sábado, 16 de maio de 2009

O sonho do nome próprio

Quando fui tirar a primeira via de minha identidade aqui no Rio - fui assaltado em Caxias e levaram a que eu tinha feito em Natal -, não sabia que teria uma certa agonia com o processo. Fiz da primeira vez, não deu certo, por ter solicitado um processo de segunda via, ao invés de primeira (e isso graças ao pânico que a dona da casa onde eu tava em Caxias criou, que eu teria problemas se fizesse uma primeira via e tal; mas isso é outro papo), refiz o processo, e, na segunda vez, fui obrigado a assinar meu nome sem acento pela primeira vez em minha vida. Achava que se tratasse de algum maneirismo burocrático nas repartições fluminenses, só que fiquei sabendo que a falha foi da parte dos funcionários que fizeram minhas outras carteiras, por não atentar ao detalhe de que a assinatura deve seguir a ortografia da certidão de nascimento. Melhor dizendo, fui informado de que ambos erramos: eu e os funcionários - eu por assinar dessa forma por esse tempo todo, eles por falharem em sua tarefa.

Deixei a questão da ortografia de lado e procurei ver se tinha como solucionar o problema da forma mais fácil. Isso siginificava, para mim, manter o direito de assinar "Antônio Lázaro V. B. Junior" - o último nome, normalmente acentuado, não recebe o acento agudo por pura preferência pessoal e pelo hábito, já que escrevo meu nome assim desde que fui alfabetizado, aos cinco anos de idade. Bastava ir a um cartório que o problema se resolvia. Claro que se resolvia; da forma como recebi a informação para isso, a coisa parecia ser bastante fácil. No entanto, quando vou a um ofício de notas saber como seria o processo, sou desmentido e a mulher me explicar que eu devo ir a Salvador (onde fica o cartório de origem de minha certidão), abrir um processo, aguardar pelo menos 45 dias e esperar que ele seja aceito! Oxente, pra quê esse tempo todo?! E eu resolvi continuar com a assinatura antiga; tanto é que perguntei a um colega se ele teve problemas com isso, e quando fui retirar a primeira via lá em Caxias não houve problemas em assinar normalmente.

Sei não, sei não. Quem é a funcionária pra me dizer que assinei errado? Aliás, o tabelião que me registrou não me perguntou como eu queria que meu nome fosse escrito. O argumento é vagabundamente falacioso, mas o que quero mostrar com ele é outra coisa: o tema da desobediência civil. Até que ponto devo obedecer o Estado como um "bom cidadão"? Uma coisa é trocar de sobrenomes quando se vai assinar, outra bastante diferente é alterar a ortografia. Alguém pode objetar que mesmo isso pode acarretar problemas, mas eu replico: e daí? Temos que dificultar tanto a burocracia mais do que agora? Eu não quero me constranger a mudar a assinatura por conta de qualquer poder pretensamente superior a mim. Isso é tão chato que, ao refazer o processo da identidade, errei (!!!) quando tive que assinar meu nome sem acento pela primeira vez, se bem que acertando (!!!) na segunda. Eu, hem... É mais fácil comprar uma casa do que arrumar um nome!

Um comentário:

Lu Rosário disse...

Gostei do término do texto!

E que problemaço, hein?

Beijos!

Baú de traças