diferensa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;phármakon&lt;/span&gt;, disseminação... -, "escritura" parece mais apropriada para meus propósitos de análise. Grosso modo, escritura se refere tanto à linguagem quanto a suas "condições de possibilidade" (o contexto histórico, social, cultural etc.); daí, ele fala, na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gramatologia&lt;/span&gt;, da existência de diversos tipos de escritura - militar, política, cibernética... Esta, por sua vez, está intimamente ligada ao que Horacio Potel fez. O fato é o seguinte: o que a palavra escritura marca - a linguagem e suas "condições de possibilidade" (os especialistas que me perdoem a expressão, não consigo achar outra mais apropriada) - não é, de forma alguma, absoluto, definitivo ou estável. A escritura é mais que água: escapa por entre os dedos, olhos, ouvidos (4) e quaisquer tentativas de rígida manipulação conceitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será esse, portanto, o caso do professor Potel? Melhor dizendo, não estará ele agindo de acordo com o pensamento de Derrida, implementando a escritura através da livre difusão dos textos? Ora, a Internet é, hoje em dia, a escritura &lt;span style="font-style: italic;"&gt;par excellence&lt;/span&gt;; sua arquitetura permite, como nenhuma outra tecnologia o fez, a reproduçao ininterrupta e flexível de idéias. Obviamente que nem todo internauta é bonzinho - do contrário, não haveria &lt;span style="font-style: italic;"&gt;crackers&lt;/span&gt;, pedófilos e trolls chutando o pau da barraca por aí; o problema, no entanto, é que a mesma lei que se encarrega - e mal - de combater essa galera também atrapalha o trabalho de indivíduos como Potel, que não ganhou um centavo com isso e corre o risco de desembolsar um valor absurdo com os direitos autorais simplesmente por facilitar o trabalho de outros pesquisadores como ele (5). Livre distribuição significa isso: reformar essa espelunca legislativa que entrava o acesso a materiais preciosos de pesquisa ou de simples entretenimento, quase sempre onerosos e fora do poder aquisitivo de uma porrada de gente por aí - ou, o que não é menos importante, oferecer mais uma alternativa de busca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;(1) Claro que é, senão não teria uma boa razão para escrever esta postagem - a não ser que desejasse tentar uma carreira tabloidista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Na verdade, era argelino; embora escrevesse tão bem o francês quanto Émile Zola ou Gilles Deleuze, quando falava se deixava transparecer como um estrangeiro. O homem sofreu na Argélia por ser judeu, ainda tinha nego tirando onda com o sotaque dele, e depois aprontam uma com sua obra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Derrida, não o estudioso apressado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) Entre outras coisas, escritura também serve à crítica do fonocentrismo - a tendência, no pensamento ocidental, de privilegiar metáforas sonoras às escritas. Um ótimo texto para se perceber isso é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A farmácia de Platão, &lt;/span&gt;no qual Derrida desmonta minuciosamente o uso que Platão fazia do vocábulo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;phármakon&lt;/span&gt; - traduzível por "veneno" ou "remédio", às vezes (e isso é uma das teses do ensaio de Derrida) intraduzível por apenas um deles, mantendo uma tentadora e inevitável ambigüidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) E eu, por falar - ops, por escrever! - nisso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6004065541375504046?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6004065541375504046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6004065541375504046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6004065541375504046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6004065541375504046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/04/vida-longa-livre-distribuicao-2.html' title='Vida longa à livre distribuição 2'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-5097175985468894064</id><published>2009-04-03T10:33:00.003-03:00</published><updated>2009-04-03T10:48:29.667-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Cidade Maravigosa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quê? Cidade Maravigosa? Por que não? O Rio de Janeiro, fevereiro e março continua uma cidade maravilhosa e perigosa. Pô, ali na Presidente Vargas voltávamos eu e uma amiga minha do festival &lt;a href="http://www.etudoverdade.com.br/2009/index.asp"&gt;É Tudo Verdade&lt;/a&gt;, lá no CCBB, quando fomos abordados por moradores ali perto. De valioso, o celular dela e dois livros que eu tomara (1) emprestado aqui no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, onde curso filosofia como intercambista). O preço deles? Quase noventa paus! Pelo menos não vou precisar pagar. (2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá russo desse jeito. Não tem nem dois meses que cheguei, já fui assaltado duas vezes. A cidade é cara e acontece uma coisa dessas. A segunda maior cidade do Brasil, com tanto lugar bacana pra se visitar... OK, talvez eu tenha marcado touca, só que não vou deixar de sair por aqui por conta duma merda dessas; por outro lado, a polícia devia botar uns homens pra circular e tomar conta da área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Tomara que eu não fique paranóico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Ou seja, sofrer um outro assalto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-5097175985468894064?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/5097175985468894064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=5097175985468894064&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5097175985468894064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5097175985468894064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/04/cidade-maravigosa.html' title='Cidade Maravigosa'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6471911478990730886</id><published>2009-03-17T19:18:00.003-03:00</published><updated>2009-03-20T18:34:14.724-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Vida longa à livre distribuição!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Caramba, como é que pode? Não sei quantos anos de serviços prestados à comunidade orkuteira que acabaram por pressão de empresas fonográficas, videográficas, n-gráficas que lucram em cima do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;copyright&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, da idiotice e do antiquadismo ideológico. Acabaram com a comunidade "Discografias" domingo último; ou melhor, os moderadores acharam por bem adiantar o serviço da galera adepta dos direitos autorais pré-cambrianos (isto é, que defendem que devemos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;necessariamente&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; pagar por um produto intelectual, por sua difusão, citação e assim por diante).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;A comunidade era boa: bem moderada, sem spams, um foco crescente de colaboração virtual, já que os membros podiam solicitar os artistas de seu agrado, caso ainda não estivessem disponíveis para download. MPB, música eletrônica, rock, samba, pagode, swingueira (xi, bom parar com a listagem)... Mas o sucesso atraiu também o olho gordo de gente que só pensa em merda, ao pensar que a distribuição de músicas em mp3 - sem contar os vídeos e livros circulando por aí, embora em menor quantidade - lhes traz prejuízo; isto é, querem continuar suas atividades normalmente, sem mudar seus paradigmas conceituais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas deixemos de filosofia e perguntemos: de que adianta atingir um foco isolado, se bem que grande, enquanto o resto da situação permanece? A Internet é o maior rizoma (data venia a Deleuze) já criado pelo engenho humano, o que significa uma flexibilidade sem precedentes na difusão de informação. Ora, um centro de informação destruído não atrapalha o resto do fluxo informacional, uma vez que, em tese, circulam cópias de cópias de cópias de cópias de cópias de... Em outras palavras, acabar com uma Discografias da vida não nos interromperá de achar alternativas. Depois de Henry David Thoreau e Richard Stallman, só o que pode interromper a escalada da livre distribuição é a aniquilação da raça humana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. (adicionado em 20 de março deste ano): ainda bem que não deram o braço a torcer! http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=56139232&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6471911478990730886?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6471911478990730886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6471911478990730886&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6471911478990730886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6471911478990730886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/03/vida-longa-livre-distribuicao.html' title='Vida longa à livre distribuição!'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3211029454289852575</id><published>2009-02-24T18:23:00.001-03:00</published><updated>2009-02-24T18:23:47.428-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>FSM Belém 2009: balanço atrasado e relapso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nem sei por onde começar. Pela entrada da UFPA? Da UFRA? Talvez seja melhor fazer um apanhado bastante rizomático, contando apenas com o que eu lembrar. Belém, Cidade das Mangueiras, as voluntárias na Almirante Barroso entram no ônibus oferecendo informações gerais e falando pra gente tomar cuidado com as mangas na cabeça – quando o melhor seria mesmo tomar cuidado com nós mesmos. Com a cabeça ancorada no presente e se projetando para o futuro, não houve como não me deliciar com a Cidade Velha, um bairro inteiro de construções antigas e não fotografadas. O açaí amargo apesar do açúcar e da farinha (tem paraense que grita se adoçar!), o tacacá, pupunha e cupuaçu: mais itens para a memória gustativa. A família hospitaleira e tagarela – e eu achando que minha língua era solta e desmemoriada, meu Deus!, quantas vezes fui inquirido se tomava algo durante o almoço -, mas nada de ingratidão. A conferência de abertura do ENEFIL, bem esclarecedora acerca de meus planos para a pós-graduação, e a única coisa que aproveitei do encontro de meus colegas de curso, ocorrido ao mesmo tempo que o Fórum Social Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e então? Que fazer, em quais oficinas participar, quais debates acompanhar e dar a cara a tapa?  Perdi muito da programação entre preguiça, atividades canceladas, atrasos e mudanças feitas em cima da hora. Deu pra conferir, no entanto, a oficina de danças circulares, soltando um pouco mais o corpo e entrosando individualidades e coletividades; a caminhada de abertura, debaixo dum aguaceiro oportuníssimo e contagiante; a Feira Internacional de Economia Solidária dando uma amostra da força autogestora... Por outro lado, não conferi Lula mais Chávez e Morales nem Chomsky e Galeano, estes últimos na cidade sem companhia do Evento para chegar ao local. (Não tenho confirmação de fontes oficiais, mas se isso for mesmo verdade será difícil engolir.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as falhas, desentendimentos, sardonismos e dificuldades lá na capital do tecnobrega, me vêm à cabeça: 1) uns policiais dando provas secas de racismo, quando um deles soltou um “Esses preto safado” (não sei se alguém apareceu pra tentar furto ou outro delito, ou se foi um resmungo gratuito); 2) uma jornalista local, sobre os recém-nascidos de Terra Firme, soltou que choravam duas vezes – a primeira pra dar sinal de vida, a segunda pra distrair o médico enquanto afanam o relógio dele; 3) uma preiboizada compareceu em peso no Acampamento Internacional da Juventude. Deixou o peso da sujeira pela UFRA, certamente à espera de qualquer um que não eles para ser recolhida; 4) periferia é periferia em qualquer canto do planeta. Esse raciocínio indutivo, também válido para a estupidez e o preconceito no globo afora, explica cinicamente bem o fato de uns guris zoarem com meus cachos embaraçados, quando eu me dirigia de volta pra toca e dormir pro outro dia. Destilada a raiva silenciosa, no outro dia comentei o fato com uma garota, que contou uns episódios parecidos em algum bairro ou conjunto da Zona Norte de Natal (lembraê, Andresa!). E 5) uma venezuelana panfletando em apoio ao referendo de Chávez, que traveste totalitarismo em reeleição indefinida. Eu, pessoalmente, acho mais fácil o tenente-coronel copiar o exemplo do PRI no México, já que seria poupado o trabalho de mexer na Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, mais outras lembranças agradáveis: o guaraná Jesus, que presta pelo menos quando gelado; o lundu que lascou minhas cadeiras e me ajudou a tirar – muito bem, por sinal – as teias da boca; a feliz sensação de encarar a estrada longa sem riscos de Dramin ou cascas de limão. Da próxima vez, eu tomo coragem pra elaborar um registro mais detalhado, ou menos vagabundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3211029454289852575?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3211029454289852575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3211029454289852575&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3211029454289852575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3211029454289852575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/02/fsm-belem-2009-balanco-atrasado-e.html' title='FSM Belém 2009: balanço atrasado e relapso'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3959533971740039952</id><published>2009-01-20T16:45:00.004-03:00</published><updated>2009-01-20T17:22:21.314-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autocrítica'/><title type='text'>Checando informações</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Puta que pariu! O que fazer diante da negligência pessoal, quando se trata de checar fontes pra não bobear? Só soltar um palavrão pra aliviar a barra depois do vacilo. Isto é, três vacilos, e em menos de uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro deles foi numa comunidade de estudantes de Letras, no Orkut. O cara começou a zoar com meu gosto musical, sobre o que seria legitimamente colombiano ou não (Shakira ou Petrona Martínez-Bonito); repliquei com comparações semelhantes, e uma delas foi meio defeituosa, já que juntei O Rappa com Bezerra da Silva, presumindo que o sambista fosse carioca. É bom pra diminuir minha moral diante do outro; em termos autocríticos, destruir uma argumentação forte por causa dum erro crasso é dose, né verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o outro foi com a bolsa de intercâmbio acadêmico que ganhei aqui na UFRN, num convênio com a Santander. Escolhi ir pra UFPE, duma lista de vinte instituições, das quais deveria escolher cinco (a UFPE foi a prioritária). E não é que, na sexta-feira, o Departamento de Administração Escolar daqui liga pra casa pra eu procurar urgente outra Instituição, ou desistir da bolsa, já que ela só vale para este semestre? O motivo era que a UFPE alegou que não estava conveniada... Aí eu penso: pra que diabos incluir uma instituição não-conveniada? Estou tentando ver se consigo hospedagem no Rio com algum esperantista, mas não tô muito seguro. Que merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último, no fim das contas, foi suscitado por um comentário da postagem anterior. A mulher objetou alguns pontos que escrevi (deixo que leiam pra entender melhor), e não deixo de concordar com ela, embora não os tenha ventilado no momento que postei no blog. Com ou sem as concordâncias, a falta de informação e do que fazer com ela (a postagem trata de planejamento familiar, e um dos problemas que acuso é o não-uso de preservativos e/ou contraceptivos, principalmente nos centros urbanos, tamanha a quantidade de cartazes e propagandas sensibilizando a população) é cruel. Bom tomar cuidado com o que escrevemos e registramos!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3959533971740039952?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3959533971740039952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3959533971740039952&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3959533971740039952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3959533971740039952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/01/checando-informaes.html' title='Checando informações'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3338100191890564898</id><published>2009-01-02T14:52:00.002-03:00</published><updated>2009-01-02T18:26:56.718-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='afetividade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Planejamento familiar: mensagem para 2009</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pensei: como começar este 2009 com um pouco menos de estupidez? Como tornar o ano do Sol (não liguem para devaneios astrológicos se não quiserem) menos insípido, mais humano etc.? Uma boa é seguir o exemplo de Macchiavelli: evitar as desgraças futuras estudando as passadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio a minha cabeça uma série de reportagens no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fantástico&lt;/span&gt; com o médico Drauzio Varella. Não lembro se versavam sobre vários tópicos ou um só; de qualquer forma, uma delas me chamou bastante a atenção. O tema já é pisadíssimo, mais conhecido que seringa em hospital; porém, não houve como não ferver diante da entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planejamento familiar. Como ter filhos? Quando ter filhos? Com quem ter filhos? Onde ter? Quantos ter? Qual o custo da prole? Qual a disposição em güentar chororô? Sei não. Fico muito com o pé atrás em duas situações: ou quando sobra vontade e falta infra-estrutura, ou o contrário. Fico com o pé mais atrás ainda quando as duas coisas faltam. Fico mais cético ainda quando, assistindo à entrevista de Drauzio Varella com um morador duma favela paulistana, este declara que não sabe o que é camisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, não sabe o que é camisinha? Falta propaganda? Falta criatividade? Provavelmente. Mas boca-a-boca é a melhor publicidade do mundo, por ser a mais barata. Aí eu pergunto: como, numa das maiores cidades do mundo, um indivíduo como esse não sabe o que é um pedaço de látex lubrificado? Nunca ouviu falar? Duvido muito. Como isso é possível? Para mim, não tem outra explicação mais plausível - ou seja, humana: o homem não usa camisinha porque não quer. Não usa por conta daquela onda de chupar bala com papel, de querer ser másculo a todo custo - provando-o com o gozo dentro da parceira -, ou simplesmente porque a preguiça mental é forte o suficiente para esterilizar qualquer sentimento de curiosidade saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que, puto com esses homens e mulheres (não saberia avaliar no momento quem vacila mais, mesmo com as estatísticas sendo mais favoráveis a elas) que não seguram a onda, sabendo que o tranco com os bruguelos não será fácil (não com as crianças que, voluntária ou involuntariamente, engordam os indicadores negativos do IBGE, OMS e o escambal); é então que me vem a idéia de postar algumas linhas de indignação e apelo: por que não planejar? É tão difícil assim pesar o orçamento e tomar alguns cuidados contraceptivos, para evitar gravidezes indesejadas e abortos? Bate uma tristeza danada quando a resposta é afirmativa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou algum neomalthusiano ou empregado da Rockefeller Foundation. Mas gostaria muito que os indivíduos saíssem desse torpor afetivo e tomassem mais cuidado com suas atitudes. Em um texto criticando a Igreja Católica (o que não vem ao caso), Bertrand Russell sintetizou, contundente, uma deontologia elucidativa a respeito do planejamento familiar: &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-family:Bookman Old Style;font-size:100%;"  &gt;Dever-se-ia ensinar aos rapazes e às moças que  nada, salvo uma inclinação recíproca, pode justificar as relações  sexuais. (...) Deveriam  aprender que trazer um outro ser ao mundo é assunto muito sério, e  que isso só deveria ser feito quando houvesse razoável perspectiva  de que a criança pudesse gozar de saúde, de bons ambientes e de cuidados  por parte dos pais. Deveriam também aprender métodos de controle da  natalidade, tendentes a assegurar que as crianças só viessem quando  fossem desejadas. Deveriam, finalmente, ser esclarecidas quanto aos  perigos das doenças venéreas e quanto aos métodos de prevenção  e cura. O aumento da felicidade humana, que se poderia esperar da educação  sexual ministrada nessas bases, seria incomensurável.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;" (1) Não reclamem da citação; mais comprida que ela é nossa teimosia em manter as coisas do jeito que estão. Um ótimo 2009, com mais planejamento familiar, afetivo, econômico (se bem que a crise global tá restringindo os esforços para este aqui) e vergonhal para vocês.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquilo em que creio,&lt;/span&gt; em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que não sou cristão&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3338100191890564898?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3338100191890564898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3338100191890564898&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3338100191890564898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3338100191890564898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2009/01/planejamento-familiar-mensagem-para.html' title='Planejamento familiar: mensagem para 2009'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2194681836369929343</id><published>2008-12-21T19:31:00.003-03:00</published><updated>2009-03-03T16:22:09.825-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Do clitóris ao papanicolau</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ninfomania não tem mesmo hora pra chegar. Conversávamos, eu e meu irmão, qualquer besteira que não lembro nem importa lembrar agora. Conversávamos, ele lavando roupa, eu lavando os pratos, ao som de Titãs. Eu tava gostando da música, repetia ela várias vezes. Então, confabulando comigo mesmo, comecei a fazer um projeto simples de exegese. A base desta postagem é a primeira faixa do CD &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Tudo ao Mesmo Tempo Agora.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vejamos, então, o primeiro verso. Parece um mantra, repete solenemente o nome daquele botão carnal, daquele centro vulcânico da genitália externa da mulher:o clitóris. A etimologia sugere o toque lascivo das partes pudendas: nada como um roçar, vaivém frenético e apetitoso, tanto faz se é o dedo, o pênis ou a língua; o toque delicioso faz estremecer e explodir na volúpia localizada, que não tarda a se expandir e ganhar o corpo inteiro de sua dona (1).Tudo isso a despeito de práticas em certas regiões do globo, notadamente entre muçulmanos no Oriente Médio e algumas etnias africanas, que o enxertam todo, levando embora até a vulva, se necessário. Basta um contato, mesmo o mais efêmero e tímido: então a jovem senhora menina experimenta o que quer o que pode essa anatomia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No entanto, nem todo mundo gosta desse marcador biológico. Não me refiro a workaholics, adeptos do SM, ou àquelas que, por força de dramas pessoais, congelou e estagnou a sensibilidade daquela jóia dourada. Me refiro à Igreja Católica, uma grande responsável pelo tabu da sexualidade em geral e, naturalmente, ele não estava de fora. Em vez do clitóris, friccionemos o genuflexório na hora da missa. Deixemos o prazer carnal de fora, uma vez que existem prazeres mais sublimes e duradouros para além desta vida. Ainda há o confessionário para ajudar a suprimir esses pensamentos pervertidos. Mas pensemos bem: até que ponto um homem que se diz casto pode orientar os (e principalmente as) fiéis a deixar o sexo – e, conseqüentemente, o clitóris – para depois do casamento? O celibato foi um dos piores dogmas instituídos pelo catolicismo, que tolhe e deforma a sexualidade de clérigos por todo a parte. (Estou pondo de fora aqueles que, sem qualquer coerção – ainda menos a religiosa – , passam muito bem sem o sexo; mas esta é uma minoria cada vez mais minoritária.) Não sem razão, o Opus Dei sai por aí à cata de padres pedófilos, abafando os escândalos sexuais tão recorrentes em lugares como os EUA. Ainda nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles: ê lugarzinho pra ter figurinhas eclesiásticas reacionárias! Lembro de ter lido um capítulo dum livro de Mike Davis (Cidade de Quartzo – Escavando o Futuro de Los Angeles) apenas sobre elas; entre suas atividades, estava incluso um boicote à campanha contra a AIDS e, se não me engano, incentivando o não-uso da camisinha. Então podemos aumentar a promiscuidade assim de qualquer maneira? Duvido que qualquer fiel devidamente esclarecido e com vida sexual ativa – a despeito das recomendações papais, cardinais etc. – evite pegar um pedaço de borracha pra deixar o gozo mais seguro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;E, então, quando pega no ato, a jovem senhora menina sente o peso avassalador da verborragia histérica e precipitada. Agora, ela é chamada de suja; gritam que ela surja, o corpo e a mente imaculados pelas delícias proibidas. Ninguém nem sabe onde ela terá feito, muito menos se terá feito; no entanto, a simples suspeita do líquido grosso, melando seja lá qual for a parte de sua anatomia, é suficiente para arrumar justificativas estapafúrdias e invasivas da intimidade genital feminina. Aborta! Casa! Vai embora desta casa! (2) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando não se contentam com o grito, mandam imediatamente para o ginecologista, saber se o lacre está no lugar. Não é bem para isso que serve o papanicolau, mas o simples fato de poder ser feito já implica no diagnóstico positivo por parte dos pais, tutores, madrinhas etc. Implica, mais ainda, um prolongamento vergonhoso da tortura com a mulher, já que o homem pode muito bem sedá-la e fazer o que lhe vier à cabeça. O que era pra ser um exame de prevenção se torna o coroamento do ataque à mulher: (3) até onde sei, quase nenhuma gosta de dar satisfação de quem pega ou deixa de pegar em seu clitóris, não é mesmo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;(1) Alguém, sem entender essa prolixia falsamente intelectual, apenas diz: ah, o negócio é tocar uma siririca na gata, fazer ela gozar bem muito!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(2) Isso me lembrou – mente suja imunda – um grito de guerra, um slogan sardônico e pouco criativo. Não tenho mais o que acrescentar nesse parágrafo, porque a letra já é eloqüente por demais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(3) Não sejamos tão precipitados: de repente ela esteja brincando de médico com o pé-de-lã e eu não saiba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2194681836369929343?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2194681836369929343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2194681836369929343&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2194681836369929343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2194681836369929343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/12/do-clitris-ao-papanicolau.html' title='Do clitóris ao papanicolau'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6410840973181367127</id><published>2008-12-01T17:21:00.002-03:00</published><updated>2008-12-01T18:42:39.643-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Distopia e emancipação social</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sexta-feira, 30 de novembro do ano corrente (1), III Encontro Natalense de Escritores, lá ia eu doido pra pegar um autógrafo (2) com Ignácio de Loyola Brandão e conferir o que ele, juntamente com Washington Novaes, tinha a falar. Ambos brindaram a - infelizmente não tão grande - platéia com o tópico de debate, que era o romance "Não Verás País Nenhum", do escritor araraquarense. Uma distopia (3) na qual faltava água potável (a reciclagem de urina e dessalinização da água do mar como alternativa), o calor era infernal, o planeta já bastante engolido pela água... Isso num tempo que debates sobre meio ambiente eram excentricidade. Aí entra em cena o jornalista, pontuando alguns trechos do romance e os concatenando com desastres ambientais e sociais da história recente. Dá o que pensar - e não é pouca coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: durante o bate-bola, veio a minha memória a figura de Richard Rorty. O filósofo norte-americano, morto em junho do ano passado, apostava na literatura como teoria social, em vez de conceitos filosóficos; ele próprio era professor de literatura comparada em Yale. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Contingência, Ironia e Solidariedade&lt;/span&gt;, ele dedicou dois capítulos a Vladimir Nabokov e George Orwell, além de abordar Marcel Proust num capítulo em que estavam também presentes Nietzsche e Heidegger; lembro também de haver lido um ensaio juntando Heidegger, Kundera e Dickens (no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ensaios sobre Heidegger e outros&lt;/span&gt;). Entusiasmado, comecei a elaborar uma pergunta a respeito da literatura recente, se Ignácio ou Washington poderiam sugerir algumas leituras distópicas que seguissem na mesma linha. Queria perguntar outras coisas mais, só que não clareei as idéias a tempo de entrar no debate, mesmo porque pensava que a platéia pudesse lançar diretamente as questões. Me enganei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando todo mundo se picou, ficaram uns gatos pingados para as fotos e autógrafos com os convidados da noite. Tirei meu exemplar d'&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Ganhador&lt;/span&gt; da bolsa, passei para o autor, ele autografou e perguntou se a fala dele não havia sido enfadonha. Respondi que não. Tava quase lamentando a não-participação no debate e pensei: ora, daqui a dois meses não haverá o Fórum Social Mundial em Belém do Pará (4)? Não haverá discussões mais amplas e exaustivas sobre o tema? Tratei de sair da tenda onde estávamos e fui ver a galera lá fora, em frente ao palco musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Se tiver quaisquer dúvidas sobre o ano desta postagem, confira a lista completa de postagens neste blog. =D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) É bom adquirir certas lembranças sem cair no hábito ridículo da tietagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Como expliquei a meu colega Igor, que estava a meu lado no momento da palestra: distopia é o oposto de utopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) Normalmente as pessoas (eu incluso) esquecem que há duas cidades brasileiras com esse nome: uma no Pará e outra na Paraíba.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6410840973181367127?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6410840973181367127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6410840973181367127&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6410840973181367127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6410840973181367127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/12/distopia-e-emancipao-social.html' title='Distopia e emancipação social'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2396315747774484411</id><published>2008-11-26T17:29:00.008-03:00</published><updated>2008-11-27T18:23:36.935-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>H. P. Lovecraft e o monstro da Guiné</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gente, impressionante como a falta do que fazer nos dá o que pensar (1). Tô vendo um tópico na comunidade da UFRN no Orkut, e o que aparece? As fotos de uma criatura esquisitíssima. Na verdade, as conferi na página do programa &lt;a href="http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/1,6993,EEC1692271-1641,00.html"&gt;Globo Rural&lt;/a&gt; que, por sua vez, obteve as fotos do jornal russo &lt;a href="http://english.pravda.ru/photo/report/sea_monster-1816/4/"&gt;Pravda&lt;/a&gt;, que ninguém sabe onde as obteve (2). Num primeiro momento, tentei encontrar algum correspondente conhecido para aquele monte de carne putrefata, mas sem sucesso. Fiquei besta com as fotos. Vai aqui uma palhinha:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SS20tLALMnI/AAAAAAAAAHA/nX1YT60wDUk/s1600-h/Monstro+da+Guin%C3%A9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273069426861355634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 273px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SS20tLALMnI/AAAAAAAAAHA/nX1YT60wDUk/s320/Monstro+da+Guin%C3%A9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não demorou muito: um cara comentou, em tom de brincadeira, se não seria Cthulhu dando as caras. Ingenuamente, repliquei o que ele já sabia - que o monstro em questão não tinha nada a ver com o personagem de H. P. Lovecraft. De qualquer forma, no entanto, fiz o que um internauta curioso normalmente faz: busca no Google ou então na Wikipédia. Um dos primeiros resultados da busca no Google foi um verbete na Wikipédia anglófona sobre o escritor norte-americano. Já sabia por alto qual a linha dele, mas o verbete me deixou mais curioso ainda a respeito de sua obra, e baixei alguns textos num servidor virtual de arquivos. Já tinha ouvido falar no Cthulhu; um colega meu fez um desenho do personagem. No verbete do Cthulhu Mythos está disponível esta aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SS2468ntB7I/AAAAAAAAAHI/XVDJSTVOD1U/s1600-h/Cthulhu_and_R%27lyeh.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273074061565298610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SS2468ntB7I/AAAAAAAAAHI/XVDJSTVOD1U/s320/Cthulhu_and_R%27lyeh.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas, quando vi uma foto de Lovecraft, foi o cúmulo. Diante do que li, ela pareceu mais uma máscara mortuária:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SS25zdMuT4I/AAAAAAAAAHQ/RN-OA06nNDM/s1600-h/Lovecraft1934.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273075032383180674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 184px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 286px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SS25zdMuT4I/AAAAAAAAAHQ/RN-OA06nNDM/s320/Lovecraft1934.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Juntei o monstro da Guiné com Lovecraft por algumas razões. Uma, porque ambos são horrendos até a náusea (embora eu deva pegar o material de Lovecraft pra passar a vista e ver se tem algo a ver com literatura cyberpunk, ou se influenciou, sei lá; vai saber das idiossincrasias de um graduando em filosofia que, sem ter escrito a monografia, já pensa num projeto de doutorado). Segundo, porque aquela história do monstro da Guiné pode ser pura e simplesmente (e para meu espanto e constatação de que, afinal de contas, não devemos acreditar em tudo que nos contam) um &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;hoax&lt;/span&gt;; uma postagem num &lt;a href="http://movv.org/2007/05/19/hoax-o-monstro-marinho-que-deu-a-costa-na-guine-hellish-hairy-sea-monster-cast-ashore-in-guinea/"&gt;blog português&lt;/a&gt; sugere que aquele monstro é, provavelmente, uma baleia (cachalote ou baleia-corcunda), devido à presença de pêlos e pregas na pele já carcomida (3). A ironia maior daí advinda é que o nome do jornal onde as fotos foram publicadas, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;pravda&lt;/span&gt;, significa &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;verdade&lt;/span&gt; em russo, o que leva naturalmente a reforçar o ceticismo quanto às informações da Internet em geral e a credibilidade do jornalista em particular. Por fim, há uma citação, do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Call of Cthulhu &lt;/span&gt;no artigo de Lovecraft que consegue ser ao mesmo tempo elucidativa e pessimista (e que traduzo livremente): "A coisa mais misericordiosa no mundo, penso eu, é a inabilidade da mente humana de correlacionar todo o seu conteúdo... Um dia, encaixar o conhecimento disperso abrirá horizontes tão aterrorizantes da realidade, e de nossa medrosa situação dentro dela, que ou enlouqueceremos por conta da revelação ou fugir da luz para a paz e a segurança de uma nova Idade Média" (4). Bom, não sei se deveríamos levá-lo muito a sério, mas ao menos ela nos ajuda a prestar mais atenção nos "monstros" que vemos por aí...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;(1) Isso já é sabido desde os tempos da Grécia, uma vez que um aristocrata era ensinado, entre outras coisas, a não fazer outra coisa que pensar ou, pelo menos, tomar cuidado para que seus empregados não lhe passassem a rasteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Código de ética jornalística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Reproduzo aqui um comentário da referida postagem: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Sim, é uma baleia-corcunda sem qq dúvida. Pode-se dizer isso pela forma da barbatana q mostram, e pelas pregas de pele q esta no topo do corpo. Estas pregas situam-se na zona ventral do animal, e permitem q a garganta se expanda durante a alimentação. O formato das maxilas q começam tb a ficar expostas devido à decomposição do corpo comfirmam q é uma baleia de barbas." Categórico, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) "The most merciful thing in the world, I think, is the inability of the human mind to correlate all its contents... some day the piecing together of dissociated knowledge will open up such terrifying vistas of reality, and of our frightful position therein, that we shall either go mad from the revelation or flee from the light into the peace and safety of a new Dark Age."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2396315747774484411?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2396315747774484411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2396315747774484411&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2396315747774484411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2396315747774484411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/11/lovecraft-e-o-monstro-da-guin.html' title='H. P. Lovecraft e o monstro da Guiné'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SS20tLALMnI/AAAAAAAAAHA/nX1YT60wDUk/s72-c/Monstro+da+Guin%C3%A9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-3039685741907425415</id><published>2008-11-22T17:30:00.004-03:00</published><updated>2008-11-26T16:56:45.082-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='academia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Vestibular UFRN 2009 – Revisão geral</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Daqui a algumas horas, o momento fatídico para diversos estudantes do ensino médio que concluem este ano e uns outros tantos que já passaram pelo colegial faz tempo, feito mainha.Alguns tópicos para revisão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Aulões de véspera são uma piada de mau gosto, e só servem para encher o saco de estudantes e professores, mesmo quando se usa alimentos não-perecíveis como ingresso. Corujões, então, nem se fala; você, que virou a noite (ou tentou virar) com todas as apostilas do cursinho, caneta, pen-drive pra gravar o que os professores dizem, papéis pra anotação, dois litros de bomba de guaraná e pinças pra manter os olhos abertos – você, meu chapa, provavelmente perdeu um bocado de seu tempo com esses ritos de iniciação, estudando e revisando conteúdo do mesmo jeito que um ganso se alimenta de ração para servir de ingrediente de &lt;em&gt;fois gras&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;2. Ah, tá achando ruim que eu tire onda? A que horas você tem que chegar no local de prova? 7 horas e 15 minutos, certo? Já eu, que te fiscalizarei e cuidarei bem direitinho para que não dê uma de sabido e passe vergonha na sala onde estiver fazendo a prova, terei que estar no local de prova até as 6 e meia. Os coordenadores dos locais de prova, por sua vez, têm de aprontar o material para a prova na COMPERVE de madruga, lá pelas 4 e tantas. Portanto, não venha com chorumelas sobre as questões da prova nem muito menos reclame de insônia!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;3. Continuando com a tiração de onda: uma amiga minha disse que o namorado dela provavelmente não a veria hoje devido a um desses aulões de revisão. Diz ele que quer tirar o primeiro lugar em geografia (se não me falha a memória). E ela, saudosa, doida pra dar uns beijos no cara... Ai ai ai... (Não sei se ela deseja ficar em primeiro também, já que, até uns dias atrás, era livro no café da manhã, almoço e janta, além da madrugada. Na última vez que vi ela (1), certamente conseguiu duas coisas: olheiras e um pouco de meu sardonismo, pra ver se ela aquietaria o facho e concordaria comigo no primeiro ponto desta postagem. Meu sucesso, obviamente, foi o menor possível.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;4. Fora de brincadeira, três curiosidades dignas de nota: 1) o vestibular da UFRN&lt;br /&gt;é o único no Brasil que AINDA não passou por uma tentativa de fraude; 2) embora reformulada, o nível da prova AINDA é duvidoso, de fato que neguinho só não entra se for relapso ou nervoso; 3) AINDA assim, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://tribunadonorte.com.br/93406.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;cinco estudantes daqui tentaram fraudar o vestibular de uma faculdade privada em João Pessoa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;. Ê beleza!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;5. Por fim, brevíssimo simulado: &lt;strong&gt;Quando acabar de ler esta postagem&lt;/strong&gt;, você vai: a) dar uma com sua namorada (ou namorado)? b) direto pro corujão mais próximo do local de sua prova? c) matar o vício da Internet? d) postar um comentário ofensivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) E então, o complemento pronominal é esse mesmo? &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-3039685741907425415?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/3039685741907425415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=3039685741907425415&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3039685741907425415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/3039685741907425415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/11/vestibular-ufrn-2009-reviso-geral.html' title='Vestibular UFRN 2009 – Revisão geral'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-832439948167078569</id><published>2008-11-17T20:07:00.004-03:00</published><updated>2008-11-23T20:18:23.523-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pós-modernidade'/><title type='text'>Saia com foto de calcinha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tô sem fazer nada em casa (1) e, de repente, paro pra assistir o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tudo é possível&lt;/span&gt;, apresentado por Eliana na Record. Aí eu vejo cinco boazudas desfilando numa rua, com saias estampadas com calcinhas atrás. Isso mesmo: saia com foto de calcinha. Acompanhando as damas (2), a pergunta soltada pela loura: essa moda pega?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa começou uns tempos atrás, no Japão. No entanto, em vez de impressão na roupa (como no caso das modelos), a estampa é pintada. A mão nipônica é, de fato, meticulosa - reproduz fielmente a bunda da mulher; mas as fotos mostradas só tinham saias com estopa (3). Já as brazucas, ai titia!, ai se a moda pega! Claro que algumas vão optar por estampas de estopa também, mas algumas... Ê torança! (4) E, como não podia deixar de ser, houve consulta popular. Já se esperava a divergência de opiniões entre homens e mulheres, embora a maioria dos marmanjos tenham gostado da idéia. Naturalmente, aquela nuance de machismo: saia com foto só com a mulher dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que me chamou mais a atenção foi a proveniênica da vestimenta. Até onde sei, a cultura japonesa tradicional é sóbria até o osso - e isso apesar dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hentais&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. &lt;/span&gt;Cê veja como é a tal da pós-modernidade - muito semelhante ao efeito borboleta, ninguém sabe quais os efeitos dos fenômenos pelo mundo afora. Daqui a pouco vão fazer estampa pra destacar o capô...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: desculpem a falta de imagens, o Google não colabora...&lt;br /&gt;P.S.S. (acrescentado em 23/11/2008): confiram o primeiro (e, até agora, único) comentário a esta postagem, é elucidativo para o efeito borboleta, isto é, efeito saia-com-foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Sou VASP.&lt;br /&gt;(2) Seriam damas de lotação? Ui!&lt;br /&gt;(3) Fazendo a verificação idiomática no Google (só pra checar se outros lugares do Brasil usam estopa como no potiguês - português do RN -, isto é, uma calcinha enorme), não pude deixar de incluir esta piada:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana,Arial;font-size:100%;color:Black;"   &gt;&lt;br /&gt;"A garota veio do interior para a cidade grande para a sua primeira consulta ao ginecologista.&lt;br /&gt;Quando o médico decidiu examiná-la e pediu que levantasse a saia, não conteve o riso.&lt;br /&gt;- Seu dotôr - disse ela, envergonhada. - O senhor tá fazeno pôco de mim, só por causa di quê eu uso calcinha feita de estopa?&lt;br /&gt;- Desculpe, senhorita! Só achei graça os dizeres: 'Ração para Pinto'."&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(4) Sabe aquelas calcinhas diminutas, estilo Ana Maria ou Kátia Flávia (cf. Fausto Fawcett)?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-832439948167078569?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/832439948167078569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=832439948167078569&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/832439948167078569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/832439948167078569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/11/saia-com-foto-de-calcinha.html' title='Saia com foto de calcinha'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6982152011544002541</id><published>2008-11-05T20:49:00.002-03:00</published><updated>2008-11-12T17:21:34.334-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Deforma tributária</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Deixa eu ver se entendi: redução progressiva da contribuição patronal para a previdência social de 20% para 14%, até 2011. Redução essa que vai acontececer obrigatoriamente, com ou sem lei para regulamentá-la. Não, não entendi mal: o trabalhador tá tendo o seu retirado, e das duas uma: ou tira mais do próprio bolso para manter a aposentadoria ou apela para um plano previdenciário privado (para aqueles mais abastados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho minhas dúvidas sobre essa reforma. Vão abaixar a contribuição patronal, como já tentaram a liquidação da CLT e - se não falha a memória - corte do 13º. Isso porque ainda é um projeto de lei. E se for aprovado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cara na comunidade da UFRN no Orkut alegou que isso permitiria às empresas mais incentivos fiscais e, conseqüentemente, maior abertura de postos de trabalho. Mas, se se tem que reduzir a carga tributária sobre elas - e sobre o resto da população -, três pontos: 1) por quê o trabalhador? 2) por que não outros impostos? 3) por menos impostos que haja, há ainda o desvio deles, e não é pouco tutu indo pelo ralo. Já um outro defende a proporcionalidade do pagamento: quem lucra mais, paga mais. Daqui que isso ocorra, ainda vai ter muito patrão chiando e muito congressista bolando artimanhas desse gênero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: não tem nada a ver com socialismo. Não preciso ser socialista para ser contra uma absurdade dessas. O motivo é muito simples: por que é que a corda tem que arrebentar do lado mais fraco? De resto, os patrões socialistas não melhoraram bastante a condição de seus trabalhadores, antes os afundaram num pântano mais movediço, já que nem mesmo tinham direito à greve.&lt;br /&gt;P.S.S.: as informações - ainda que resumidas - sobre o PL foram extraídas daqui: http://br.noticias.yahoo.com/s/02112008/25/politica-projeto-corta-contribui-patronal-partir.html&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6982152011544002541?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6982152011544002541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6982152011544002541&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6982152011544002541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6982152011544002541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/11/deforma-tributria.html' title='Deforma tributária'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-499398523738473748</id><published>2008-10-24T16:18:00.004-03:00</published><updated>2008-10-25T18:39:41.107-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fesceninas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>Estudantes de Letras: o que (não) fazem?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Após umas discussões no fórum da comunidade do ENEL 2009 no Orkut, eu pensei: o que é que os estudantes de Letras fazem? Participando do tópico, eu até arrisquei umas respostas estúpidas... Mas, de repente (1), fiquei mastigando comigo mesmo e cheguei a um estudo teórico-prático - que levou, de resto, algumas horas de esforço quase nulo, e que arrisco publicar aqui.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O que (não) fazem os estudantes de Letras? Minha pergunta partiu exatamente das experiências teórico-práticas que tive antes de meu estudo (2). A gota d'água foi o comentário duma garota: "as pessoas de letras não fazem sexo". Como assim, não fazem sexo? E eu tratei de investigar o caso. Dividi os achados em duas seções: o que os (3) estudantes fazem e o que não fazem de jeito maneira. Espero dar uma contribuição significativa na bendita arte da falta do que fazer. Sugestões e críticas são bem-vindas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O que fazem os estudantes de Letras?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se a observação pressupõe a teoria, basicamente o que um estudante de Letras faz é ler e reler - embora não sempre, dependendo do que gostar ou não - tratados de lingüística e literatura. A partir daí, é exigido que o aluno parta para experiências práticas, a fim de comprovar se absorveu de fato o conteúdo ministrado. Pode continuar os estudos no mestrado e doutorado, e se for audaz poderá enriquecer a teoria e repetir o ciclo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A parte lingüística, em geral, trata do uso corriqueiro da língua. Não tão corriqueiro, sei lá, mas não nos preocupemos com as definições do que seria "língua", "corriqueiro" e "uso", já que isso é aparar água com a peneira. Basicamente, noções de como, quando,onde e com quem usar a língua, variações lingüísticas, a começar pela própria língua. Isso parece redundante, mas a repetição nesse processo é fundamental, a fim de que o aluno tanto repasse essas informações adiante quanto as empregue na vida pessoal, evitando problemas mais ou menos sérios de comunicação. Algumas correntes: funcionalismo - ideal para quem tem interesse em empregados de repartições públicas; estruturalismo - para aqueles que desejam sentir a estrutura da coisa; formalismo - vão mais atrás de uma Maitê Proença ou um Antônio Fagundes, embora há quem prefira um Tião Macalé ou uma Brigitte Bardot (a atual, bem entendido); gerativismo - para aqueles que têm uma criatividade latente com a linguagem... De forma geral, a lingüística tem, à primeira vista, um contato maior com a prática, uma vez que são feitas pesquisas de campo a fim de corroborar ou corrigir a teoria; entre os instrumentos de trabalhos se incluem gravadores de som e filmadoras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Já a literatura, em sua prática, precisa de um pouco menos; caneta e papel bastam. Obviamente, isso varia no tempo e no espaço - canetas-tinteiro, computador, pena, pergaminho, papel de pão (4)... Quanto à teoria, bom, a teoria é um tanto quanto variada, já que trabalha com produções literárias variadas que, por sua vez, têm motivos variados - o que não é ruim, antes oferece ao estudante de Letras uma gama vasta, estonteante mesmo, de perspectivas profissionais (5). A depender do gosto (6), podemos ler: Vatsyayana, que criou um tratado rico e ilustrado sobre os prazeres da vinda, ensinando inclusive como chupar a manga; a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teogonia&lt;/span&gt; e a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilíada&lt;/span&gt;, com episódios da vida privada dos deuses, especialmente do modo como Zeus se metamorfoseava em cisne, touro ou chuva; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teresa filósofa&lt;/span&gt;, que já é, por assim dizer, auto-explicativo no título... Na contemporaneidade, Hilda Hilst narra as descobertas de uma garota de oito anos (7); J. G. Ballard descreveu experiências vertiginosas em atropelos automotivos (8); e Gibson fez questão de desmitificar o fato de que hackers vivem direto na frente de um computador (9). Sem mencionar a sabedoria popular, que manifesta seus ensinamentos em versos de boa (!!!) qualidade (10). Há ainda a divisão por escola literária: romantismo - para aqueles particularmente emotivos e anti-burgueses; realismo-naturalismo - que desejam oferecer um tratamento científico à coisa, descrevendo-a do modo como as pessoas realmente agem; simbolismo - procuram deixá-la um pouco colorida e sutil; arcadismo - ideal para quem gosta do mato, cachoeiras e charnecas; modernismo - o jeitinho brasileiro de arrumar uma identidade pra nossa literatura...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A pesquisa ainda se encontra em fase inicial, de forma que algumas dúvidas podem - e devem (senão perde a graça!) - permanecer. Mas falta responder à outra pergunta:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2. O que não fazem os estudantes de Letras?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sexo. Nem em diferentes posições. Não furunfam. Não trocam fluidos corporais. Nada de material erótico. Não trepam e não fodem. Ao que parece, como uma garota cearense disse: é tudo literatura (11). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(1) É assim que a estupidez vem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(2) Como diria Karl Popper: a observação pressupõe a teoria.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(3) Especialmente AS estudantes. Mas não permitamos que minha preferência afetiva atrapalhe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(4) E nas condições impostas ao literato; taí Sade pra não me deixar mentir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(5) Há por aí uma blogueira muito famosa, que ganhou uma grana braba após publicar contando como acabar com um relacionamento conjugal. Dizem que ela sabe surfar que é uma beleza.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(6) Tudo o que podemos fazer com ele é lamentar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(7) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Caderno Rosa de Lori Lamby&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(8) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Crash&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(9) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Neuromancer&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(10) Como uma certa vez li, numa antologia organizada por Celso da Silveira (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Glosa Glosarum&lt;/span&gt;): "A cabeça quando pinta/..." (epa!)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(11) Carolina Dutra, conhecida pela alcunha de Transgressora. Ela se esqueceu de mencionar a lingüística, mas deve ter sido um lapso momentâneo devido à inclinação dela pela arte literária.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-499398523738473748?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/499398523738473748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=499398523738473748&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/499398523738473748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/499398523738473748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/10/estudantes-de-letras-o-que-no-fazem_24.html' title='Estudantes de Letras: o que (não) fazem?'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-5617865898597588949</id><published>2008-10-17T18:36:00.003-03:00</published><updated>2008-10-17T18:50:38.883-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Para além da natureza e da cultura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SPkHJPVJJUI/AAAAAAAAAGY/gE6mFk6UsLY/s1600-h/Kaspar_hauser.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SPkHJPVJJUI/AAAAAAAAAGY/gE6mFk6UsLY/s320/Kaspar_hauser.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258241895247193410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Este poderia ser um outro título para &lt;i style=""&gt;O Enigma de Kaspar Hauser&lt;/i&gt;. Ora, o que houve com ele não foi muito diverso do que ocorre com o resto das pessoas. Não pela privação absurda que sofreu – 16 anos trancafiado e sem contato com o mundo a sua volta – mas por representar um esforço em superar a dicotomia natureza/cultura, bastante valorizada no contexto europeu.  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal" face="verdana"&gt;O que é o ser humano? O que nos torna humanos? Há 200 anos existe tal separação: por um lado, aqueles que defendem que a natureza, a biologia, os genes etc. determinam e/ou condicionam a construção de tal adjetivo; por outro lado, o conjunto de profissionais das ciências humanas opta por apostar na cultura como o ponto de partida para a experiência não tão fácil de se constituir um ser humano. E então, quem está certo sobre a habilidade dos quenianos de vencer em corridas de fundo pelo globo afora? Quem tem razão sobre a habilidade dos mongóis em tirar duas notas simultâneas da garganta? Quem tem razão a respeito do debiloidismo cada vez crescente em nossa época?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;Penso que, se continuarmos nesse dualismo, pouco progresso será feito. Natureza e cultura são esferas diferentes, claro; mas para que opô-las? Uma forma de superar essa antinomia é adotar a idéia de que nós, seres humanos, somos por natureza dotados de capacidade cultural, que a seu turno nos permite debater mais acerca de nossa natureza, e assim até o infinito. Alguém pode objetar, evidentemente, que isso empobrece o debate. Eu vou na via contrária: é exatamente a recusa em decidir por uma dessas dimensões que poderemos apreciá-las melhor, esforçando-nos em evitar comentários pífios como o de uma jovem sobre Kaspar: “um verdadeiro filho da natureza”. Aarrgh!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;Não, Kaspar Hauser não é um filho da natureza. Nem um filho da cultura. O “não” aqui significa “não apenas”; &lt;i&gt;nec natura nec cultura&lt;/i&gt; – Kaspar Hauser é uma simbiose desesperada e teimosa de ambas. Foi com um atraso de 16 anos que ele pôde ensaiar uma compreensão maior de seus pares, o que certamente não foi confortável, já que ele chegou a preferir sua casa à festa oferecida pelo conde Stanhope. Mesmo assim, com o pouco de cultura que respirou, conseguiu atentar um pouco para a mesquinhez de seus pares, que insistiam em manter essa dicotomia (e que prolongamos até hoje); e, após sua morte, foi a vez de eles entenderem um pouco melhor a dificuldade desse homem: analisando o cerebelo dilatado e o cérebro degenerado, é provável que eles hajam chegado à conclusão de que a natureza do homem que tinha dificuldades em absorver a cultura de sua época e lugar foi, na verdade, tolhida pela brutalidade de um pai perverso e por essa cultura inconseqüente.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;P.S.: Para quem tem um pouco mais de curiosidade sobre o personagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kaspar_Hauser&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-5617865898597588949?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/5617865898597588949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=5617865898597588949&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5617865898597588949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5617865898597588949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/10/para-alm-da-natureza-e-da-cultura.html' title='Para além da natureza e da cultura'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SPkHJPVJJUI/AAAAAAAAAGY/gE6mFk6UsLY/s72-c/Kaspar_hauser.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-5561086335253847043</id><published>2008-10-05T20:08:00.010-03:00</published><updated>2008-10-07T21:54:47.603-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Parque das Tramóias: visite Natal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.nominuto.com/_resources/_circuits/news/news_21349.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.nominuto.com/_resources/_circuits/news/news_21349.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O resultado saiu alguns minutos atrás. A eleição municipal aqui em Natal acabou no primeiro turno. No começo da apuração, a percentagem já estava apertada; Micarla beirava os 50% direto, e Fátima Bezerra mal subia nos pontos. Aí o que eu e milhares de eleitores e eleitoras temíamos aconteceu, e não sabemos como será a coisa nos próximos quatro anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos atrás, ela era vice do atual prefeito, Carlos Eduardo. Mas ela abdicou da cadeira de vice por pressões dentro da Prefeitura (isto é, ficou de escanteio), deixando pra entrar na Assembléia Legislativa, conseguindo ser a mais votada aqui na capital. No ano passado, entretanto, rolou a Operação Impacto expondo a podridão do poder instituído: 14 vereadores e alguns funcionários acusados de corrupção passiva - suborno - com uma empresa de construções local. O que seria feito? Muito simples: a segunda maior área de preservação ambiental em espaço urbano no Brasil - o Parque das Dunas - viraria um canteiro de obras com o passar dos anos; os prédios e casas e condomínios fechados tomando o lugar das dunas e lençóis freáticos, além de tornar a cidade um forno enorme, diminuindo a ventilação e criando ilhas de calor. E não é que a candidata vencedora teve uma conversa 'suspeita' ao telefone com um dos vereadores denunciados? (1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A galera que votou nela (e noutros candidatos) objeta que eleitores como eu estão fazendo uma bravata exagerada, e que Fátima foi incoerente a respeito do acórdão com Vilma e Garibaldi. E o que ela faz, pelo amor de Deus? Um conhecido meu disse que ela tem projetos sociais(não lembro onde); mas como é que uma coisa assim não é veiculada? Agora bem, baseado nas circunstâncias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;atuais&lt;/span&gt; duvido muito da capacidade dela de gerir a prefeitura com um pouco de vergonha na cara. Gostaria muito de acreditar que ela pode exercer um mandato decente, mas prefiro deixar meu ceticismo ligado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) &lt;a href="http://rapidshare.de/files/40570609/Dialogo_de_Micarla_e_Julio_Protassio.MP3.html"&gt;http://rapidshare.de/files/40570609/Dialogo_de_Micarla_e_Julio_Protassio.MP3.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-5561086335253847043?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/5561086335253847043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=5561086335253847043&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5561086335253847043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5561086335253847043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/10/parque-das-tramias-visite-natal.html' title='Parque das Tramóias: visite Natal'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2276280106243154526</id><published>2008-09-20T23:11:00.003-03:00</published><updated>2008-09-21T22:04:17.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>A vida é uma merda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Combino com minha amiga de encontrar ela pra botar as novidades em dia, ela se atrasa, fico sabendo do acidente com um irmão dela, as irmãs e mãe e amigas da família ansiosas, e eu besta sem saber o que fazer, e ela solta, após eu dar um abraço nela: "A vida é uma merda". Eu replico: "Conhece algo melhor?" "Não." "Então pronto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acidente foi rápido, fulminante e assustador. O irmão voltava pra casa de bicicleta, e uma moto vinha descendo veloz, indo de encontro a ele (não sei se ele se desviou de encontro a ela, se o piloto da moto se desgovernou); foi um sarapatel danado, ele foi socorrido em situação delicada pela SAMU, vomitando sangue e tal. Quando estou com os familiares esperando minha amiga, a mãe liga pra ter notícias do rebento: entrou em coma. Nada de cirurgia, e até o momento que escrevo isto não sei em que pé a coisa está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pontos deve, no entanto, ser posto. O primeiro deles é o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;carpe diem&lt;/span&gt; de cada dia, e que negligenciamos com freqüência. Será que damos à vida o gosto que ela merece? Perguntando de outra forma, fazemos dela algo desejável e proveitoso? O fato é que, de alguma forma, minha amiga parece responder afirmativamente. Não é à toa que levei um susto com a declaração dela. A atitude do motoqueiro deve ter sido uma merda; a desatenção do irmão deve ter sido uma merda; o burburinho do povo curioso por saber o que houve, certamente, foi uma merda, já que muitos não fariam mais que deixar a atmosfera tensa e dificultar a tarefa de socorro. Por que, então, botar a culpa na vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que eu esteja sendo um pouco duro. Claro, não foi meu irmão que voou e desmaiou, queda instantânea e vertiginosa; ela, então, teria o direito de se assustar e soltar, de supetão: "A vida é uma merda". Mas ainda teimo em reprovar a atitude dela (e, de quebra, atentar para a minha); já que ela não pode ir ao hospital e tocar no irmão e, milagrosamente, recobrar ele a saúde, um pouco de paciência e sangue-frio (1) serviriam de bálsamo para o ânimo abalado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora da vida não há salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém discorda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Se o sangue esfria, o sujeito é tachado de insensível. Mas se esquenta, dizem que ele é histérico. Mas talvez haja uma palavra melhor pra evitar essa (falsa) dicotomia: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;abnegação&lt;/span&gt;. Palavra bela para eventos nem tanto...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2276280106243154526?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2276280106243154526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2276280106243154526&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2276280106243154526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2276280106243154526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/09/vida-uma-merda.html' title='A vida é uma merda'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-6892480401451801953</id><published>2008-09-17T13:41:00.003-03:00</published><updated>2008-09-21T22:04:52.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Eleições: de Natal a Guarabira</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Guarabira é uma pequena cidade do agreste paraibano. Viajei este fim de semana lá pra ver uma garota e saber que história é essa de "Capital dos OVNIs". O passeio foi ótimo, demos um pulo no Memorial Frei Damião, que apesar de frio (sou friorento assumido) tem uma vista ótima do entorno da cidade. Me chamou a atenção também a enorme quantidade de gente na feira-livre do sábado: fui informado de que o lugar é assim também durante a semana - especialmente nestas semanas que antecedem o 5 de outubro deste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude deixar de ficar surpreso. Há todo um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pathos&lt;/span&gt; eleitoresco na cidade, marcado por uma semiótica bem demarcada: vermelho para o PMDB, azul para o PSDB, e por aí vai. Cada candidato, partido, figurão político convoca a seu redor uma quantidade régia de simpatizantes, maior e melhor (?!) que aquele comício de Jessier Quirino. (1) Minha amiga não constitui exceção; quando passeamos até o Monumento do Novo Milênio, ela ficou aperreada com a carreata da prefeita atual - que tenta reeleição -, pedindo que esperássemos a mundiça ir embora para voltarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Natal, o que mais leio no Orkut nas discussões envolvendo política eleitoral é a Operação Impacto (2): vereadores e funcionários subornados por uma construtora local para liberar geral aqui no Parque das Dunas, levando o que resta do equilíbrio ambiental e vergonha na cara. Mais da metade dos vereadores acusados se encontra nos primeiros lugares da preferência dos natalenses eleitores, o que me deixa bastante preocupado; sem contar que vários deles estão coligados com o PT de Fátima Bezerra, que gostaria de ver na prefeitura daqui ano que vem. Quer dizer, a coisa anda tão pra lá de Bagdá que tem nego apostando em Thoreau, votando nulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: eu espantado com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pathos &lt;/span&gt;de Guarabira. Ela besta com a falta de envolvimento em Natal. No entanto, prefiro tentar dosar um pouco as coisas, ainda mais quando ela disse que a candidata dela fez e aconteceu quando era prefeita de lá. Claro que eu teria que passar algum tempo por lá e avaliar a situação; mas mesmo que tivesse a comprovação do que minha amiga anunciava, não poderia me deixar me levar muito por esse entusiasmo. Por isso que já estou pensando no que escrever pra XVIII Semana de Filosofia daqui da UFRN, tentando juntar um pouco do individualismo instituidor de Castoriadis com o anarquismo individualista de Thoreau. Estou mais para o primeiro, mas acabo com um trecho da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Desobediência Civil&lt;/span&gt;: "Desejo primeiro não a ausência do governo, mas imediatamente um governo melhor. Que cada homem faça saber que tipo de governo lhe diria respeito, e este será um passo em vistas de obtê-lo" (3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)   "Pra se fazer um comício&lt;br /&gt;             Em tempo de eleição&lt;br /&gt;             Não carece de arrodei&lt;br /&gt;             Nem dinheiro muito não&lt;br /&gt;             Basta um F-4000&lt;br /&gt;             Ou qualquer mei caminhão&lt;br /&gt;             Entalado em beco estreito&lt;br /&gt;             E um bandeirado má feito&lt;br /&gt;             Cruzando em dez posição."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.jessierquirino.com.br/obra_prosa_comicio.shtml"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, na íntegra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Nome aos bois &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IrbyFrxwx98/SMajT7p4I-I/AAAAAAAACNM/Eie0TDQxXmA/s1600-h/222108.bmp"&gt;aqui&lt;/a&gt;. E o &lt;a href="http://tribunadonorte.com.br/noticia.php?id=46623"&gt;pedido de prisão&lt;/a&gt; foi feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(3) Tá, eu sei, a tradução foi livresca. Vai o trecho no original: "I ask for, not at once no government, but at once a better government. Let every man make known what kind of government would command his respect, and that will be one step toward obtaining it."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-6892480401451801953?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/6892480401451801953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=6892480401451801953&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6892480401451801953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/6892480401451801953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/09/eleies-de-natal-guarabira.html' title='Eleições: de Natal a Guarabira'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-1604136016086902048</id><published>2008-08-09T23:06:00.009-03:00</published><updated>2008-09-21T22:04:52.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Faturando com a birita (1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Ora, fuço o Orkut e vejo uma notícia interessante: &lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL715695-9356,00.html"&gt;acréscimo de 30% nas alíquotas das bebidas alcóolicas no Brasil&lt;/a&gt;, exceto a cerveja (2). Refrigerantes vão sofrer aumento também, mas isso é outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num sábado pela manhã (09 de agosto último), num curso de extensão de filosofia na Livraria Paulus, a bola da vez foram as drogas. Por que o ser humano usa elas? Qual o impacto delas na vida contemporânea, particularmente nas relações de poder, tão importantes quanto perversas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, o uso não é nada novo; chás de cogumelo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ayahuasca&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;peyotl &lt;/span&gt;e um cachimbinho fazem parte do cotidiano religioso ainda hoje, e em vários pontos do planeta. Abrir a mente mais rápido e entrar em sintonia com algo mais, e trazer algo de bom pra vida: essa era a proposta. Cada vez mais veloz as mentes (e bocas, e braços, e outros orifícios do corpo) se abrem hoje, e sempre algo mais pra sintonizar; mas que é que traz de bom? Ou melhor, é tão melhor que se fosse sem ela? Me refiro a qualquer coisa: a paquera que não decola, o poema que não mela o papel, a música surda no torpor criativo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixem-me ser bastante direto e veemente quanto ao tópico da bebida (e do tabaco, do THC, do LSD, do que o engenho humano possa inventar): neste terceiro milênio, quanto mais cedo nos livrarmos deles, tanto ótimo será. Há outras vias de se chegar aos mesmos objetivos, sejam eles quais forem (3). Supondo que o leitor não cometa grandes exageros e queira viver um pouco mais que a média (mesmo que seja pra ver a ineficácia desta postagem), examino agora alguns motivos para não consumir drogas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Não vai ser para sempre que o corpo vai reagir legal a elas, seja numa pista de atletismo ou no quarto de motel;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Não vai ser para sempre que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As Portas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;da Percepção&lt;/span&gt; vão sair do punho de um Huxley - aliás, Hemingway queimou os neurônios de tanto álcool, e Raul Seixas poderia ter vivido um pouco mais e cantado mais se se livrasse dele; por pouco algo semelhante não ocorre a Ray Charles, que largou a heroína;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Dinheiro não cai do céu, por isso não vale a pena gastar 200 contos com um grama de farinha, e até agora o investimento em clínicas de recuperação não tem sido de grande ajuda - aliás, de ropinol em ropinol os internos ficam mais atolados ainda na desgraça. Isso é particularmente verdadeiro pra hospitais psiquiátricos (4);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Pode ser que, eventualmente, o barato compense defeitos como timidez ou burrice. Numa rave, entretanto, basta uma balinha a mais pra nego morrer mais convulsivo que um epiléptico, enquanto os demais riem de sua tragédia;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Não, eu não quero tornar realidade certos ditos populares, como aconteceu um tempo atrás no Distrito Federal (5)...&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;Uma última coisa: assim que eu saí duma conferência sobre Demócrito, encontro um bicho do curso de filosofia caído perto da porta do auditório de filosofia aqui da UFRN. E então, todo aquele papo do pré-socrático sobre a justa medida - encontrando ecos na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;autarkheia &lt;/span&gt;de Epicuro, o domínio de si mesmo -, que justificaria até um consumo moderado dessas coisas, achava franco oposto naquele homem de roupa surrada, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dreadlocks&lt;/span&gt; e uma garrafa com cachaça, estirado no chão... Quem fatura com birita é o dono da Pitu, mas eu é que não vou colaborar com isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(1) Uma deixa pra falar de outras coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(2) Por quê? Porque é sagrada?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(3) Hitler financiou uma pesquisa contra o câncer e organizou uma campanha para maximizar a potência do Reich, proibindo consumo de cigarro e estimulando os soldados a beber água mineral. Embora a abstinência não tenha qualquer relação estrita com a sanidade mental, não vejo porque não defendê-la, despotencializando outras sandices humanas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(4) Foi o que aconteceu com Austregésilo Carrano, que teve sua trajetória narrada no livro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;Canto dos Malditos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, adaptado para o cinema como &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;Bicho de Sete Cabeças.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(5) Tipo assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SKYDVCix9HI/AAAAAAAAAF0/fgViM-yQ-8U/s1600-h/Bebado-e-Dono-g.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SKYDVCix9HI/AAAAAAAAAF0/fgViM-yQ-8U/s320/Bebado-e-Dono-g.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234875276859667570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-1604136016086902048?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/1604136016086902048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=1604136016086902048&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1604136016086902048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1604136016086902048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/08/faturando-com-birita-1.html' title='Faturando com a birita (1)'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SKYDVCix9HI/AAAAAAAAAF0/fgViM-yQ-8U/s72-c/Bebado-e-Dono-g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2572634174927912775</id><published>2008-07-28T18:15:00.001-03:00</published><updated>2008-09-21T22:06:25.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pós-modernidade'/><title type='text'>Desgraça e emancipação na sola do pé</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Já li, vi e ouvi falar de um bocado de propagandas, doenças e curiosidades várias sobre calçados. Gente escalando penhascos, tomando sol na praia, as colunas tortas de madames em salto 20 e feridas por alergia a tinta de chinelo: não é disso que quero tratar. Se existe um item de vestuário que enche meus olhos, é o calçado – meia, tênis, sandália, papete, alpercata; de vez em quando, passo pela vitrine da Meggashop e conferir o mostruário, coçando a mão para não comprar: também não é isto que me interessa. Meu ponto de partida é outro: uma entrevista no Programa do Jô com um imigrante vietnamita, dono da Goóc – uma empresa de calçados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Comecemos, no entanto, por outra parte: Universidade Stanford. Um aluno lá, ex-atleta de corridas de fundo, pensou em criar tênis esportivos com mão-de-obra barata do Japão. Isso foi mais de quarenta anos atrás. Hoje, além de tênis, uniformes e contratos com jogadores de futebol, a Nike fatura uma nota preta com quinquilharias, desde relógios até canecas. A sede é nos EUA, mas é a subsidiária em Taiwan que contrata empresas pela Ásia para o fabrico dos produtos – e, como já li e ouvi falar várias vezes (e não só com a Nike), mão-de-obra barata é eufemismo para exploração subumana do trabalho, especialmente o infantil. Quer dizer, nenhuma novidade a acrescentar ao que a história nos mostra: o homem pisando noutros homens pra tentar subir na vida – Phil Knight, até agora, só acumula processos. Pelo menos é o que parece.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Ali, perto do Taiwan, grassava uma guerra horrenda no Vietnã. Desmoralizou os EUA, que entretanto deram um banho de napalm e arrasou o território vietnamita, dividido em facções antagônicas ainda antes do conflito e – após a derrota ianque e unificado – em batalha com a vizinhança, notadamente o Camboja. Num navio de carga brasileiro, Thai Nghia embarca para o Brasil, fugindo da hecatombe de sua terra natal e sem dar um “oi” em português. Após anos de trabalho e aprendizado – que culminou na elaboração dum dicionário -, o imigrante começou a fazer chinelo com pneu velho, ocupação surgida no Vietnã da guerra contra os Estados Unidos. Com algum capital de giro, fundou primeiro a Yepp, depois a Goóc, que ainda usa pneus velhos como matéria-prima das sandálias, e vende outros acessórios mais; ao lado da durabilidade caminha a aceitação, pois a empresa já exporta para outros países – e isso em poucos anos de existência. E, por enquanto, nada de moleque sugado pela lógica humana de pisasr para subir, infinitamente pior que a lógica de mercado capitalista ou a lógica burocrática socialista. Rendeu até entrevista com o gordo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;É num espírito de ceticismo que teço aproximações entre elas. Bastante pós-modernas: enquanto a Nike aposta na herança pós-industrial da economia norte-americana, a Goóc mescla consciência ecológica com maneirismos parisienses. E, em contraste com imigrantes asiáticos que vendem tênis contrabandeados – falsos, presumivelmente – por bairros comerciais de Natal, ainda não soube de lotes de sandálias de pneu reciclado em consignação numa loja de Pedro Juan Caballero. E, se nem esse ceticismo me for útil, e eu passar fome no Vietnã, quem sabe eu não faça um chinelo com papelão, para conservar as tênues marcas da desgraça e emancipação na sola do pé, e tentar subir na vida sem pisar em ninguém?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2572634174927912775?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2572634174927912775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2572634174927912775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2572634174927912775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2572634174927912775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/07/desgraa-e-emancipao-na-sola-do-p.html' title='Desgraça e emancipação na sola do pé'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-4786956533496369379</id><published>2008-07-25T20:25:00.004-03:00</published><updated>2008-09-21T22:07:45.329-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>Pirulito e bandeira: 121 anos de esperanto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Acabo de ler uma instrutiva entrevista com &lt;a href="http://eric.ed.gov/ERICWebPortal/contentdelivery/servlet/ERICServlet?accno=ED401714"&gt;Umberto Eco&lt;/a&gt; acerca do esperanto e temas correlatos (notadamente o plurilingüismo). Mais um material que acrescento a minha memória pessoal, intelectual, política, lingüística e mesmo filosófica. Ora, que é o esperanto, senão o esforço de sair dum bairrismo cultural, cujas muralhas têm entre seus componentes a argamassa da língua?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A primeira língua estrangeira que comecei a aprender foi o inglês, oferecido na escola em que estudava em Salvador. Achava bacana, uns livrinhos coloridos, eu agoniava mainha pra comprar o material e acompanhar bem as aulas. No entanto, a primeira língua estrangeira que comecei a aprender &lt;i style=""&gt;de livre vontade&lt;/i&gt; foi o esperanto; aos onze anos, folheando uma revista espírita e conferindo o catálogo de livros ali, avistei uns títulos esquisitos, pedi pra mãe me dizer que língua era aquela. “Assim que tiver um curso de esperanto, me avise!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Foi plantada a semente nessa hora. Houve um curso no centro espírita que mãe trabalhava, segundas-feiras à tarde; não logrei (1) continuá-lo, porque o horário coincidia com as aulas escolares que estavam por iniciar. Mas eu regava de vez em quando, folheando a apostila; no ano seguinte (2), comecei os estudos autodidatas de inglês e freqüentei um curso básico (bem básico mesmo!) de francês; já em 2001, começava o alemão... Entrando no CEFET, tive contato com o espanhol, ao mesmo tempo que praticava os outros idiomas mencionados com os estudantes intercambistas, melhorando substancialmente minha competência lingüística e a sensibilidade cultural. Enfim, em 2004 voltei a ter um contato mais estreito com o esperanto, contatando os membros da &lt;a href="http://esperanto-rn.org.br/"&gt;PEA&lt;/a&gt; (Associação Potiguar de Esperanto); fiquei por uns tempos indo lá, mas já não vou lá desde 2006, acredito. Só que o contato com a língua internacional continua na memória, cantarolo &lt;i style=""&gt;La Espero &lt;/i&gt;de vez em quando, a qualquer momento posso ler um livro em esperanto sem grandes dificuldades.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;E, no entanto, existem dois problemas que me incomodam. Um deles é a recepção da idéia de língua internacional por parte do grande público. Acham que isso é idiotice, que o esperanto é uma língua morta, pois fracassou em sua tarefa de se fazer universal, e vêem com bastante ceticismo a democracia lingüística. A esses desavisados, pergunto: que língua morta é essa que conseguiu, em quase 121 anos de existência, adquirir 2 milhões de falantes? Que língua morta é essa, de sintaxe simplíssima e vocabulário aglutinante, otimizando a aprendizagem tanto em termos econômicos quanto lingüísticos e culturais (e em quais termos mais, meu Deus)? Que língua morta é essa, cujo criador passou uma fome miserável para difundi-la, e não se entregou a uma vaidade personalista e fútil, arrogando-se o direito de criador, preferindo se intitular o &lt;i style=""&gt;iniciador&lt;/i&gt; da Internacia? Uma tal desinformação só pode ser resolvida, entre outras coisas, com uma leitura adequada do &lt;a href="http://www.kke.org.br/pt/dossie/manifesto_de_praga.php"&gt;&lt;i style=""&gt;Manifesto de Praga&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;O segundo problema está relacionado às dissensões internas do movimento esperantista. Um dos sintomas dela é a saída de membros vários, como o grupo que criou o &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://idolinguo.blogspot.com/"&gt;Ido&lt;/a&gt;, língua artificial que herdou muito da gramática esperantista. Mas o que me preocupa sobremaneira é a atitude dos indivíduos esperantistas diante das línguas ao redor do mundo e de sua própria língua. Será que o desejo de meu xará tem sido bem correspondido? Duvido muito. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;Me deixem explicar melhor a situação. Quem tem um mínimo de informação sobre o esperanto sabe que um de seus pontos é a democracia lingüística: permitir e possibilitar a escolha ou não de um idioma qualquer, apreciar seus dialetos, e assim por diante. Tudo isso foi maestralmente sintetizado no Manifesto de Praga. Só que não é bem o que acontece. Ano passado, sem ter algo de interessante pra fazer na net, fui procurar meu nome completo no Google e ver quantos resultados saíam. De repente, me deparo com uma postagem minha num grupo de discussão de esperantistas portugueses, um deles desmontando ela. O contexto era mais ou menos esse: na lista de esperantistas brasileiros do Yahoo!, alguém abriu um tópico anunciando que o gerúndio havia sido proibido nos documentos oficiais do Distrito Federal. “Que diabo é isso?”, pensei. E comentei uma outra postagem dentro desse mesmo tópico, afirmando que o cara tinha sido preconceituoso com o gerundismo (alvo do decreto que proibia seu uso nas repartições públicas do DF), alguns tópicos de lingüística e tal... Pois bem: eu encontro minha postagem destrinchada por um filólogo português que, entre outras coisas, tem a proeza de comparar o uso da língua por uma criança à fotossíntese de uma árvore (3), que não sabe biologia, bem como deduzir, a partir de um comentário duvidoso meu, que eu sabia zero de literatura e filologia. E ele se diz esperantista, me chama de analfabeto por eu ter escrito em internetês e o escambal. E o ideal da democracia lingüística, onde está? Na lata de lixo da memória dele, suponho; primeiro por desconhecer minha experiência com os idiomas, segundo – o mais importante – por não se sensibilizar com o fenômeno do internetês que, queiramos nós ou não, não pode ser mais negligenciado do que já o é. Além disso, se sou mesmo um analfabeto, por que diabos consigo escrever esta postagem numa linguagem padrão – com os devidos desvios da gramática herdada de Portugal, já que sou brasileiro e minha realidade lingüística é outra – e no internetês e entendes ambas, ao passo que o portuga se enrola pra entender umas poucas palavras minhas? É de fundir os miolos!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" face="verdana" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu hem... Acho bom parar de espernear e sair por aí espalhando o aniversário do esperanto. Era bom eu pegar uma bandeira, amarrar ao pescoço e ir chupando um pirulito daqueles que pintam a língua, e mostrar a minha pintada de verde pra quem tirar onda. Putz, que criancice! Bom, só me resta paciência e vergonha na cara pra continuar a difundir e aperfeiçoar o esperanto. Desperdiçar um esforço árduo como o de Zamenhof é perigoso, ainda mais nesse 2008 proclamado pela UNESCO o Ano Internacional das Línguas. &lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;(1)&lt;span style="font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;font-size:7;" &gt;   &lt;/span&gt;Que palavreado difícil, no meio dum registro coloquial da linguagem, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2)&lt;span style="font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;font-size:7;" &gt;   &lt;/span&gt;2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3)&lt;span style="font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;font-size:7;" &gt;  &lt;/span&gt;“A utilização de uma língua é tão fácil que até uma criança de quatro anos o faz com correcção, e tão difícil que muitos adultos não falam nem escrevem com um mínimo de correcção a sua língua natal. Acrescente-se ainda que a aprendizagem de uma língua estrangeira é dos processos mais complexos que existem. Além do mais, a criança fala a língua, mas não reflecte sobre ela; assim, a criança usa a primeira pessoa do pretérito perfeito simples, mas não sabe porque a usa. Tal como uma árvore faz a fotossíntese, mas não sabe nada de biologia”. Na hora que ele escreveu este parágrafo, imagino se ele pensou num detalhe: uma coisa é a árvore não saber o porquê de sua fotossíntese, mesmo porque uma árvore não possui consciência como entendemos ser uma consciência, seu ser-árvore não lhe permite refletir sobre a fotossíntese; outra coisa &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: verdana;"&gt;diferentíssima&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; é uma criança não saber por que usa tal ou qual modo, tempo ou pessoa verbal, mas – após um processo adequado de educação – vir a saber isso com um pouco mais de maturidade psíquica e intelectual. O artigo dele se encontra &lt;a href="http://groups.google.com/group/esperanto-em-portugal/browse_thread/thread/21dbcb11c87c9853"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-4786956533496369379?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/4786956533496369379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=4786956533496369379&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4786956533496369379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4786956533496369379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/07/pirulito-e-bandeira-121-anos-de.html' title='Pirulito e bandeira: 121 anos de esperanto'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2681178872766801074</id><published>2008-07-22T19:21:00.003-03:00</published><updated>2008-09-21T22:04:52.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>Cotas e ensino superior: polêmica (de novo e até quando?)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já faz algumas semanas que o &lt;a href="http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/getHTML.asp?t=11273"&gt;PL 546/07&lt;/a&gt;, da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), foi aprovado. Agora, no mínimo 50% das vagas irão pra estudantes de escola pública, e haverá recortes étnicos pra permitir o acesso de negros e indígenas ao ensino superior. Ora, que legal, num contexto de incertezas políticas - uma herança secular de discriminação sócio-econômico-racial, o REUNI e um ensino básico desolador -, vamos colocar gente de etnias menos favorecidas pra virar doutor, médico e filósofo(1)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos aos problemas. O primeiro deles é a legitimidade da estratégia de cotas por si mesma. Há quem defenda, alegando o passado dos afro- e indodescendentes brasileiros; outros se posicionam contra, já que as cotas indicariam (quer dizer, indicam) uma suposta (quer dizer, uma efetiva) desvantagem de negros e pardos em relação aos brancos. Bom, estou sendo generalista, assumo; tem um terceiro grupo, que não é necessariamente de indecisos, e sim de posições bastante heterogêneas. Me encaixo nele, porque penso nas cotas como um paliativo, embora tenha dúvidas a respeito dos critérios para sua aplicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passemos, então, a eles. Suponhamos, por um momento, que ninguém fará objeções etnicistas, racistas ou sócio-econômicas. Todo mundo - negros, brancos, índios, pardos, orientais, descendentes de alguém da Ilha de Páscoa - vai apoiar bravamente a política de cotas (como paliativo, bem entendido). Os governantes e a iniciativa privada, aliados à vontade ferrenha da sociedade em ver um país melhor, não pouparão esforços em implementá-la. Que fraseologia cínica, verdade? A verdade é que, na conjuntura atual - e na ideal também, creio -, a classificação dos contemplados é, no mínimo, inconsistente. Como definir um negro, um índio, um branco, um oriental, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;indefinível&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tô até vendo a algazarra. Cientistas sociais e antropólogos preferirão aspectos socioculturais pra classificar as pessoas, ao passo que biólogos e engenheiros genéticos buscarão na carne a etiqueta identitária. E nenhum deles vai conseguir puxar a sardinha pra brasa. Primeiro, há o fenômeno do branqueamento - e, por que não incluir?, do enegrecimento - ideológico, gente botando a culpa na cor da própria pele ou cabelo(2); segundo, porque cada etnia possui particularidades genéticas que são decisivas na criação de políticas públicas para insumos farmacológicos, por exemplo. De resto, o critério previsto no PL é o do IBGE: será considerado negro, índio ou descendente de alguma dessas etnias o indivíduo que se declarar como tal no censo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que mora o problema. Várias ONGs têm criticado a classificação do IBGE quanto à etnicidade dos entrevistados, por ser muito imprecisa. Até onde sei, os entrevistadores não podem interferir na coleta desses dados; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tipo assim&lt;/span&gt;, se um empresário de cor branca e manifestamente racista disser que é negro, o local na ficha destinado a isso tem que estar devidamente preenchido, confirmando a cretinice do sujeito. Aliás, qualquer oportunista pode fazer isso, se assim desejar; EU, que nunca me considerei negro, embora reconheça e não esconda minha ascendência africana - ainda mais natural de Salvador -, posso pedir pro entrevistador marcar, em minha ficha, que sou negro e pleitear a cota com o adicional do recorte étnico, já que estudei quase toda a vida em escola pública. Sem contar as várias vezes que já vi alguém se declarar negro, quando num primeiro momento eu e muita gente presumiríamos ser multiétnico (como está em meu perfil do Orkut).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns meses atrás, um professor da UFRN, Alípio de Sousa Filho, declarou num curso de extensão que tô freqüentando: "mestiçagem ou barbárie" (sem defender posições de ignorância à história do Brasil nesse sentido). Não sei se seria tão radical assim, mas o bordão se aproxima um pouco do que penso ser a realidade sócio-étnico-econômico-cultural-etc. por estas terras vastas. O problema é que creio que, se fulano ou sicrano deseja adotar tal ou qual identidade étnica, e tem razões consistentes pra isso, por que não colaborar? Por agora, um pouco de paciência e ver se as cotas serão implantadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Mainha não é lá tão braaaaanca assim, ainda que o suficiente pra virar um pimentão se tentar pegar uma &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;cor &lt;/span&gt;ao sol. Esse era o resultado dermatológico da discriminação que ela sofria em Salvador, devido à tentativa dela de minimizá-la.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2681178872766801074?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2681178872766801074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2681178872766801074&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2681178872766801074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2681178872766801074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/07/cotas-e-ensino-superior-polmica-de-novo.html' title='Cotas e ensino superior: polêmica (de novo e até quando?)'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-1761010090985378657</id><published>2008-07-14T20:57:00.007-03:00</published><updated>2008-09-21T22:06:25.200-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pós-modernidade'/><title type='text'>Baudrillard e os Mamonas Assassinas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Puxa, quinta passada bateu aquela nostalgia. Antecipada, claro: desde terça ou quarta que eu já sabia do programa - embora só voltasse a lembrar quando cheguei em casa, após o jogo de dominó. Na Globo, aquele programa - especial? - recontando a trajetória meteórica dos Mamonas Assassinas. Num conjunto habitacional de Guarulhos, quatro jovens animavam o público local com um repertório melancólico - o que mudaria com o ingresso de Dinho e um show no ginásio da cidade (Thomeozão) negado; o diretor trancou o portão dando um esporro no grupo - como iriam tocar ali, se o nome da banda - Utopia - não ajudava?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Algum tempo depois, tocaram num comício eleitoresco. A galera gostou, fizeram um demo, procuraram uma gravadora, foram recusados; acabaram por voar a Los Angeles e gravar o bendito disco. Voltando ao Brasil, o povo começava a conferir seu trabalho. Pronto: em alguns meses, um grupo de pastichadores palhaços - não estou sendo hipócrita - pintava e bordava nos palcos daqui. Português, nordestino, corno, gay: os Mamonas Assassinas entoavam o coro e botavam a galera pra cantar, tiravam sarro com Faustão, Xuxa e Gugu e faturavam o deles. Numa rotina girando em torno de trinta apresentações por mês, o vocalista conseguiu ir da picardia à fúria; questionado sobre se haveria algo de diferente numa delas, Dinho soltou: "eu espero que seja super diferente, a gente lá em cima do palco, tocando, o público lá embaixo, pulando, acho que vai ser bem diferenteque claro, eles estariam no palco tocando, e o público lá embaixo escutando, seria bem diferente; de volta ao começo, no Thomeozão, não hesitou em chutar os suportes de microfone ao desabafar o capítulo de desânimo que havia sido escrito ali, exultando o público a não desistir de seus sonhos. Tudo numa euforia irreverente, voavam os irmãos Samuel e Sérgio, Dinho, Bento e Júlio - este com uma premonição muito nebulosa - ao encontro da morte: o avião perdera o contato com a torre do aeroporto de Brasília, os pilotos não entenderam o comando de lá. "Parece que o avião caía... eu não sei..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nada mais oportuno para a aparição fantasmática de Jean Baudrillard - não tanto pelo susto, mas pela lembrança confusa de algumas idéias suas, que tento confusamente ordenar. Segundo li uma vez, para ele só havia uma forma de produção cultural na pós-modernidade: o pastiche. Eis aí um elemento para a acolhida tão vibrante da banda, por mesclar rock, forró, brega, Chapolim Colorado, Robocop e o escravo-de-jó  de maneira assas livresca. Mas o homúnculo francês certamente não escutou "Sabão Crá-Crá"; a música não o agradaria, decerto, e ele estava ocupado demais em regurgitar suas teses do simulacro, na crença descarada na entropia pós-moderna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E aonde isso nos leva? Sei lá. Eu ouço a música deles uma vez ou outra, esmerando em imitar Dinho. Não sei até quando, mas quando parar não será por causa de Baudrillard. No entanto, ele declarou uns anos atrás que o fenômeno da pós-modernidade no Brasil era bem complexo para o alcance teórico dele (1), mais até que a americana. Aí talvez uma pista escondida para pensar, entre outras besteiras, o sucesso fulminante dos Mamonas Assassinas - a um só tempo músicos, bobalhões e (em última instância) humanos. Mas, sinceramente, pensaria mais neles se não fossem tão bestas, ou é a besteira deles que me oferece um quinhão de idéias para pensar a pós-modernidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(1) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Já me cobraram um livro sobre o Brasil. Cito-o em minhas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cool Memories&lt;/span&gt; (trabalho no quinto volume) e em outros textos, mas a cultura brasileira é muito complexa para meu alcance teórico. Ela não se enquadra muito em minhas preocupações com a contemporaneidade, não tem nada a ver com a americana, com seus dualismos maniqueístas, um país que se construiu a partir das simulações, um deserto da cultura no qual o vazio é tudo. Os Estados Unidos são o grau zero da cultura, possuem uma sociedade regressiva, primitiva e altamente original em sua vacuidade. No Brasil há leis de sensualidade e de alegria de viver, bem mais complicados de explicar. No Brasil, vigora o charme." A entrevisa completa está disponível aqui (créditos de Luís Antônio Giron, que entrevistou o sujeito e publicou na revista Época de 07/06/2003: &lt;a href="http://www.consciencia.net/2003/06/07/baudrillard.html"&gt;http://www.consciencia.net/2003/06/07/baudrillard.html&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;http: net="" 2003="" 06="" 07="" html=""&gt;&lt;/http:&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;http: net="" 2003="" 06="" 07="" html=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/http:&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-1761010090985378657?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/1761010090985378657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=1761010090985378657&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1761010090985378657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/1761010090985378657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/07/baudrillard-e-os-mamonas-assassinas.html' title='Baudrillard e os Mamonas Assassinas'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-4455784072224063567</id><published>2008-07-06T19:39:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T22:04:17.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>O arco da existência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ora, vejamos só que coisa... Vou visitar um amigo meu, a gente conversa besteira, assiste algumas cenas d'&lt;em&gt;As mil e uma noites&lt;/em&gt;, vou pra casa, assisto &lt;em&gt;Dança comigo?&lt;/em&gt; e, quando acabo, olho pela janela e o que vejo? Um arco-íris!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas sábado último só o que teve foi arco. Primeiro, o figura do primeiro filme, esticando um arco prestes a atirar uma flecha nitidamente fálica (&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;) na genitália da parceira. O arco do desejo, da libido humana, para cuja satisfação amiúde nos curvamos e fazemos curvar, quaisquer que sejam os custos e as conseqüências. Enquanto assistia mais meu amigo, ele comentava o que fazer na cama: jeitos, trejeitos, a paciência e criatividade sempre presentes, não para a explosão orgásmica, mas para o tão delicado processo de deliciar uma mulher. E, enquanto ele divagava, estava eu retorcendo meus pensamentos para o XXIX ENEL, que está pra acontecer daqui a alguns dias em Belém; conciliar o aspecto acadêmico com o amoroso não será tão fácil. Ele ainda me mostrou umas cenas de &lt;em&gt;Dança comigo&lt;/em&gt;?&lt;em&gt; &lt;/em&gt;e me emprestou pra meditar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tema do desejo continuava. Richard Gere todo robô na hora de dançar rumba. Mas foi por um desejo estranho, nebuloso, que ele entrou na academia de Mitzi. No começo o clichê hollywoodiano da mulher bonitona e do homem charmoso, mas no desenrolar da trama percebemos que é a própria vida que está em jogo. Ambos curvaram o desejo devido às frustrações e dúvidas da vida, e viram na dança a válvula de escape. Aquele tango tentador, e a valsa tão lânguida... O problem, no entanto, era que a vida de ambos - Paulina e John Clark - estava um bagaço; ele preso nas malhas da rotina, ela na tortura emocional pela perda do amante e companheiro de trabalho. No fim, parece que todo mundo aprendeu a lição: nada de deixar a vida murchar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, de volta para a sala onde assistia, desligando o DVD, observando o trabalho dos pedreiros em casa, e voltando para a janela da sala... Lá longe, decomposto por um monte de gotículas d'água suspensas no ar, o feixe branco de matizes sutis. Que coisa engraçada: comecei logo a recordar aquelas histórias de anão, do prisma de Newton, do movimento GLBT. Torto das pequenas peripécias diárias, vou não sei aonde - tantos caminhos sinuosos pra trilhar! -, ansioso pelo que me aguarda lá fora. Se não dá pra viver sem me retesar, que eu seja como um bambu: não quebra com a fúria da existência...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-4455784072224063567?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/4455784072224063567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=4455784072224063567&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4455784072224063567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/4455784072224063567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/07/o-arco-da-existncia.html' title='O arco da existência'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-5182124594955893784</id><published>2008-06-09T11:36:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T22:04:17.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>Magritte e Russell no Dia dos Namorados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Umberto Eco afirma que só há signo se ele puder mentir. Controvérsias à parte, não me parece difícil ele ter chegado a essa definição após contemplar uma obra de René Magritte, qual seja: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A traição das imagens&lt;/span&gt;. A mensagem é, digamos, simples e direta: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isto não é um cachimbo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SE1A2l7Jf1I/AAAAAAAAADE/IqV48kiMcXs/s1600-h/fs_Magritte_Pipe.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SE1A2l7Jf1I/AAAAAAAAADE/IqV48kiMcXs/s320/fs_Magritte_Pipe.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209891650574843730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagens, mentira, traição... No Dia dos Namorados, costumamos desejar as primeiras, contanto que não remetam às duas últimas. Do jeito que nossos desejos entram em conflito, a doçura nesse dia (como nos outros 364, 365 dias, como neste bissexto) é pouco provável. Ora, que será o ciúme, senão um costume - de muito mau gosto - de evocar o medo de certas imagens remeterem à mentira, à traição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro agora, um cara fechou a cara pra mim, por cumprimentar a mulher dele com beijos no rosto (sou um pouco afetivo, sabe?). Pouco tempo depois, uma conhecida minha pediu que não a beijasse, já que o namorado também fechou a cara. Mais um tempo passado e uma guria com quem teclava soltava as farpas ao ler alguma postagem minha no Orkut que fosse suspeita. E, recentemente, uma amiga se queixava pro seu namorado hospedar uma ex, fugida de Roraima sob ameaças de morte. Minha interpretação dos fatos? Para os dois primeiros, susto seguido de certa raiva, fermentando durante uns dias. Para o terceiro, susto e raiva maiores ainda assando meus miolos, a garota não ficando comigo não só pelo veneno infrutífero, como também pela antecipação amarela do abandono (1) - e eu notando a incoerência entre seus gestos verbais e corporais (o corpo queria, mas até dizer não vacilou direto).  Para o quarto (e, definitivamente, não o último), o vislumbre faiscante da chantagem emocional, a garota pedindo que o companheiro ajudasse a amiga sem usar o apartamento para isso, à custa de negativas, choro e falta de apetite; como se caridade viesse após o capricho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra abordagem do ciúme vem dum fenômeno algo correlato: paixão. Porém, enquanto a paixão constrói a imagem do objeto - ou, se preferir, a pessoa - amado, o ciúme, julgando protegê-la, destrói. Ainda assim, não é de se espantar que ciumentos e apaixonados sejam, noutra análise, medrosos ou sem muita autoconfiança: a glicose do apaixonado serve de pincel não só para desenhar a pessoa amada, mas para que esse desenho o estimule a superar o pavor iminente; ao passo que o ciumento, tomando fel por néctar, se contorce em vertigens nauseabundas, denunciando o temor de aquela mesma imagem abandoná-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, escrevendo ansioso para eles, apaixonados e - principalmente - ciumentos. Isto não é um cachimbo... Não, amor, as coisas não são bem assim... Ai, eu não acredito no que tô vendo, só pode ser mentira (2)...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Você me pergunta se estou solteiro. Digo que sim. Responde que eu arrume alguém pra compartilhar esse dia (e os 364, 365 deste bissexto) e curtir a vida, ao invés de meditar a desgraça dos outros. Treplico o seguinte: já procuro alguém faz quase três anos; graças à vida que levo e os amigos que tenho, posso afirmar que curto a vida na medida do possível e sem lamentar histericamente os momentos desperdiçados; se há um motivo em pensar no estrago que o ciúme dos outros provoca, é exatamente em evitar que eu seja motivo desse &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;zelo destrutivo&lt;/span&gt;, e - o mais difícil - impedir que eu, em algum dia de minha vida, submeta uma garota a humilhações dele advindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, é tão duro nutrir tais esperanças. Dou graças a Deus por haver descoberto Bertrand Russell, personagem que não sabia se era ateu ou agnóstico. Não creio que relacionamentos abertos remediem a situação - Russell era defensor árduo do "amor livre" (3) -, mas não me canso de lembrar uma sentença dele, que consegue ser maestralmente concisa e instrutiva: "Rapazes e moças deveriam aprender a liberdade de seus companheiros do outro sexo; dever-se-ia fazer com que compreendessem que nada dá a uma criatura humana direito sobre outra, e que o ciúme e o sentimento de posse matam o amor." Em meio a essa traição melodramática das imagens no Dia dos Namorados,  onde certos indivíduos enxergam cachimbos demais - isto é, uma marca de batom, aquele perfume que ela detesta, um CD de Marisa Monte com dedicatória  dum amigo; tudo isso com aquela dose de chilique fundamental em momentos assim -, valeria a pena ganhar de presente uma roupa com essa sentença...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Alguns dias mais tarde, me confessou - mais amarela ainda - que tivera medo de se arrepender; talvez eu a esquecesse pura e gratuitamente... Depois que fiquei um pouco a par de sua vida,  tive o alívio de não ter chorado pelo leite que derramou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Eu, pessoalmente, espero que seja. Ou melhor: que não aconteça. E termino esta nota esperando pelas divagações do/a leitor/a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Pleonasmo em termos, pois não há amor sem liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-5182124594955893784?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/5182124594955893784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=5182124594955893784&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5182124594955893784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/5182124594955893784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/06/magritte-e-russell-no-dia-dos-namorados.html' title='Magritte e Russell no Dia dos Namorados'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_QNoy1L_Yu2Q/SE1A2l7Jf1I/AAAAAAAAADE/IqV48kiMcXs/s72-c/fs_Magritte_Pipe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4959233307961438946.post-2950322487001420711</id><published>2008-06-02T20:36:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T22:04:17.631-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divagar'/><title type='text'>Rato de computador</title><content type='html'>&lt;font type="Arial"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;Não, não é aquele dispositivo de entrada de dados. Eta negócio pra acabar com minha mão! Ainda bem que existem atalhos de teclado, só uso o &lt;i style=""&gt;mouse&lt;/i&gt; quando tô com preguiça ou as teclas não colaboram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sim, um rato. Me escondendo do que podem ver, da página que estiver escarafunchando, do vídeo que estiver sacando... Não posso acessar o Orkut da base de pesquisa onde dou expediente (sou bolsista de iniciação científica), minha orientadora não deixa! Um dia desses, tava esperando o recado duma garota, sabe qual a situação dela... Aí, outro pesquisador entrou na sala e tratei de fechar a aba do Firefox. Que nada, a máquina não colaborou, e o cara soltou uma indireta pra mim. Depois, matutei: ora, não fui ver besteira, queria apenas ter notícias da menina, preocupado que estava com ela; não iria passar muito tempo no computador, uma palestra me aguardava; pra que a afobação?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas isso não vai me deter por muito tempo; aliás, já deixei o episódio pra lá. Eu me assumo, vou saltando de página em página; uma hora leio um artigo da Wikipédia, outra vejo Evangelion na net; teclo no MSN, debato no Orkut, leio algum artigo acadêmico sobre Heidegger ou Baudrillard (1)... Nada melhor que um rato pra se esgueirar pelas esquinas (2) do ciberespaço, não é mesmo? Então, dá licença que vou ali buscar qualquer coisa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;(1) Os entusiastas desses indivíduos não sentem muito entusiasmo pela Internet – embora eu possa estar enganado quanto a exceções.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;(2) Palavra de um campo semântico inexistente ali. Basta o próprio termo ‘ciberespaço’ para confirmar esse fato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/font&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4959233307961438946-2950322487001420711?l=lazarobarbosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/feeds/2950322487001420711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4959233307961438946&amp;postID=2950322487001420711&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2950322487001420711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4959233307961438946/posts/default/2950322487001420711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lazarobarbosa.blogspot.com/2008/06/rato-de-computador.html' title='Rato de computador'/><author><name>Lázaro Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15246336510865462697</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-zFeEyWp_s_Q/TbKI-e01O_I/AAAAAAAAAYA/4RxefBo3Frk/s220/avatar%2Btwitter%2B1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
