quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Eleições: de Natal a Guarabira

Guarabira é uma pequena cidade do agreste paraibano. Viajei este fim de semana lá pra ver uma garota e saber que história é essa de "Capital dos OVNIs". O passeio foi ótimo, demos um pulo no Memorial Frei Damião, que apesar de frio (sou friorento assumido) tem uma vista ótima do entorno da cidade. Me chamou a atenção também a enorme quantidade de gente na feira-livre do sábado: fui informado de que o lugar é assim também durante a semana - especialmente nestas semanas que antecedem o 5 de outubro deste ano.

Não pude deixar de ficar surpreso. Há todo um pathos eleitoresco na cidade, marcado por uma semiótica bem demarcada: vermelho para o PMDB, azul para o PSDB, e por aí vai. Cada candidato, partido, figurão político convoca a seu redor uma quantidade régia de simpatizantes, maior e melhor (?!) que aquele comício de Jessier Quirino. (1) Minha amiga não constitui exceção; quando passeamos até o Monumento do Novo Milênio, ela ficou aperreada com a carreata da prefeita atual - que tenta reeleição -, pedindo que esperássemos a mundiça ir embora para voltarmos.

Voltando a Natal, o que mais leio no Orkut nas discussões envolvendo política eleitoral é a Operação Impacto (2): vereadores e funcionários subornados por uma construtora local para liberar geral aqui no Parque das Dunas, levando o que resta do equilíbrio ambiental e vergonha na cara. Mais da metade dos vereadores acusados se encontra nos primeiros lugares da preferência dos natalenses eleitores, o que me deixa bastante preocupado; sem contar que vários deles estão coligados com o PT de Fátima Bezerra, que gostaria de ver na prefeitura daqui ano que vem. Quer dizer, a coisa anda tão pra lá de Bagdá que tem nego apostando em Thoreau, votando nulo.

Pois bem: eu espantado com o pathos de Guarabira. Ela besta com a falta de envolvimento em Natal. No entanto, prefiro tentar dosar um pouco as coisas, ainda mais quando ela disse que a candidata dela fez e aconteceu quando era prefeita de lá. Claro que eu teria que passar algum tempo por lá e avaliar a situação; mas mesmo que tivesse a comprovação do que minha amiga anunciava, não poderia me deixar me levar muito por esse entusiasmo. Por isso que já estou pensando no que escrever pra XVIII Semana de Filosofia daqui da UFRN, tentando juntar um pouco do individualismo instituidor de Castoriadis com o anarquismo individualista de Thoreau. Estou mais para o primeiro, mas acabo com um trecho da Desobediência Civil: "Desejo primeiro não a ausência do governo, mas imediatamente um governo melhor. Que cada homem faça saber que tipo de governo lhe diria respeito, e este será um passo em vistas de obtê-lo" (3).

(1) "Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição."

Aqui, na íntegra.

(2) Nome aos bois aqui. E o pedido de prisão foi feito.

(3) Tá, eu sei, a tradução foi livresca. Vai o trecho no original: "I ask for, not at once no government, but at once a better government. Let every man make known what kind of government would command his respect, and that will be one step toward obtaining it."

Um comentário:

Giuliano Quase disse...

opa opa!

devo lhe dizer que gostei da interajpxpção com outros hipertextos.

e o texto, tinindo. supimpa!

abraços
giulianoquase de Curitiba

Baú de traças