quinta-feira, 30 de julho de 2009

Passando a porra na cara

Quando a gente pensa que putaria só acontece nos dias de hoje, e mantém isso na cabeça, seja fazendo críticas moralistas seja rechaçando o passado, fica mais que óbvio que não sabemos de putaria nenhuma. Não, não me refiro ao Kama Sutra. Também não vou tratar das cartas que Platão mandava pra seus amantes (e isso apesar da fama d' A república). Nem vou mencionar o caso de certas tribos na Índia, que promoviam a iniciação sexual a partir dos sete, oito anos de idade; nem de como isso pode ser aproveitado por Luiz Mott em sua defesa da pedofilia. Leio no UOL que um cirurgião colombiano fez um creme à base de sêmen. A inspiração? Madame Cleópatra, clássica rainha egípcia que só não fez um ménage-à-trois com Marco Antônio e César por falta de oportunidade. No Papiro de Ebers, havia um tratado de medicina cheio de receitas pra tudo quanto fosse coisa. Entre elas, o tratamento que a danada fazia com suco de pica, seguindo o calendário lunar. O criador do creme afirma que o efeito de sua invenção dura 12 horas, com resultados instantâneos.
Pois bem: aí eu fico pensando nos filmes pornôs que assisto, nos bate-papos de que participo, nas coisas que escuto. Graças ao UDR, um dueto mineiro que só faz música pra lá de pan (ssexual, se ainda tiver dúvidas quanto ao significado; o que não dura por muito tempo, após pegar o material deles no Myspace ou YouTube), adiciono uma nova palavra a meu vocabulário: bukkake. Vou procurar no prêt-à-porter do viciado em Internet - Google - e saber que porra (!!) é essa. Além das várias páginas com vídeos e fotos, aparece um artigo da Wikipédia; atribuem a origem da prática aos japoneses, uma mulher havia traído o marido e ele, em repúdio, solta o leite na cara dela. Mas tem gente que acha que isso é lenda urbana, e o bukkake só apareceu nos filmes pornôs a partir dos anos 80 - lá no Japão.
Duvido que seja apenas uma lenda urbana. O trato do ser humano com o sexo, posições, perversões, tudo isso é mais antigo que o próprio ser humano; o diferencial é que, além de ser o único animal que ri ("e rindo mostra o animal que é" - Millôr Fernandes), é político e racional. Em prol de sua racionalidade, faz o que bem entender, e manda a galera às favas; Dostoiévski não perdeu um único tempo argumentando sobre o assunto em sua obra como um todo e nas Memórias do subsolo em particular. Aliás, foi com ele que soube de uma das taras de Cleópatra: enfiar agulhas douradas nos peitos de suas amas e se divertir com os gritos.
E Martín Carrillo não deixou por menos: recuperou o antigo tratado egípcio e meteu as mãos à obra. A indústria pornô, por seu lado, deve contatá-lo para algumas propagandas, além de ser um forte mercado consumidor. Pessoalmente, por mim tanto faz; nos vídeos, a coisa que menos me interessa é ver a estrela tomando banho de gala. Agora, não me farei de rogado em deixar minha querida mais bonita, se assim ela quiser...
P.S.: tá bom que sempre tem putaria. Mas algumas dão um susto da porra (literalmente) por aí:

Um comentário:

Ana Fernandes disse...

FAN-TÁS-TI-CO!
É. Tá sempre na cara que esse é um tipo de assunto que permeia o imaginário (sujo?) da gente...
Adorei o post! Li com gosto!
Beijão, Lázaro!

Baú de traças