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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Glosando do ENEL

Era pra ser apenas uma brincadeira. Mas não é que gostei do que escrevi? Um bicho abriu um tópico na comu do XXX ENEL no Orkut pra galera versejar. Olhem o que glosei:

Mote:

Pois também é muito bom
botar língua pra brigar!

Glosa:

Em julho vai ficar frio:
enrolado no edredom.
Mas vai ter gente no Rio,
pois também é muito bom
ficar ligadão no som!
Niterói, vamo pra lá,
agito não faltará;
tirar sarro dos mané,
chegar junto das mulé,
botar língua pra brigar!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vida longa à livre distribuição 2

Mas será possível? (1) Algum tempo depois de outra postagem, dou uma vasculhada num ótimo banco de dados com textos de Jacques Derrida (cf. na lista Desterritórios aqui ao lado), e o que acontece? Neca de pitibiribas. Horacio Potel, professor de filosofia na Universidad Nacional de Lanús, Argentina, está passando por maus bocados após sofrer um processo por parte da Cámara Argentina del Libro. A Cámara, por sua vez, atendeu a um pedido das Éditions de Minuit, editora francesa responsável pela publicação de diversos títulos do pensador francês (2). Eles alegaram que o prazo para a difusão da obra dele no domínio público não havia acabado, daí a ação legal (!!!) movida contra Potel.

Vejamos bem: como você deve ter percebido, não gostei nem um pouco da notícia. Mas, agora, não se trata apenas de franca desobediência civil. A coisa toma uma dimensão mais, digamos, filosófica - embora não naquela acepção abstracionista, algo platônica - muito embora Derrida tenha uma escrita bastante circunvolumétrica, cheia de tortuosidades que podem assustar o estudioso apressado.

Ele (3) legou à filosofia contemporânea uma extensa crítica da metafísica tradicional, e entre seus alvos se encontram Platão, Rousseau, Heidegger... (Mas prefiro pensar, na esteira de Richard Rorty, que sua tentativa de superar a tradição filosófica não foi e nem poderia ter sido possível.) Entre as palavrinhas mágicas que criou - diferensa, phármakon, disseminação... -, "escritura" parece mais apropriada para meus propósitos de análise. Grosso modo, escritura se refere tanto à linguagem quanto a suas "condições de possibilidade" (o contexto histórico, social, cultural etc.); daí, ele fala, na Gramatologia, da existência de diversos tipos de escritura - militar, política, cibernética... Esta, por sua vez, está intimamente ligada ao que Horacio Potel fez. O fato é o seguinte: o que a palavra escritura marca - a linguagem e suas "condições de possibilidade" (os especialistas que me perdoem a expressão, não consigo achar outra mais apropriada) - não é, de forma alguma, absoluto, definitivo ou estável. A escritura é mais que água: escapa por entre os dedos, olhos, ouvidos (4) e quaisquer tentativas de rígida manipulação conceitual.

Não será esse, portanto, o caso do professor Potel? Melhor dizendo, não estará ele agindo de acordo com o pensamento de Derrida, implementando a escritura através da livre difusão dos textos? Ora, a Internet é, hoje em dia, a escritura par excellence; sua arquitetura permite, como nenhuma outra tecnologia o fez, a reproduçao ininterrupta e flexível de idéias. Obviamente que nem todo internauta é bonzinho - do contrário, não haveria crackers, pedófilos e trolls chutando o pau da barraca por aí; o problema, no entanto, é que a mesma lei que se encarrega - e mal - de combater essa galera também atrapalha o trabalho de indivíduos como Potel, que não ganhou um centavo com isso e corre o risco de desembolsar um valor absurdo com os direitos autorais simplesmente por facilitar o trabalho de outros pesquisadores como ele (5). Livre distribuição significa isso: reformar essa espelunca legislativa que entrava o acesso a materiais preciosos de pesquisa ou de simples entretenimento, quase sempre onerosos e fora do poder aquisitivo de uma porrada de gente por aí - ou, o que não é menos importante, oferecer mais uma alternativa de busca.

(1) Claro que é, senão não teria uma boa razão para escrever esta postagem - a não ser que desejasse tentar uma carreira tabloidista...

(2) Na verdade, era argelino; embora escrevesse tão bem o francês quanto Émile Zola ou Gilles Deleuze, quando falava se deixava transparecer como um estrangeiro. O homem sofreu na Argélia por ser judeu, ainda tinha nego tirando onda com o sotaque dele, e depois aprontam uma com sua obra...

(3) Derrida, não o estudioso apressado.

(4) Entre outras coisas, escritura também serve à crítica do fonocentrismo - a tendência, no pensamento ocidental, de privilegiar metáforas sonoras às escritas. Um ótimo texto para se perceber isso é A farmácia de Platão, no qual Derrida desmonta minuciosamente o uso que Platão fazia do vocábulo phármakon - traduzível por "veneno" ou "remédio", às vezes (e isso é uma das teses do ensaio de Derrida) intraduzível por apenas um deles, mantendo uma tentadora e inevitável ambigüidade.

(5) E eu, por falar - ops, por escrever! - nisso.

sábado, 22 de novembro de 2008

Vestibular UFRN 2009 – Revisão geral

Daqui a algumas horas, o momento fatídico para diversos estudantes do ensino médio que concluem este ano e uns outros tantos que já passaram pelo colegial faz tempo, feito mainha.Alguns tópicos para revisão:

1. Aulões de véspera são uma piada de mau gosto, e só servem para encher o saco de estudantes e professores, mesmo quando se usa alimentos não-perecíveis como ingresso. Corujões, então, nem se fala; você, que virou a noite (ou tentou virar) com todas as apostilas do cursinho, caneta, pen-drive pra gravar o que os professores dizem, papéis pra anotação, dois litros de bomba de guaraná e pinças pra manter os olhos abertos – você, meu chapa, provavelmente perdeu um bocado de seu tempo com esses ritos de iniciação, estudando e revisando conteúdo do mesmo jeito que um ganso se alimenta de ração para servir de ingrediente de fois gras.


2. Ah, tá achando ruim que eu tire onda? A que horas você tem que chegar no local de prova? 7 horas e 15 minutos, certo? Já eu, que te fiscalizarei e cuidarei bem direitinho para que não dê uma de sabido e passe vergonha na sala onde estiver fazendo a prova, terei que estar no local de prova até as 6 e meia. Os coordenadores dos locais de prova, por sua vez, têm de aprontar o material para a prova na COMPERVE de madruga, lá pelas 4 e tantas. Portanto, não venha com chorumelas sobre as questões da prova nem muito menos reclame de insônia!

3. Continuando com a tiração de onda: uma amiga minha disse que o namorado dela provavelmente não a veria hoje devido a um desses aulões de revisão. Diz ele que quer tirar o primeiro lugar em geografia (se não me falha a memória). E ela, saudosa, doida pra dar uns beijos no cara... Ai ai ai... (Não sei se ela deseja ficar em primeiro também, já que, até uns dias atrás, era livro no café da manhã, almoço e janta, além da madrugada. Na última vez que vi ela (1), certamente conseguiu duas coisas: olheiras e um pouco de meu sardonismo, pra ver se ela aquietaria o facho e concordaria comigo no primeiro ponto desta postagem. Meu sucesso, obviamente, foi o menor possível.)

4. Fora de brincadeira, três curiosidades dignas de nota: 1) o vestibular da UFRN
é o único no Brasil que AINDA não passou por uma tentativa de fraude; 2) embora reformulada, o nível da prova AINDA é duvidoso, de fato que neguinho só não entra se for relapso ou nervoso; 3) AINDA assim,
cinco estudantes daqui tentaram fraudar o vestibular de uma faculdade privada em João Pessoa. Ê beleza!

5. Por fim, brevíssimo simulado: Quando acabar de ler esta postagem, você vai: a) dar uma com sua namorada (ou namorado)? b) direto pro corujão mais próximo do local de sua prova? c) matar o vício da Internet? d) postar um comentário ofensivo?

(1) E então, o complemento pronominal é esse mesmo?

Baú de traças